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quarta-feira, 8 de abril de 2015

Aprenda a escolher os vinhos mais adequados para cada tipo de comida

Escolher o vinho mais adequado no restaurante ou mesmo as melhores opções da bebida para acompanhar um almoço ou jantar organizado em casa não é uma tarefa tão óbvia quanto pode parecer. Com o objetivo ajudar o apreciador da boa enogastronomia a não errar nessas ocasiões, a Sbav/SP - Associação Brasileira dos Amigos do Vinho realizará, no próximo dia 15 de abril, em sua sede, uma aula master sobre o tema, cujas inscrições já estão abertas para as 13 vagas disponíveis.
Durante a aula, que terá duração de 2h30, os participantes conhecerão mais sobre os conceitos de harmonização entre comida e os principais tipos de vinhos: espumantes, brancos tranquilos, tintos tranquilos e vinhos para sobremesa.

Serão abordados temas como tipos de vinhos, os cinco sentidos humanos, princípios da harmonização, tipos de alimentos e sensações que causam na boca, além de exercícios práticos de harmonização com diferentes tipos de vinhos e alimentos. A aula será ministrada por Agilson Gavioli, sommelier, consultor de vinhos e professor da Faculdade Estácio (SP).

Para obter mais informações e fazer a inscrição, contate a Sbav/SP pelo e-mail reservas@sbav-sp.com.br ou telefone 11-3814-7905.


Clique aqui e conheça mais sobre a Sbav/SP e seus cursos e eventos enogastronômicos.

terça-feira, 3 de março de 2015

As boas surpresas do Encontro de Vinhos

Dia 2 de março último, na Casa do Porto (SP), participei da prova para escolha dos Top 5 do Encontro de Vinhos no RJ. Ao todo, degustei 27 amostras (metade do painel), cuja avaliação variou de 84,5 a 88,5 pontos, o que as coloca na categoria de vinhos considerados bons. Antes de falar sobre minhas preferências e impressões, destaco os grandes vencedores da noite, dos quais provei somente 2 (Guatambu Rastro do Pampa Cabernet Sauvignon 2013 e Norton Reserva Malbec 2011):

1º lugar: Leopoldo 2007 - Santa Catarina (Brasil)
2º lugar: Pêra-Grave Reserva 2007 - Alentejo (Portugal)
3º lugar: Guatambu Rastros do Pampa Cabernet Sauvignon 2013 - Campanha Gaúcha (Brasil)
4º lugar: Norton Reserva Malbec 2011 - Mendoza (Argentina)
5º lugar: Norton Privado 2011 - Mendoza (Argentina)

Agora, meus vinhos preferidos, em ordem alfabética (nome do produtor):

Bodegas Argenceres Lágrima Malbec Reserva 2010 - Mendoza (Argentina)
Casa Valduga Gran Raízes Corte 2010 - Campanha Gaúcha (Brasil)
Chozas Carrascal Las Ocho 2010 - Utiel Requena (Espanha)
Dunamis Tannat 2012 - Campanha Gaúcha (Brasil)
Familia Schroeder Saurus Barrel Fermented Pinot Noir 2012 - Patagônia (Argentina)
Luiz Argenta Merlot 2009 - Serra Gaúcha (Brasil)
Terrazas Single Vineyard las Compuertas Malbec 2010 – Mendoza (Argentina)

Como houve empates ou notas muito próximas, destaquei 7 exemplares: 3 argentinos, 3 brasileiros e 1 espanhol.

Me chamou a atenção o equilíbrio dos malbec argentinos, vinhos que até poucos anos atrás eram conhecidos por sua potência excessiva, doçura e muitas vezes agressividade no paladar. Desta vez, tanto o Terrazas como o Argenceres mostraram que é possível produzir vinhos com personalidade a partir da malbec, mas fáceis de beber, agradáveis e equilibrados.


O outro comentário que gostaria de fazer é sobre os exemplares nacionais, que se saíram muito bem perante vinhos de bons produtores da América do Sul e Europa. Destacaram-se pela elegância e equilíbrio. Vinhos gostosos, bem feitos, que mostram uma evolução rápida e disseminada da qualidade do que produzimos não apenas na Serra Gaúcha, mas em outras regiões do Sul do país. Mantida essa tendência, não duvido que no Encontro de Vinhos de 2020 a lista dos Top 5 tenha vinhos nacionais em sua maioria.

Clique aqui e saiba mais.

sábado, 21 de fevereiro de 2015

Sbav/SP divulga agenda para o 1º semestre

A Sbav/SP - Associação Brasileira dos Amigos do Vinho acaba de divulgar a agenda de cursos, eventos e viagens para o primeiro semestre de 2015 (confira abaixo). Os detalhes de cada evento e atividades adicionais incluídas na agenda serão divulgadas no site ao longo do ano: www.sbav-sp.com.br







JANEIRO
14/01 – Início do ano administrativo – reunião de posse da nova diretoria

21/01 – 
Degustação didática – degustação de vinho às cegas – Vinhos do Velho Mundo VS Vinhos do Novo Mundo
26/01 – Curso básico fevereiro – primeira aula 
28/01 – Curso temático – Degustação de Vinhos Evoluídos – com Rodrigo Mammana

FEVEREIRO
02/02 – Curso básico fevereiro – segunda aula
03/02 – Degustação com importador – Vinhos Alentejanos – Com a participação do produtor – Apresentação de vinhos do portfólio do expositor.
09/02 – Curso básico de fevereiro– terceira aula
11/02 – Degustação com importador – Spielmann State –Apresentação de vinhos do portfólio do expositor.
23/02 – Curso básico de fevereiro – quarta aula
25/02 – Curso temático – Regiões da Itália: Vinhos do Alto Adige – com José Luiz Pagliari.

MARÇO
09/03 – Curso básico de março – primeira aula
10/03 – Degustação com importador – Tahaa Vinhos – Apresentação de vinhos do portfólio do expositor.
16/03 – Curso básico de março – segunda aula
18/03 – Curso temático – Destilado Nacional – Cachaça – com José Henrique de Paula.
23/03 – Curso básico de março – terceira aula
25/03 – Curso temático – Regiões da França: Vinhos do Jura – com José Luiz Pagliari
30/03 – Curso básico de março – quarta aula 
31/03 – Degustação com importador/produtor nacional – Vinícola Miolo – Apresentação de vinhos do portfólio do expositor.

ABRIL
01/04 – Curso básico de abril – primeira aula
06/04 – Curso básico de abril – segunda aula
07/04 – Degustação com importador – Premium Wines – Apresentação de vinhos do portfólio do expositor.
13/04 – Curso básico de abril – terceira aula 
15/04 – Curso temático – Harmonização Enogastronômica – Com Agilson Gavioli
27/04 – Curso básico de abril – quarta aula
28/04 – Apresentação de vinhos italianos inéditos no Brasil, com o produtor.

MAIO
04/05 – Curso básico de maio – primeira aula
05/05 – Degustação com produtor nacional – Vinícola Pizzato
11/05 – Curso básico de maio – segunda aula
18/05 – Curso básico de maio – terceira aula
20/05 – Curso temático – Vinhos da França: Vinhos do Rhône – Com Gilberto Medeiros
25/05 – Curso básico de maio – quarta aula

JUNHO
08/06 – Curso básico de junho – primeira aula
15/06 – Curso básico de junho – segunda aula
17/06 – Curso temático – Vinhos da Espanha – Com Sérgio Bonachela
22/06 – Curso básico de junho – terceira aula
29/06 – Curso básico de junho – quarta aula

sábado, 30 de junho de 2012

Boa compra: Maycas del Limarí Pinot Noir Reserva

Maycas del Limarí Pinot Noir Reserva, ótimo chileno do Vale do Limarí. Outro vinho que comprei na Wine (www.wine.com.br), safra 2010. 

Rubi com boa intensidade, levemente violáceo. Fruta vermelha intensa, em especial morango, e ervas, com um toque de madeira muito sutil. Na boca, fruta vermelha marcante, alta acidez, álcool presente (14%), média/boa intensidade e média persistência. Depois de alguns goles senti um caramelo no final de boca, que vai ficando mais presente conforme o vinho respira e perde o excesso de álcool.

Vinho muito agradável, sem extração excessiva e madeira na dose. Pede decanter para dar uma respirada. Gosto muito desse produtor e das linhas reserva e reserva especial dele. O Shiraz é muito bacana. Esse é um dos melhores pinot chilenos que já provei. Quiçá um dos melhores do Novo Mundo na faixa até R$ 100! Custa R$ 70 na Wine (sócio paga 15% mais barato). Ótimo negócio.

Boa compra: Quinta do Crasto Superior

Quinta do Crasto Superior, um português do Douro bastante intenso e saboroso. Sempre que bebo esse vinho fico impressionado com a ótima relação custo-benefício. A última safra que bebi foi a 2009.

Vinho novo, com cor rubi violáceo intenso. Nariz muito frutado, puxando para frutas negras e cassis. Toques vegetais e leve tabaco. Na boca, ainda um pouco alcoólico, precisa de decanter. Boa acidez, bastante fruta e um leve toque de manteiga. Macio, taninos presentes, mas fáceis de beber. Bom corpo e boa persistência.

Essa safra 2009 merece uns 5 anos de garrafa ainda, pelo menos. É um vinho que custa R$ 79 na Wine (www.wine.com.br), mas que supera outros até mais caros. Vale comprar uma caixa e esquecer na adega.

domingo, 1 de abril de 2012

Copa América de Vinhos 2012

Ontem à noite, eu e um grupo de amigos realizamos mais uma degustação muito interessante com vinhos das Américas, que batizamos de Copa América de Vinhos. A ideia foi reunir alguns dos ícones desses continentes para compará-los. Trata-se de uma brincadeira, obviamente, como qualquer degustação que proponha ordenar vinhos de safras, cepas e regiões diferentes. Mas foi divertido e, desta vez, surpreendente!

Foram selecinados para o painel 7 vinhos, entre eles um brasileiro, que por decisão do grupo, revoltado com a ideia das salvaguardas, foi excluído da foto e não será comentado por ninguém. Chegamos a considerar retirá-lo do painel, mas como já havia sido comprado, mantivemos. Uma pena, mas enquanto essa palhaçada durar eu e muita gente que conheço não compraremos e não comentaremos os produtos nacionais. Estes são os vinhos que consideramos: Opus One 2007, Montelena Estate Cabernet Sauvignon 2005 e Caymus Cabernet Sauvignon Special Selection 2008 (EUA); Almaviva 2008 e Don Melchor 2006 (Chile); e Nicolas Catena 2007 (Argentina).

Como é possível constatar, todos os vinhos ainda estavam muito jovens. Mas mesmo assim decidimos fazer a prova. Daqui 10 anos voltamos para os mesmos vinhos e fazemos outra, já que as garrafas foram compradas em duplicidade em sua maioria. Todos os vinhos passaram pelo menos 3 ou 4 horas no decanter. A ordem das garrafas na foto é a classificação final do grupo. Porém, como o blog é meu (!), comentarei a minha classificação pessoal!

O último colocado, surpreendentemente, foi o Don Melchor 2006, que claramente não estava em sua melhor forma. Não identifiquei nenhum dos defeitos clássicos, mas havia um ranço, uma ameixa meio passada, com final de boca adocicado, que incomodou a todos. Era o mais escuro do painel, muito denso, quase negro. No nariz, ameixa, um toque de chocolate, terra molhada e um oxidativo leve. Na boca, boa acidez, seguindo a linha do nariz, mas com um final enjoativo. Taninos ainda pegando um pouco. Bom corpo e boa persistência. Mereceu 88 pontos.

O quinto colocado foi o Montelena Estate Cabernet Sauvignon 2005. Rubi, com boa intensidade. No nariz, fruta vermelha, leve herbáceo e toque de madeira sutil. O álcool incomodou um pouco. Na boca, boa acidez, alcoólico, bom corpo e boa persistência. Taninos também jovens e presentes. Levou 89 pontos.

O quarto colocado foi o Opus One, o que me surpreendeu, pois já bebi esse vinho em pelo menos outras 3 degustações semelhantes e ele quase sempre foi o melhor. Recentemente perdeu apenas para um Grange, australiano quase imbatível quando se fala de Novo Mundo. Mas desta vez não foi tão bem. Rubi muito intenso. No nariz, leve vegetal, toque defumado, frutas vermelhas e bastante álcool. Na boca, boa acidez, mais tânico que os demais e muita madeira. Acho que em 10 anos poderá superar os demais se tudo isso evoluir bem, pois tem muita estrutura, corpo e persistência. Ganhou 89,5 pontos.

A terceira posição ficou com o Almaviva 2008. Também muito intenso na cor rubi. Nariz lácteo e um ataque de álcool no início. Abriu um herbáceo e uma goiaba que me fizeram deduzir sua origem. Na boca, ótima acidez, um pouco tânico ainda, com noz ou algo nessa linha no final, deixando um retrogosto levemente caramelado. Ótimo corpo e boa persistência. Recebeu 90 pontos.

O vice-campeão da noite foi o Caymus Cabernet Sauvignon Special Selection 2008. Rubi muito intenso. No nariz, vegetal, um pouco de madeira e um toque mineral. O álcool também incomodou no início, mas depois melhorou. Na boca, mostrou ótima acidez, taninos presentes, muito corpo (carnudo), quase mastigável e uma persistência enorme. Mereceu 90,5 pontos.

E o grande campeão das Américas foi a surpresa da noite: Nicolas Catena 2007, que na minha opinião correria por fora. Belo vinho e, o melhor: o mais barato do painel! Rubi intenso e halo violáceo, entregando a malbec, que compõe pouco mais de 30% nesse corte com cabernet sauvignon. No nariz, fruta vermelha compotada, leve lácteo e madeira elegante, puxando para toques agradáveis de mentol e caramelo. Na boca, excelente acidez, taninos presentes, mas já arredondando. Madeira evidente, bom corpo e ótima persistência. No conjunto foi o que mais me agradou. Trata-se de um vinho ainda bastante jovem, mas já muito bebível e agradável. Levou 91,5 pontos.

O painel foi muito bacana, mas certamente a juventude dos vinhos prejudicou qualquer comparação mais séria. Vamos ver como estarão lá na frente, quando de fato estiverem prontos para o abate!

domingo, 4 de março de 2012

Mediterrâneo: ótimos brancos, sem a mesmice das cepas francesas

Semana passada, uma das minhas confrarias, a Sereníssima, fez uma experiência muito interessante com vinhos brancos elaborados em países banhados pelo Mar Mediterrâneo. A proposta era que cada confrade escolhesse uma região e levasse o seu exemplar. Degustamos rótulos da Itália (Sicília, Sardenha e Campanha), Espanha (Penedés), França (Coteaux de L'Ardeche e Gaillac), Croácia (Orebic) e Grécia (Peloponeso). Incluímos também um português do Alentejo, como "coelho", mas ele claramente destoou, apresentando estrutura e características bastante diferentes dos brancos do Mediterrâneo.

A grande lição que tirei desse painel foi que existem vinhos brancos de ótima qualidade quando saímos das cepas óbvias como Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, Gewurstraminer, Chenin Blanc, Torrontés, Viura e outras produzidas em diversos países e que inundam as prateleiras das importadoras. Bebemos vinhos elaborados com uvas autóctones de nomes estranhos, como Insolia, Posip, Xerel-lo, Loin de L'Oeil, Moshofilero e Roditis. E revisitamos outras mais conhecidas, como Fiano di Avellino e Vermentino di Sardegna.

Fui para a degustação sem muitas expectativas, esperando beber vinhos diferentes e até mesmo alguma coisa interessante, de melhor qualidade. A grata surpresa foi ter bebido vinhos de fato bons e nada exóticos. Tive o prazer de conhecer produtos muito bem elaborados, com algumas características diferentes das cepas e regiões mais conhecidas. E o melhor: como são vinhos menos comerciais, os preços são ótimos. Bebemos vinhos de 88 e 90 pontos pagando entre R$ 50 e R$ 80. Uma pechincha se compararmos com franceses, espanhois, italianos, alemães, neozelandeses, chilenos e argentinos produzidos com uvas mais comerciais.

Os detalhes da degustação podem ser conferidos no blog da Sereníssima. Deixo aqui as dicas dos vinhos que mais me chamaram a atenção pela ótima relação custo-benefício, dos quais já fiz um pequeno estoque em minha adega: o Zagra Insolia, da Sicília (R$ 81 na Vinea), e o Is Argiolas, da Sardenha (está em promoção a R$ 54 na Expand). São vinhos típicos de duas ilhas italianas, valem cada centavo e merecem ser conhecidos.

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sbav-SP começa 2012 com a agenda recheada de eventos!

Minha querida Sbav inicia 2012 com a agenda cheia de atividades, incluindo o tradicional curso básico de vinhos, um curso especial com o amigo e confrade Aguinaldo Zackia e uma noite que promete com os bons vinhos italianos da Tahaa, no excelente Rosmarino, das amigas Stela e Angela. O ano promete!

27 de fevereiro - Curso de Champanhe e Espumantes, por Aguinaldo Zackia: Nesse dia, o escritor e crítico de vinhos Aguinaldo Zackia Albert ministrará o Curso de Champanhe e Espumantes especialmente para os associados e amigos da Sbav. Clique aqui e saiba mais.

28 de fevereiro - Norte da Itália é o tema da primeira degustação de 2012: Os bons vinhos do Piemonte e do Vêneto, duas das mais consagradas regiões produtoras da Itália, serão o tema do primeiro evento enogastronômico promovido pela Sbav neste ano! A degustação dos vinhos trazidos pela importadora Tahaa, que será seguida de jantar, acontecerá no restaurante Rosmarino. Clique aqui e saiba mais.


5 de março - Início do Curso de Formação e Introdução ao Mundo do Vinho: Direcionado a quem está iniciando suas experiências na área, o curso aborda temas como a história da bebida, os tipos de vinho e vinificação, técnicas de degustação, compra com base nas indicações do rótulo, serviço, tipos de taça e harmonização com comida. Clique aqui e saiba mais.

domingo, 6 de novembro de 2011

Bons Vino Nobile em uma noite toscana surpreendente


Ontem, bebi 5 diferentes Vino Nobile di Montepulciano e achei interessante como a qualidade deles era quase que inversamente proporcional ao preço. A degustação aconteceu na casa de um casal de amigos, que nos recepcionou com um ótimo menu "à toscana". O prato principa, um Pici al Ragu di Filetto, estava excelente! Filé cortado na ponta da faca em um molho de tomates delicioso, que banhava a típica massa toscana, semelhante ao bucatini.

Mas voltemos aos vinhos. Começando pelo mais fraco, o Redi 2004, oferecido pelos donos da casa (explicada a bajulação do primeiro parágrafo). Foi trazido na mala, e a expectativa era grande pela "exclusividade" do rótulo. Custou 25 euros (seria uns R$ 200 no Brasil?). Frutado do nariz, com toque vegetal. Na boca, um pouco magro e curto, com acidez a desejar.

A decepção, para mim, foi o Dei 2006, que custou R$ 118 e f
icou em penúltimo lugar. Muita fruta fresca, em especial cereja. Na boca, caramelo, taninos jovens e boa acidez. Corpo magro e pouco persistente. Não promete muito. Já na terceira posição, o Avignonesi 2005, a R$ 156. Um pouco fechado, com um toquezinho floral. Tânico demais na boca, deixando uma secura "chata". No entanto, boa acidez e talvez um dos que melhor evoluirão. Certamente foi bebido cedo demais.

Em segundo lugar, o excelente e típico Poliziano 2006, tecnicamente empatado com o primeiro. Nariz bastante complexo, com floral, fruta madura, terra, cogumelos, um pouco de baunilha e um discreto químico. Este custou R$ 135. Já o melhor, mais complexo e surpreendente foi o La Braccesca 2004, que custou R$ 95. Muito intenso na cor, nariz rico em frutas passificadas, couro e ervas. Ótimo corpo e boa persistência. Um vinho acima da média, suculento, quase um Brunello. Aliás, talvez melhor do
que alguns deles. Excelente compra!

Em tempo: Aproveito para fazer uma menção honrosa ao Vernaccia di San Gimignano Riserva do Palagetto, oferecido pelo casal de amigos, que abriu os trabalhos. Belíssimo vinho! 

domingo, 29 de maio de 2011

Copa do Mundo dos Vinhos 2011

Ontem à noite, o restaurante Rosmarino foi palco de uma competição fantástica. Batizada de Copa do Mundo dos Vinhos 2011, o evento reuniu 10 pessoas para um embate entre gigantes: Chateau Margaux 2001, Vega Sicilia Único 1999, Sassicaia 2005, Opus One 2006 e Almaviva 2006.

Na verdade, foi uma grande brincadeira entre amigos que viajaram e trouxeram na mala esses vinhos com o objetivo de comparar ícones do mundo. Os trabalhos foram abertos com o Franciacorta Cá del Bosco e com o Champanhe Tattinger. Nessa disputa, houve empate. Eu, particularmente, preferi o Champanhe, que me pareceu mais "redondo". Mas a briga foi equilibradíssima.

O interessante desse painel é que, a exceção do Vega Sicilia, todos os demais seguem a linha bordalesa, sendo elaborados por "inspiração" dos grandes vinhos de Bordeaux, entre eles o próprio Chateau Margaux. De certa forma, o confronto era quase entre o "original" francês e os que tentam sê-lo. A cabernet sauvignon foi a grande estrela da noite e se destacou em todos os vinhos - exceto no espanhol, que é praticamente um varietal tempranillo, com apenas 15% a 20% de cabernet sauvignon e merlot.

O resultado final foi praticamente uma repetição do "Julgamento de Paris", com o californiano em primeiro e o bordalês em segundo. Ambos seguidos de perto pelo espanhol, pelo italiano e, em último (para o grupo), pelo chileno, que, para mim, ficou praticamente empatado com o Margaux na segunda posição.

O fato é que o Opus One é um baita vinho, daqueles inesquecíveis. Eu o identifiquei na hora, assim como o Chateau Margaux, ambos muito característicos das suas regiões. São dois gigantes, mas desta vez o americano ficou na frente, por toda a sua estrutura, seu equilíbrio e um corpo surpreendente, quase mastigável. Apesar de ainda jovem, estava perfeitamente bebível, como deve ser um vinho mais moderno mesmo na juventude.

Cor rubi intenso, sem nada que sinalize evolução. Nariz com tostado, um toque de coco queimado bem sutil. Muita fruta madura e especiarias são marcantes nesse vinho. Na boca, boa acidez, taninos presentes, mas macios. Excelente corpo e persistência quase infinita. Final de boca "caramelado". Simplesmente fantástico! Dei 94 pontos, contra 93,5 do segundo colocado. Mas poderia ser mais.

As "decepções" da noite - se é que vinhos acima de 90 pontos podem decepcionar -, foram o Sassicaia e o Vega Sicilia. O primeiro porque não tinha a mesma expressão dos demais. Era muito redondo, mas um "tom" abaixo dos campeões no que se refere a estrutura, corpo e persistência. Já o Vega Sicilia me decepcionou porque não se mostrou "típico". Bebi esse vinho recentemente e bebo quase que semanalmente Ribera del Duero. No entanto, desta vez, aromas meio diferentes, de borracha e chocolate amargo, não deixaram o vinho expressar as nuances da boa madeira e da evolução desse ícone espanhol. Ainda sim mereceu 90 pontos.

Nessa Copa do Mundo dos Vinhos, os EUA levaram a taça, deixando para trás franceses, italianos, chilenos e espanhois.

domingo, 15 de maio de 2011

Vinhos de Castilla-La Mancha são destaque nesta terça-feira

A Sbav segue a tradição de levar aos seus associados e amigos eventos diferenciados e, na próxima terça-feira, 17 de maio, realiza mais um evento imperdivel!

Desta vez, em parceria com o Ipex – Instituto de Promocion Exterior de Castilla-La Mancha, apresentará 10 vinhos de diferentes produtores dessa região, alguns dos quais ainda não comercializados no Brasil.

Castilla-La Mancha é a região com a maior produção de vinhos no mundo, com mais de 20 variedades de uvas e 9 Denominación de Origen (Almansa, Jumilla, La Mancha, Manchuela, Méntrida, Mondéjar, Ribera del Júcar, Uclés, Valdepeñas), 7 Denominación de Pago (Dehesa del Carrizal, Dominio de Valdepusa, Finca Élez, Campo de la Guardia, Casa del Blanco, Florentino e Pago Guijoso) e 1 Indicación Geográfica (Vinos de la Tierra de Castilla). Faz fronteira com Andaluzia, Aragão, Extremadura, Valência e Madrid, o que já dá uma idéia da diversidade de terroirs e estilos de vinhos que se encontram por lá.

Os vinhos da Castilla-La Mancha são reconhecidos pela boa relação entre custo e benefício e, nesse evento que a Sbav promove no restaurante Limonn, os participantes poderão conhecer alguns bons rótulos.

Mais informações: sbavsp.blogspot.com/2011/05/ipex-traz-vinhos-de-castilla-la-mancha.html

sábado, 16 de abril de 2011

Sbav promove noite francesa no Lola Bistrot

Como parte do processo de reinvenção da Sbav-SP, a associação promoverá mais um evento diferenciado na próxima terça-feira, 19 de abril. Desta vez, a novidade é um jantar harmonizado no Lola Bistrot, com vinhos franceses selecionados pelo sommelier Guilherme Corrêa, que dispensa apresentações.

O jantar incluirá um menu completo e será conduzido pelo time de degustadores da Sbav, ao valor de R$ 90 para sócios e amigos e R$ 120 para o público em geral.

Conheça os detalhes do evento no Blog da Sbav: http://sbavsp.blogspot.com/2011/04/jantar-harmonizado-com-franceses-da.html

sábado, 9 de abril de 2011

Amigos do vinho terão noite argentina nesta terça

Nesta terça-feira, 12 de abril, os associados e amigos da Sbav participarão de um evento enogastronômico de inspiração argentina. Na ocasião, a associação promoverá, em parceria com a importadora Cantu, uma apresentação dos bons vinhos da Dominio de Plata, mais conhecida pela marca forte da sua proprietária, a enóloga Susana Balbo.

Conheço poucos rótulos dessa vinícola, mas o suficiente para afirmar que a senhora Balbo sabe o que faz. O Crios, básico dela, é um dos melhores exemplares argentinos na sua faixa de preço à venda no Brasil. Estou curioso para conhecer os tops da casa, que, acompanhados da boa carne servida no La Caballeriza, certamente garantirão uma noite de ótima enogastronomia.

Ainda há vagas para essa degustação, porém, são poucas. Mais informações no blog da Sbav: http://sbavsp.blogspot.com/2011/04/sbav-e-cantu-apresentam-vinhos-susana.html?spref=fb

quarta-feira, 30 de março de 2011

Espumantes nacionais tops farão embate na Sbav

Taí uma degustação que eu não perco! Será na terça-feira que vem, 5 de abril, às 20h, em local a ser definido. O painel contará com pelo menos 6 exemplares do que o Brasil produz de melhor em termos de vinhos espumantes.

O confrade Erick Scoralick, responsável pelas degustações na Sbav, foi pessoalmente até os produtores no Rio Grande do Sul e, neste momento, está selecionando as garrafas para essa degustação imperdível.

Em breve a Sbav divulgará os detalhes. Mas quem quiser já pode marcar na agenda ou mesmo solicitar pré-reserva pelo e-mail vinho@sbavsp.com.br.

domingo, 20 de fevereiro de 2011

Sauvignon blanc para o verão

Se tem uma uva fácil de beber neste calor, esta uva se chama sauvignon blanc. No Brasil, temos centenas de opções até R$ 100. Esta semana participei de uma degustação bacana em uma das minhas confrarias, a Wine St, e bebi coisas interessantes.

Sobre o Nautilus, o segundo colocado, sou suspeito, pois é o primeiro sauvignon blanc do Novo Mundo a me agradar. Este é neozelandês. Foi o meu primeiro colocado. E o Cipreses, chileno da Casa Marin, é o top da América do Sul que não falta em minha adega. Meio caro, mas vale.

Aproveito para indicar não apenas os vinhos do painel, mas um que não falta na minha adega e que custa a metade (ou menos) do preço dos vinhos desta degustação. Estou falando do Errazuriz Reserva, que sai por menos de R$ 40 na Vinci. Vale cada centavo! No Ráscal, onde o bebi pela primeira vez, custa R$ 60. Bom preço. Por isso volto lá sempre. E algumas vezes com meus vinhos, pois eles não cobram a rolha.


Ficam as dicas.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Maratona de Amarone

Nos últimos meses, participei de excelentes degustações de um tipo de vinho que adoro: o Amarone della Valpolicella, do Vêneto. Em todas as oportunidades, os rótulos foram cuidadosamente selecionados, para termos painéis de relevância - uma das degustações, inclusive, foi com tops de verdade, incluindo produtores como Quintarelli e Romano dal Forno.

Não vou gastar tempo comentando os eventos, pois o importante foi a oportunidade de ter provado excelentes vinhos, alguns deles fantásticos, por isso me limitarei a dizer o que bebi e destacar o que for relevante. Como bebi vinhos repetidos, mas de safras diferentes, não incluirei as safras. Colocarei o vinho e a média das notas, de forma que esse ranking expresse minha preferências no mundo dos Amarone atualmente.

Vale destacar que as safras eram de 2001 a 2004, salvo uma ou outra exceção, como um Bertani de 1968.


No geral, tive poucas decepções com os rótulos abaixo. Talvez a maior delas tenha sido o Dal Forno Romano, pois imaginava ser algo do outro mundo pela fama que tem e pelo preço. É um ótimo Amarone, quase "mastigável", mas é carregado de madeira, aparentemente americana, o que descaracteriza, para mim, o "Amarone ideal" - gosto dos que mostram mais fruta passificada e menos maquiagem. Nessa linha, achei o Quintarelli muito superior, quase o "Amarone perfeito". O detalhe é que o Valpolicella do Dal Forno é um super vinho, daqueles para beber ajoelhado, que bate facilmente qualquer Ripasso disponível no mercado.

Saindo dos "super tops", descobri 3 rótulos que, ao lado do Villa Rizzardi - meu "Amarone do coração" -, não poderão mais faltar em minha adega. São eles o Campo Casalin e o Bussola (mais tradicionais) e o Bosan (modernoso, mas bem feito e sem exageros).

Desse painel, faltaram exemplares do Zenato e do Alegrini, que assim que provados comporão a lista - bebi ambos há mais de 2 anos e não dei nota a eles na época.

Vinhos e notas

1º Giuseppe Quintarelli                  93
2º Campo Casalin I Castei              92,5
3º Dal Forno Romano                      92
4º Tomaso Bussola Vigneto Alto      91,5
5º Guerrieri Rizzardi Villa Rizzardi   91,5
6º Tedeschi                                    90,5
7º Cesari Bosan                              90
8º Stefano Accordini Acinatico        89,5
9º Masi Costasera Riserva              88,5
10º Villa Erbice Vigneto Tremenel    88,5
11º Cesari                                      88,5
12º Masi Costasera                         88,5
13º Bertani Villa Arvedi                   88,5
14º Tommasi                                  88,5
15º Masi Mazzano                           88
16º Brigaldara                                 87,5

domingo, 27 de junho de 2010

Ripasso: um Valpolicella turbinado

Semana passada, reuni a confraria Sereníssima na minha casa para uma degustação muito interessante, na qual colocamos lado a lado oito exemplares de Valpolicella. Mas não eram Valpolicella "comuns", simples, daqueles que encontramos nas gôndolas dos supermercados a preços convidativos. O painel reuniu rótulos do que eu chamo de "Valpolicella turbinado", produzido pelo método ripasso, que confere mais estrutura e complexidade ao vinho. Estes custam, no Brasil, entre R$ 80 e R$ 120, o que já indica algum diferencial. Antes de comentar o painel, vou gastar algumas linhas para falar sobre o tipo de vinho que degustamos.

Valpolicella é uma região localizada no Vêneto, que, por sua vez, integra a chamada Tre Venezie. Trata-se de uma das principais regiões produtoras de vinhos na Itália em termos de volume, possivelmente a que mais produz no norte do país. Apesar de liderar pela quantidade, o Vêneto e, em particular, Valpolicella, não oferece, proporcionalmente, grande volume de vinhos de ótima qualidade.

Os vinhos de Valpolicella são elaborados essencialmente com as uvas tintas corvina, rondinella e molinara, mas podem levar outras cepas locais, como a negrara. Existem basicamente seis categorias de Valpolicella, que divido em dois grupos: o básico, jovem e bastante simples, produzido em qualquer parte da denominação; o Valpolicella Classico, um pouco melhor, produzido na região original da denominação; o Valpolicella Classico Superiore, este sim bem melhor, pois além de ser elaborado na melhor região, com as melhores uvas, ainda é envelhecido antes de ir ao mercado; e o Valpolicella ripasso, na minha opinião acima dos demais em termos de complexidade e muitas vezes também suerior em qualidade.

O segundo grupo compreende outros dois tipos de Valpolicella que são, para mim, tão mais complexos e distantes dos anteriores em termos de qualidade que prefiro colocá-los em um parágrafo diferente: o Amarone, um belíssimo vinho elaborado com as uvas semi-passificadas, o que torna a bebida mais alcoólica, mas também muito mais complexa e estruturada; e o Recioto, a versão doce do Amarone, que possui uma quantidade maior de açúcar em consequência da interrupção do processo de fermentação.

A degustação
O foco da degustação foram os Valpolicella ripasso, que ganham complexidade por receberem uma parcela do "bagaço" das uvas do Amarone durante o processo de fermentação. É por receber esse "upgrade" que chamo este tipo de vinho de "turbinado". Em termos de aroma e sabor, são vinhos mais próximos do Amarone do que do Valplicella Classico Superiore. No entanto, se distanciam dos que eu considero os "tops" da região quando avaliamos corpo e persistência. Mas a experiência da semana passada quebrou um pouco essas "regras" mentalmente estabelecidas por mim.

Dois oito vinhos degustados, falarei sobre aqueles que me chamaram a atenção, pois meu objetivo não é ficar fazendo nota de degustação - não tenho muita paciência para isso. A seguir, os detaques da noite, em três estilos totalmente diferentes. O primeiro é praticamente um Amarone "contemporâneo"; o segundo, modernoso, amadeirado, ao melhor estilo "novomundista"; e o terceiro, o mais tradicional de todos, marcado pelos aromas e sabores de uva passa.

1º) Dal Forno Romano Valpolicella Classico Superiore 1998
Esta foi a primeira grande quebra de paradigma para mim. Pela primeira vez bebi um Valpolicella que, mesmo não sendo ripasso ou Amarone, me agradou muito. Na verdade, mais do que isso. Esse vinho me surpreendeu muito, pois era praticamente um Amarone, superando todos os demais no painel. Dei a ele 90 pontos, conquistados pela sua estrutura e intensidade, com aromas de uva passificada, além de frutas vermelhas em geral. Na boca, ótimo corpo, acidez e um pouco de adstringência, o que me fez concluir que esse vinho ainda iria longe. No rórulo, há a informação de que parte das uvas é semi-passificada, mas não fica claro se se trata do uso de "repassagem" com as uvas do Amarone ou se realmente há uma primeira fermentação com uvas semi-passificadas. Enfim, o que importa é que se trata de um vinho extraordinário - pena que custe uma pequena fortuna na importadora Cellar, que traz o Romano dal Forno para o Brasil.

2º) Bosan Ripasso 2006
Entre os ripasso "mortais", este é, para mim, o melhor de todos. Não apenas deste painel, mas o melhor entre todos os ripasso que já bebi. Trata-se de um vinho intenso na cor, nos aromas e no sabor, podendo até ser confundido com Amarone menos encorpados e alcoólicos. Tem um estilo mais modernoso, menos "vinoso" e mais amanteigado, com toque de madeira perfeitamente equilibrado com os aromas frutados, que são a marca deste tipo de vinho. Na boca, o tostado e a fruta aparecem novamente, boa acidez, de médio a bom corpo e boa persistência. Dei 89,5 pontos a este vinho, que realmente me encantou pelo equilíbrio e por ser delicioso, no nariz e na boca.

3º) G. Poggi Ripasso Il Moretto
Gostei bastante deste vinho, pois remete ao estilão mais tradicional do Amarone, com bastante uva passa e, neste exemplar, um toque marcante de própolis. Trata-se de um vinho com média a boa acidez, taninos mansos, bom corpo e média a longa persistência. Dei a ele 89 pontos, pois é muito agradável e emociona quem gostava dos Amarone produzidos até a década de 90.

As decepções da noite, para mim, ficaram por conta dos ripasso do Guerrieri-Rizzardi (Pojega), que é um dos meus produtores favoritos de Amarone, mas que levou apenas 86,5 pontos; e do tradicionalíssimo Masi (Brolo di Campofiorin), que amargou a 7ª posição, com 86 pontos, à frente apenas do ripasso do Tedeschi (Capitel San Rocco) - este último estava visivelmente problemático e comprometido, por isso prefiro não avaliar. O vinho do Zenato (Ripassa) ficou com 86,5 pontos e do Alegrini (Corte Giara), com os mesmos 86 pontos do Masi.

segunda-feira, 21 de junho de 2010

Supertoscanos de verdade - Parte II

Conforme prometido, volto aqui com as minhas impressões da segunda degustação de "ultra-supertoscanos", realizada na quinta-feira da semana passada, 17 de junho, no cada vez melhor Rosmarino. Desta vez, foram 8 grandes vinhos, metade deles de Bolgheri, o berço dos supertoscanos. E, para variar, foi desta região que saiu o grande campeão da noite, na minha opinião disparado o melhor, com 94 pontos. Os detalhes dessa degustação estão no Blog Wine St.

Estes foram os vinhos degustados, na ordem de classificação para mim: Guado al Tasso 2004 (Marchesi Antinori/Bolgheri - 94 pontos), Grattamacco 2006 (Colle Massari/Bolgheri - 91,5 pontos), Solaia 2002 (Marchesi Antinori/Chianti Classico - 91 pontos), Sammarco 1999 (Castello dei Rampolla/Panzano in Chianti - 90,5 pontos), Ornellaia 2006 (Tenuta D'Ornellaia/Bolgheri - 90 pontos), Saffredi 2001 (Fattoria Le Pupille/Maremma - 90 pontos), Sassicaia 2006 (Tenuta San Guido/Bolgheri - 90 pontos) e Castello del Terriccio 2000 (Castello del Terriccio/Maremma - 89,5 pontos).

Antes de comentar os vinhos que mais me chamaram a atenção, destaco o desempenho do Solaia, que havia sido meu melhor na primeira degustação de supertoscanos, mas que caiu um pouco de qualidade na safra 2002. Nesse ano, em razão das chuvas, as uvas foram prejudicadas, em especial a sangiovese, que sequer entrou no corte tradicional por falta de qualidade. Mesmo assim o Solaia pegou medalha de bronze, para mim - na somatória das notas dos demais confrades, no entanto, amargou a 8ª posição.

Sobre os cortes, vale citar que apenas 2 dos 8 exemplares levavam sangiovese: Sammarco e Grattamacco. Mesmo assim em baixíssima proporção. A predominância dos exemplares era de cabernet sauvignon e merlot, tendo alguns rótulos cabernet franc e syrah - entre eles o Guado al Tasso, que comento a seguir.

As estrelas da noite

Guado al Tasso
Este foi a nota altíssima da noite (94 pontos, com louvor). Que vinho! De uma cor rubi intenso, ainda jovem, deixou no nariz baunilha, tabaco e um toque herbáceo - lembrou grama cortada. Evoluiu muito na taça, abrindo para alcatrão e um toquezinho delicioso de chá verde. Na boca, os taninos, ainda jovens, "pegaram" um pouco. Muito café e tostado, além de fruta madura, deixaram saudades. Ótimo corpo e ótima persistência. É um dos melhores vinhos que já bebi, sem dúvida.

Grattamacco
Também denso na cor, passou para o nariz explodindo caramelo. Impressionante! Aromas de fruta doce, com toque de madeira, leve herbáceo e até um mineralzinho. Na boca, taninos um pouco mais redondos do que o Guado, frutas vermelhas, em especial cereja, bom corpo e boa persistência. Outra maravilha da Toscana!

Apesar de não ter sido uma "estrela" para mim, não posso deixar de citar o "mítico" Sassicaia, que mais uma vez ficou no pelotão intermediário, o que me faz acreditar que ele tem mais fama do que real diferencial em relação aos demais "tops" da Toscana. Já para os demais confrades da Wine St ele foi o segundo melhor. Destaco os aromas de chocolate, caramelo e lácteo desse vinho. Depois abriu para fruta madura e um toque floral bastante interessante. Na boca, frutado, taninos "pegando", bom corpo e média pesistência.

Como disse um dos confrades ao final da degustação, o duro é ter de ir para casa e voltar a beber os vinhos "normais" depois de conhecer essas maravilhas.

sábado, 12 de junho de 2010

Supertoscanos de verdade - Parte I

Ontem, participei de uma belíssima degustação, cujo tema é recorrente em minhas confrarias e rodas de amigos enófilos: prova às cegas de supertoscanos. A diferença é que, desta vez, estou falando de supertoscanos de verdade, nascidos em Bolgheri e que deram a fama a esse tipo de vinho, produzidos com boa parcela ou completamente a partir de uvas "bordalesas".

O destaque do painel foi o Solaia, que justificou o fato de ser o vinho mais caro. Já a decepção ficou por conta do Tignanello, um IGT de boa qualidade, mas igual a muitos outros que custam a metade do preço.

A seguir, comentarei brevemente cada um dos vinhos degustados:

1º Solaia 2006 (Antinori)
Produzido a partir das castas cabernet sauvignon, sangiovese e cabernet franc, este foi disparado o melhor vinho da noite, na minha opinião. Dei a ele 94 pontos, mas poderia ser até um pouco mais. De cor muito intensa, no nariz apresentava bastante fruta, erva e um toquezinho de pinho. Mas esse vinho evoluiu muito na taça, se desdobrando em aromas "tostados" e até um floralzinho. No final da taça, bastante chocolate e um pouco de couro. Na boca, os taninos ainda bastante presentes. Fruta madura e chocolate, além do tostado, enchiam a boca e persistiam por quase um minuto após o gole. Vinho fantástico, certamente o melhor toscano que já bebi.

2º Bolgheri Ruit Hora 2004 (Caccia al Piano)
Este vinho me surpreende mais a cada garrafa que eu abro. Sempre muito intenso e agradável, com ótimo corpo e muita persistência, acaba saindo barato pelos R$ 280 que custa - na verdade, que custava, pois não se encontra mais no Brasil após o fechamento da importadora Ars Vivendi. Produzido a partir das uvas merlot, cabernet sauvignon e syrah, este vinho, de cor intensa, também traz frutas vermelhas, com toque de cereja muito legal, se desdobrando em baunilha e aromas terciários. É vinho para 92 pontos fácil.

3º Sassicaia 2006 (Tenuta San Guido)
Outro grande vinho, que destoa da rusticidade de outros IGTs apenas ditos supertoscanos. A cor segue o padrão dos demais, porém, no nariz este trouxe de cara toques de rapadura, chocolate e caramelo, muito bem integrados à fruta vermelha. Ervas também eram percebidas. Na boca, o álcool atacou um pouco, assim como os taninos ainda jovens demais. Acrescentei, em minhas anotações, um toque mineral na boca. Bom corpo, mas menos persistente do que o Ruit Hora, o que me fez tirar 1 pontinho em relação a ele. Dei 91 pontos para este belo vinho.

4º Tignanello 2006 (Antinori)
Elaborado a partir da sangiovese, cabernet sauvignon e cabernet franc, este vinho foi a nota fraca da noite. Claramente abaixo dos demais em termos de qualidade, apesar do seu preço elevado (R$ 368). Esta é a segunda degustação em que o Tignanello apanha dos demais do painel, mesmo contra exemplares menos caros, como o Ruit Hora, que é, para mim, um vinho bem superior. O visual seguiu o padrão, com rubi intenso. No nariz, madeira e mineral era o que se sentia, pois o vinho parecia fechado. Na boca, um vinho agradáve, apesar de os taninos ainda pegarem. Médio corpo e média persistência me levaram a conferir nota 89 a este vinho.

Para o jantar, preparamos uma sopa romana (caldo de galinha com ovos, pão italiano, queijo parmesão e salsinha) e uma "lasanha toscana" (ragu de linguiça, abobrinha italiana e molho branco). A melhor harmonização foi com o Tignanello, talvez pela menor estrutura e intensidade de sabor.

Em tempo: Semana que vem terei a oportunidade de participar de mais uma degustação de "Supertoscanos" (com letra maiúscula), dessa vez por outra confraria, a Wine St.. Um dos destaques será, além dos vinhos deste painel, o mítico Ornellaia. Volto a comentar sobre supertoscanos nos próximos dias.

domingo, 31 de maio de 2009

Os espumantes nacionais da vez

Na última sexta-feira, 29 de maio, tive a oportunidade de participar do VI Encontro dos Espumantes Brasileiros, promovido pela Sbav de São Paulo, e mais uma vez saí de lá com uma listinha de bons espumantes para ter em casa nos próximos meses.

Destaco aqui os que me surpreenderam e que recomendo provar - alguns velhos conhecidos, outros gratas surpresas:

  • Gheller Brut Champenoise (Gheller)
  • Don Giovanni Brut Champenoise (Don Giovanni)
  • Cave Geisse Brut Champenoise (Cave Amadeu)
  • Fabian Brut Champenoise (Fabian)
  • Chandon Brut Rosé Charmat (Chandon)
  • Casa Valduga Gran Reserva Brut Champenoise (Casa Valduga)
  • Marson Brut Charmat (Marson)
  • Milantino Brut Campenoise (Milantino)
  • Miolo Millésime Brut Champenoise (Miolo)
Estes bons espumantes podem ser encontrados em lojas especializadas em vinhos, inclusive na internet. Recomendo contatar as vinícolas para conhecer os distribuidores na sua cidade.