Neste sábado, estive no Ecully, restaurante aberto em janeiro no bairro de Perdizes. Me surpreendi por nunca ter ouvido falar do lugar, que fica perto da minha casa e tem uma proposta bastante alinhada com o que costumo buscar em restaurantes. Para começar, não cobra taxa de rolha, o que é um grande diferencial para quem tem adega em casa e quer abrir seus vinhos comendo bem. Além disso, tem uma ótima carta de vinhos, feita pela Grand Cru, com rótulos a preços da importadora - precisa apenas comprar taças de cristal, mais condizentes com a proposta do lugar. O ponto alto é o ambiente, iluminado e aberto, perfeito para um almoço no final de semana.
A casa é tocada por dois jovens chefs formados no Brasil e que fizeram especialização na escola do Paul Bocuse, em Écully, cidade francesa que dá nome ao restaurante. A proposta é oferecer alta gastronomia contemporânea, misturando as cozinhas de diferentes países. O menu não é extenso, mas é variado e muito criativo. Na ocasião, provei como entrada a brusqueta de berinjela e as croquetes de funghi, opções que recomendo, pois estavam excelentes. Já nos pratos principais dei menos sorte. A barriga de porco, apesar de saborosa e visualmente muito bonita (foto), tinha muita gordura e pouca carne. O arroz de pato também pecou pela falta de carne e excesso de aceto balsâmico reduzido, que deveria dar um toque adocicado, mas acabou se sobrepondo ao sabor da carne.
O serviço foi muito atencioso e simpático, apesar de um pouco confuso em alguns momentos. Nada que atrapalhasse a experiência, mas é algo que, assim como a execução de alguns pratos, precisa melhorar para que o lugar ocupe espaço no seleto grupo dos ótimos restaurantes da cidade. Os preços são atrativos, é possível comer bem sem gastar uma fortuna. A opção de levar o vinho também ajuda nesse quesito. Voltarei em breve para provar outros pratos.
Ecully: Rua Cotoxó, 493/Fone: 3853-3933/Site: www.ecully.com.br
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domingo, 29 de setembro de 2013
sexta-feira, 2 de novembro de 2012
Um oásis da boa gastronomia italiana em Perdizes
Circulando pelo “lado novo” de Perdizes, entre sobrados e novos edifícios residenciais, que se multiplicam na região,
avistei uma casa com fachada em forma de arco, remetendo ao que seria uma construção
clássica italiana, que me chamou a atenção. Logo atrás, no quintal, mesinhas
com toalhas xadrezas, típicas de cantinas italianas, que me fizeram concluir
tratar-se de mais um restaurante que tenta a sorte nas Perdizes.Passei por ali diversas vezes antes de tomar coragem e arriscar. Foi num final de semana, talvez um domingo, um daqueles dias em que eu pego o carro e saio meio sem destino, antes de decidir onde almoçar. Por falta de opções, pressão da Alice e curiosidade, resolvi finalmente conhecer o lugar, o Vecchio Cappelletti, localizado na rua Bartira, 1.242 (fone: 3675-7073).
Foi uma das mais interessantes descobertas que fiz
recentemente, pois o restaurante está localizado em um lugar “improvável” para
se achar coisas boas e, o melhor, pertinho da minha casa. Lugar pequeno, com
meia-dúzia de mesas no salão interno, bem arrumadinho, mas sem a menor
pretensão. Quase sempre vazio, pois ainda não foi divulgado – pelo que apurei
será “marqueteado” nas próximas semanas.
Confesso que minha primeira reação não foi boa, pois ao
abrir o menu me deparei com uma lista de vinhos medíocre e cara, que quase me
fez levantar e sair. Mesmo contrariado fique, pois o trabalho para levantar
acampamento com 2 crianças reclamando de fome não seria nada simples. Reclamei
um pouco, pois detesto beber cerveja em restaurantes italianos, mas não tive
escolha. Dei por perdido o passeio enogastronômico e me conformei que estava
ali para matar a fome apenas.
Passada a fase dos resmungos, olhei as opções de pratos da
casa e percebi que ali tiveram bem mais cuidado do que na relação de vinhos.
Boas e variadas alternativas de antepastos, saladas, caldos, massas, peixes e
carnes. Nada a ver com aqueles cardápios insanos de cantinas que exageram na quantidade
e pecam na qualidade. Ali as opções eram variadas, mas limitadas ao viável para
um restaurante daquele porte.
Chega a ser injusto indicar o que pedir no Vecchio
Cappelletti, pois nas três vezes que estive lá só tive excelentes experiências.
Mas vou dizer o que mais me marcou. Para começar, a bruscheta de tomate e o
crostini ao pesto, verdadeiramente especiais, saborosos, muito bem feitos. Para
o prato principal, até agora fiquei nas massas, feitas de forma caseira, o que
diferencia esse restaurante da grande maioria dos italianos que encontramos por
aí. Massas muito caprichadas, saborosas, servidas sempre ao dente.
Recomendo o Girasole gratinada com molho branco, uma espécie
de reviole recheado com mussarela de búfala. Muito diferente e saborosa. Outra
excelente pedida é o Penne ao pesto. Arrisco dizer que é um dos melhores pesto
que já provei. Muito bom mesmo! Outra escolha que não tem erro é o Strapatti,
uma espécie de massa de lasanha, só que um pouco mais fina, que sai do cilindro
e é “rasgada” a mão, em pedaços desuniformes, servida com manteiga, manjericão
e parmesão. Uma simplicidade deliciosa, que remete aos verdadeiros restaurantes
familiares italianos. O atendimento é muito atencioso, com bons e simpáticos garçons.
Pelo que me informei, o Vecchio Cappelletti foi aberto há
poucos meses por sócios que não são do ramo, mas que gostam de boa gastronomia.
Um deles está sempre na casa e na minha última visita o vi preparando
pessoalmente os pratos. Lembra uma trattoria familiar mesmo, apesar de não ser.
Com relação aos vinhos, resolvi o problema levando o meu e
pagando os R$ 30 da taxa de rolha. Vale muito a pena! Sobre preço, não é
barato. Cada prato custa entre R$ 35 e R$ 40, na média, sendo que as opções
para duas pessoas giram em torno de R$ 60 a R$ 70. Mas vale cada centavo e
recomendo a visita. Nas próximas semanas retornarei para explorar saladas,
carnes, peixes e sobremesas.
domingo, 15 de julho de 2012
Comida cantineira com preço de alta gastronomia
Há mais de uma década, quando eu ainda era solteiro, meu passeio preferido era ir a cantinas italianas com música ao vivo, vinho da casa, pão e azeite à vontade e porções "familiares". Gostava desse tipo de programa porque reunia algumas das minhas paixões: música italiana, massa e vinho. Fora o clima de descontração e os preços viáveis para quem queria repetir a dose toda semana.Nessa época eu batia ponto em cantinas como Famiglia Mancini, Lellis, Vico d'Scugnizzo, La Bella Cucina (fechado), Cantina 1020, Belvedere Gran Roma e Roperto. Em algumas delas tinha lugar cativo, era amigo dos músicos, tinha até foto na parede. Eu era mais "flexível" e não me importava tanto com massas "carregadas" e vinhos simplórios. O ambiente e o conjunto da coisa me agradavam bastante. E, no final da noite, vinha aquela conta que eu conseguia pagar com minha bolsa de estagiário.
Mas infelizmente foi-se o tempo em que ir a uma cantina italiana era alternativa para comer fartamente pagando pouco. Ontem decidi reviver os saudosos tempos, desta vez com a família. Bem, para falar a verdade fiz algumas "adaptações", entre elas levar meu próprio vinho, pois aqueles que bebia anos atrás talvez não me agradassem tanto. Escolhi um velho conhecido, o Lellis da Bela Cintra, um dos que ia semanalmente nos idos de 1990/2000.
A minha primeira surpresa foi dar de cara com uma bela adega climatizada, repleta de rótulos - não apenas argentinos e chilenos baratos, como no passado -, alguns deles com preços bastante atrativos. Mas abri o que levei mesmo, pois a ideia era não gastar muito. As surpresas desagradáveis vieram com os pratos e terminaram na conta. Dispensei o couvert e me servi na mesa de frios, que estavam bem abaixo do que eu chamo de bom e me custaram quase R$ 40. Pedi um único prato para a família, mas a porção encolheu em relação ao que era no passado e mal deu para o casal - já o preço disparou assustadoramente: uma porção de 4 rondeles a R$ 98 é algo inimaginável em uma cantina anos atrás.
O resumo da ópera é que comemos bem "mais ou menos", bebi meu próprio vinho (R$ 30 de taxa de rolha) e paguei R$ 200 na conta! Considerando que basicamente comi uma porção de frios e um prato de massa, me parece bastante exagerado e bem distante do que era uma cantina italiana nos tempos em que a simplicidade e os bons preços eram os grandes diferencias.
No caso do Lellis, sofisticaram na adega e na redução da porção, mas não investiram na qualidade do atendimento e na comida, que só decaíram. Piorou e ficou mais caro. É um lugar no qual dificilmente voltarei. Seguiu a linha da Famiglia Mancini, que também tem cobrado preços de alta gastronomia para servir massas molengas e nadando no molho - com a diferença de que, lá, as porções continuam generosas. Mas é outro lugar que não me atrai mais, fora as boas lembranças do passado.
Sei que ainda há cantinas mais "razoáveis" nos preços, que mantêm a simplicidade e a qualidade da cozinha caseira com a temática italiana. Mas é notório que comer fora em São Paulo está cada vez mais difícil. Pagar preço de alta gastronomia em uma cantina não dá. É o fim da linha. Se é para gastar R$ 200, vou a um bom restaurante, onde se come bem e o garçom não finge que não te vê enquanto você implora para ser atendido.
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terça-feira, 15 de novembro de 2011
Sujinho e durinho
Evito postar críticas a lugares que visito, pois acho mais útil e interessante gastar tempo e espaço no blog para dicas positivas. Porém, a decepção de hoje foi tamanha que resolvi registrar. Por incrível que possa parecer, eu ainda não conhecia o Sujinho, na Consolação, apesar das inúmeras recomendações de amigos e dos incontáveis elogios publicados pela imprensa. O fato é que nesta manhã fui comprar materiais de iluminação na Consolação e resolvi finalmente conhecer a famosa bisteca bovina do Sujinho. A expectativa era grande, do tamanho da própria bisteca.
Ao entrar no restaurante, tive a sensação de estar no também famoso Filé do Moraes da Alameda Santos. O estilão é bem parecido, um misto de restaurante mais simplório e tradicional, com garçons antigos vestindo aquele uniforme branco e antiquado. Enfim, nada de surpresa e tudo muito parecido com o que eu imaginava. Mas a bisteca...
Bom, assim que cheguei, peguei o cardápio apenas por desencargo de consciência, pois estava decidido a pedir o carro-chefe da casa. Para acompanhar, meia porção de fritas e meia de arroz carreteiro. Cerca de 15 minutos depois chega a bisteca, bela, suculenta e ao ponto, como eu imaginava. Saquei o garfo e a faca para iniciar o ataque, mas tais instrumentos se mostraram quase inúteis diante da rigidez da carne. Comecei de novo, cortando a partir da outra ponta, mas os "nervos de aço" estavam por toda a parte. Repeti o procedimento, na esperança de encontrar uma frente de batalha menos dura, mas foi em vão. Quando eu pensei em reclamar para o garçom, já havia picotado toda a bisteca.
Fiquei tentando encontrar explicações para o que acontecia. Seria a falta de hábito de comer bisteca? Não era o caso, pois esse é um tipo de carne que estou acostumado a comer e inclusive a preparar. Seria azar e eles erraram na minha vez? Isso pode ser... Mas, de qualquer modo, é imperdoável acontecer justo com o carro-chefe da casa. É como o Jardim di Napoli errar no Polpetone ou o Ponto Chic no Bauru.
Como essa bisteca é quase um mito, quis registrar aqui que comi e não gostei. Foi certamente a pior que provei nos últimos tempos, apesar de o sabor estar ok (nada de especial, mas agradável). O Sujinho definitivamente se sujou comigo.
sábado, 29 de outubro de 2011
Villa Cioé: gastronomia italiana de primeira e "rolha livre"
A minha mais recente descoberta é o Villa Cioé, mais um bom restaurante na Rua Tupi, em Higienópolis, este com foco na culinária da Toscana. Apresenta uma cozinha muito correta e caprichada, coisa rara de se encontrar em restaurantes sem "nariz empinado", sem estrelas e preços estratosféricos. Esse entrou na minha lista de ótimos restaurantes "viáveis", ou seja, nos quais eu possa ir sem que para isso haja uma data especial ou eu tenha de lavar a louça. Alto nível sem abusar na conta.O forte no Villa Cioé são as especialidades toscanas, como o delicioso Capelle de Finocchiona, uma massa recheada com o típico salame italiano com erva doce, ou finocchio, como esta hortaliça é chamada na Itália. É puxado em uma espécie de molho branco aromatizado com ervas e temperos. Delicioso!
Para a entrada, não dispenso os arancini, típicos bolinhos italianos preparados com "restos" de risoto. Na sequência, ainda para abrir o apetite (para quem tem pouca fome é possível parar por aqui), recomendo as polentinhas cremosas, servidas em panelinhas. São três opções: lula, cogumelos e parmesão com azeite trufado. Geralmente opto por esta última.
Para os amantes do vinho, a boa notícia é que, além de oferecer boa carta de vinhos e preços adequados, o restaurante permite que se leve a própria garrafa, sem cobrar taxa de rolha. Para mim, esse é um atrativo e tanto. A propósito, o serviço é muito bom também. Para quem tem confraria, recomendo realizar encontros por lá. Realizei um semana passada e está mais do que recomendado. Há 2 salas no andar superior que comportam até 10 pessoas cada. O serviço fica a cargo do competente Fernando e da turma atenciosa e discreta que trabalha na casa.
domingo, 11 de setembro de 2011
Culinária portuguesa em alta em São Paulo
Já mencionei aqui o Quinta de Santa Maria por conta da taxa de rolha adequada, mas não comentei sobre a qualidade da culinária deste ótimo restaurante português, injustamente ainda pouco falado e conhecido em São Paulo. Outros mais requintados acabam ganhando a cena, como A Bela Sintra, Antiquarius e Bacalhoeiro - todos excelentes, mas caríssimos e muitas vezes exagerados na sofisticação e no serviço. Não vou gastar muito tempo descrevendo o ambiente, o atendimento e o menu, pois o que vale é ir e conferir. Dou apenas a dica.O Quinta de Santa Maria está localizado longe dos holofotes da imprensa especializada, na Rua Cerro Corá, no Alto da Lapa. Trata-se de uma casa com decoração tipicamente portuguesa, com uma varanda muito gostosa na entrada, onde eu costumo ficar nos dias de sol. Ao lado do bar, está a dega, que tem uma grande variedade de rótulos, especialmente portugueses, a preços justos. Muitas vezes levo meu vinho e acabo deixando na sacola mesmo, especialmente pelas boas opções de vinhos verdes e brancos maduros, alguns de fabricação própria.
Do cardápio, já provei quase tudo. Mas geralmente fico nas alheiras e no bolinho de bacalhau de entrada, ambos fora de série. Para o prato principal, recomendo todos os de bacalhau, em especial o Gomes de Sá. O arroz de pato e as opções com cabrito também são fantástica. Na minha opinião, não fica devendo para os patrícios mais estrelados da cidade. Mais informações: www.quintadesantamaria.com.br/
Aproveito para mencionar o novo Tasca da Esquina, filial brasileira do homônimo lisboeta e que também surpreende pela qualidade do que oferece. A carta não é tão vasta, mas há coisas boas, também com ênfase em Portugal. Esse está localizado em ponto nobre, na Alameda Itu, e a conta já é um pouco mais salgada, como quase tudo naquela região. Mas vale a visita também. É uma ótima alternativa aos tradicionais e caros portugueses paulistanos. Mais informações: www.tascadaesquina.com.br/
sábado, 4 de junho de 2011
Simplicidade e tradição fazem uma boa pizza
Às vezes ficamos esperando encontrar lugares e vinhos fora de série para indicar e nos esquecemos de que, no dia-a-dia, também comemos e bebemos e queremos tirar o máximo dessas experiências, ainda que com certa simplicidade. Quando nos damos conta disso, a ficha cai e percebemos que não precisamos esperar conhecer uma grande surpresa para recomendar aos amigos.
Isso posto, indico hoje um lugar que vou sempre e que, mesmo em casa, consigo curtir pelo "delivery". Estou falando da Famiglia Lucco, na Lapa, que é a minha pizzaria oficial para o dia-a-dia e também para algumas ocasiões especiais. E são várias razões para isso.
A primeira é que o lugar, apesar de bonitinho e bem arrumado, não tem frescura. Não é restaurante da moda - tem bastante tempo de estrada - e mantém garçons que atuam e se vestem de forma tradicional - sem modeletes recepcionando na porta e moçadinha com lencinho na cabeça, jogando charme para todo lado e esquecendo o chope no balcão.
Mas o principal, claro, é a pizza. É daquelas bem tradicionais, sem frescura do "prefere massa fina, média, grossa, com borda recheada de catupiry", coisa de quem quer fazer da pizza um Big Mac italiano. Lá, a pizza é aquela que comíamos com nossos pais e avós, mas muito bem feita. Muito mesmo, qualquer uma que se peça vem com ingredientes de primeira e com a massa como deve ser: crocante e saborosa.
Outro diferencial importante é que a casa permite que você leve o vinho. Eu sempre levo os meus e sou muito bem recebido. Quando me vê com as garrafas, o prestativo e simpático Ferreira se apressa para pegar o balde de gelo e taças de boa qualidade. O serviço é impecável, mas sem ser pedante, e o jantar transcorre na maior tranquilidade e descontração, como deve ser em uma pizzaria. Nada de luz escura, decoração de bar da Vila Olímpia e sommelier fazendo charme para abrir a sua garrafa. O Ferreira manda brasa no saca-rolhas e te deixa à vontade para beber seu vinho.
Para quem mora na Lapa ou na Vila Leopoldina e está acostumado a gastar R$ 60 para comer uma boa pizza na Brascatta, na Ritto ou no Ráscal, fica a aqui uma alternativa interessante e bem mais em conta.
Isso posto, indico hoje um lugar que vou sempre e que, mesmo em casa, consigo curtir pelo "delivery". Estou falando da Famiglia Lucco, na Lapa, que é a minha pizzaria oficial para o dia-a-dia e também para algumas ocasiões especiais. E são várias razões para isso.
A primeira é que o lugar, apesar de bonitinho e bem arrumado, não tem frescura. Não é restaurante da moda - tem bastante tempo de estrada - e mantém garçons que atuam e se vestem de forma tradicional - sem modeletes recepcionando na porta e moçadinha com lencinho na cabeça, jogando charme para todo lado e esquecendo o chope no balcão.
Mas o principal, claro, é a pizza. É daquelas bem tradicionais, sem frescura do "prefere massa fina, média, grossa, com borda recheada de catupiry", coisa de quem quer fazer da pizza um Big Mac italiano. Lá, a pizza é aquela que comíamos com nossos pais e avós, mas muito bem feita. Muito mesmo, qualquer uma que se peça vem com ingredientes de primeira e com a massa como deve ser: crocante e saborosa.
Outro diferencial importante é que a casa permite que você leve o vinho. Eu sempre levo os meus e sou muito bem recebido. Quando me vê com as garrafas, o prestativo e simpático Ferreira se apressa para pegar o balde de gelo e taças de boa qualidade. O serviço é impecável, mas sem ser pedante, e o jantar transcorre na maior tranquilidade e descontração, como deve ser em uma pizzaria. Nada de luz escura, decoração de bar da Vila Olímpia e sommelier fazendo charme para abrir a sua garrafa. O Ferreira manda brasa no saca-rolhas e te deixa à vontade para beber seu vinho.
Para quem mora na Lapa ou na Vila Leopoldina e está acostumado a gastar R$ 60 para comer uma boa pizza na Brascatta, na Ritto ou no Ráscal, fica a aqui uma alternativa interessante e bem mais em conta.
sexta-feira, 27 de agosto de 2010
Restaurant Week: La Marie, imperdível!
Nos últimos dias, tive a oportunidade de jantar em dois restaurantes durante a "pré-semana" do Restaurant Week de São Paulo. Um deles é o sempre ótimo e tradicional La Vecchia Cucina, que dispensa comentários sobre a comida e sobre o serviço. Registro apenas, aqui, a questão da taxa de rolha, que é cobrada por pessoa (R$ 14), e não por garrafa. É um sistema bastante interessante para quem quer levar variedade de vinhos, inclusive em meia garrafa, para acompanhar cada um dos pratos, até a sobremesa.
A grande descoberta da semana, no entanto, foi o La Marie, na rua Francisco Leitão, quase esquina com a dos Pinheiros. Que grata surpresa! Fui com a expectativa de apenas conhecer um lugar novo, que cobra uma taxa de rolha bastante atrativa (R$ 20), e de comer de forma correta. Escolhi o restaurante pelo menu, que deveria agradar a mim e a minha esposa - ela tem restrições a quase todo tipo de carne, verduras e legumes... Marcamos com mais dois casais de amigos, cada um encarregado de levar um vinho para a harmonização.
As opções eram interessantes: entrada - salada romana com salmão defumado e vinagrete de limão siciliano; pratos principais - lagosta mediterrânea ou peito de marreco ao molho cabernet com repolho roxo e purê de maçã ou lasanha de legumes; sobremesa - mousse de maracujá doce. Todos os pratos, sem exceção, estavam verdadeiramente excelentes e surpreendentes! Imaginei que seria servido de pequenas porções, como alguns restaurantes fazem durante esse evento, mas não foi nada disso. A lagosta era inteira e o peito de marreco, ao melhor estilo "magret de canard", me enganaria facilmente, não fosse o tamanho avantajado da peça. Os acompanhamentos dos dois pratos principais estavam perfeitos e harmonizaram muito bem com os itens principais. Que jantar!
E, por falar em harmonização, a escolha dos vinhos também foi feliz. Iniciamos os trabalhos com o Casa Valduga 130, que sempre me agrada, e depois passamos para outro excelente espumante, esse de muita tradição e estirpe - um Berluchi. Seguimos com o Casa Marin Lo Abarca, na minha opinião um dos melhores - se não o melhor - pinot noir da América do Sul e, para encerrar, degustamos um vinho israelense, o Yatir 2005, também ótimo, vindo diretamente do Oriente Médio na mala do Altman.
O La Marie realmente foi um dos lugares que mais me surpreenderam positivamente nos últimos tempo. E não se trata de um restaurante novo, da moda. A casa já tem 6 anos e, talvez por falta de uma maior divulgação - ou por descuido meu -, levei todo esse tempo para descobri-lo. Certamente será um dos lugares que passarei a frequentar. E recomendo que quem ler este post corra para fazer reserva para o Restaurant Week, que começa na próxima semana, pois o lugar é pequeno, com poucas mesas, o que talvez ajude a explicar a alta qualidade do atendimento e da comida.
Mais informações
Restaurant Week: http://www.lavecchiacucina.com.br/
La Marie: http://www.lamarierestaurante.com.br/
La Vecchia Cucina: http://www.lavecchiacucina.com.br/
sábado, 31 de julho de 2010
No Rosmarino, o que vale é comer e beber bem
Se por um lado há lugares que tratam o cliente que leva o próprio vinho com desdém, como comentado no post anterior, por outro há os que se garantem na cozinha e tratam o vinho como um acompanhamento da refeição. Nada contra faturarem vendendo vinho, sobremesa congelada e café. E nada contra a cobrança da taxa de rolha, pois sempre pago e acho justo pelo serviço e utensílios oferecidos. Mas acredito que quem vê no vinho a principal fonte de renda da casa deveria abrir um empório, e não um restaurante.
Um exemplo de restaurante competente na cozinha e que se garante atraindo e mantendo uma clientela fiel pela excelente comida é o Rosmarino, em Pinheiros. Vou praticamente toda semana nesse ótimo italiano, sempre como muito bem e a maior parte das vezes levo meu vinho - geralmente garrafas com algum tempo de adega. Aliás, a principal razão de eu levar vinhos da minha adega é não encontrar cartas com opções de garrafas com mais de 5 ou 6 anos. Geralmente se encontram vinhos bons, até a preços justos - como no Rosmarino -, mas ainda muito jovens. Por isso acabo quase sempre optando por levar meus vinhos. Ou bebendo um branquinho, da carta da casa, como o bom neozelandês Paliser, que bebi no último domingo no próprio Rosmarino.
Para quem quer comer muito bem, sem frescura e sem cara feia, recomendo ligar ao Rosmarino, falar com a Stela, a Ângela ou o Carlos e fazer reserva. É certeza de boa gastronomia, em um ambiente muito agradável, com tratamento à altura e sem assalto a mão armada quando a conta chega. Aliás, sempre agendo as degustações das minhas confrarias nesse restaurante, pois o serviço do vinho - mesmo para os que não são do restaurante - é excelente. E, mesmo quando não cobram taxa de rolha, sempre faço questão de pagar R$ 20 ou R$ 30 em retribuição pelo ótimo atendimento.
Mais informações: http://www.rosmarino.com.br/
Um exemplo de restaurante competente na cozinha e que se garante atraindo e mantendo uma clientela fiel pela excelente comida é o Rosmarino, em Pinheiros. Vou praticamente toda semana nesse ótimo italiano, sempre como muito bem e a maior parte das vezes levo meu vinho - geralmente garrafas com algum tempo de adega. Aliás, a principal razão de eu levar vinhos da minha adega é não encontrar cartas com opções de garrafas com mais de 5 ou 6 anos. Geralmente se encontram vinhos bons, até a preços justos - como no Rosmarino -, mas ainda muito jovens. Por isso acabo quase sempre optando por levar meus vinhos. Ou bebendo um branquinho, da carta da casa, como o bom neozelandês Paliser, que bebi no último domingo no próprio Rosmarino.
Para quem quer comer muito bem, sem frescura e sem cara feia, recomendo ligar ao Rosmarino, falar com a Stela, a Ângela ou o Carlos e fazer reserva. É certeza de boa gastronomia, em um ambiente muito agradável, com tratamento à altura e sem assalto a mão armada quando a conta chega. Aliás, sempre agendo as degustações das minhas confrarias nesse restaurante, pois o serviço do vinho - mesmo para os que não são do restaurante - é excelente. E, mesmo quando não cobram taxa de rolha, sempre faço questão de pagar R$ 20 ou R$ 30 em retribuição pelo ótimo atendimento.
Mais informações: http://www.rosmarino.com.br/
terça-feira, 20 de julho de 2010
Ótima experiência no Baby Beef Rubaiyat
Ano passado comentei, em diferentes fóruns da internet, sobre uma experiência ruim que tive no Figueira Rubaiyat, lugar ao qual eu já ia com pouca frequência, pois sempre achava a relação custo-benefício bastante discutível - apesar de o restaurante isentar o cliente do pagamento de rolha. Após essa experiência ruim, que passou pelo atendimento, comida e ambiente (aqui, falo sobre a "frequência", de "mauricinhos" e "patricinhas" mal educados), decidi nunca mais pisar no local.
Escrevo este post para fazer justiça com o grupo Rubaiyat. Da mesma forma que repercuti a experiência ruim do Figueira, tenho de registrar a ótima experiência que tive ontem no Baby Beef, a "casa de carnes" do grupo. Fui almoçar com a família no local, com meu vinho embaixo do braço (eles não cobram rolha) - um Orzada Cabernet Sauvignon 2003 que deveria estar fantástico, pois já estava magnífico 3 anos atrás, quando abri a última garrafa dessa safra. Mas não foi desta vez que tirei a prova, conforme comentarei mais para frente.
Nesta nova experiência com o grupo Rubaiyat, os elogios também passam pelo atendimento, comida e ambiente. Além da agilidade e cortezia dos garçons, que estavam sempre atentos e pacientes - meu filho aprontou o almoço todo -, a qualidade da comida e a excelente carta de vinhos fizeram a diferença. Apesar de eu ser adepto do "a la carte", acabei ficando no Buffet Mediterrâneo, que me seduziu pela variedade de itens, como peixes, frutos do mar, paella e carnes variadas - além das carnes da grelha, que estavam excelentes (comi o baby beef e a picanha). Desisti do vinho que levei, por conta do calor, e acabei pedindo o Redoma Branco, safra 2007, um belíssmo português, que acompanhou bem as entradas - camarão, pitu, carpaccio, queijos, entre outras.
No final, acabei não resistindo e pedi meia garrafa do sempre ótimo Marques de Riscal Reserva, que acompanhou muito bem os grelhados que encerraram o almoço. Na verdade, encerraram a "etapa salgada" do almoço, pois o buffet de doces - que costumo passar - desta vez foi devidamente visitado. A musse de chocolate e o doce de leite argentino na colher estavam simplesmente divinos!
Claro que a brincadeira não foi barata. Aliás, esse é um dos buffets mais caros que já comi - quase R$ 90, equivalente a Fogo de Chão e mais caro que Bar des Arts, especialmente para um almoço de segunda-feira. Mas valeu a pena, pois a experiência foi ótima, do início ao fim. Deixo aqui os parabéns à equipe do Baby Beef Rubaiyat, que me fez reconsiderar a opinião que tinha sobre o grupo após a trágica noite do ano passado no Figueira.
Mais informações: http://www.rubaiyat.com.br/restaurantes/alameda-santos
Escrevo este post para fazer justiça com o grupo Rubaiyat. Da mesma forma que repercuti a experiência ruim do Figueira, tenho de registrar a ótima experiência que tive ontem no Baby Beef, a "casa de carnes" do grupo. Fui almoçar com a família no local, com meu vinho embaixo do braço (eles não cobram rolha) - um Orzada Cabernet Sauvignon 2003 que deveria estar fantástico, pois já estava magnífico 3 anos atrás, quando abri a última garrafa dessa safra. Mas não foi desta vez que tirei a prova, conforme comentarei mais para frente.
Nesta nova experiência com o grupo Rubaiyat, os elogios também passam pelo atendimento, comida e ambiente. Além da agilidade e cortezia dos garçons, que estavam sempre atentos e pacientes - meu filho aprontou o almoço todo -, a qualidade da comida e a excelente carta de vinhos fizeram a diferença. Apesar de eu ser adepto do "a la carte", acabei ficando no Buffet Mediterrâneo, que me seduziu pela variedade de itens, como peixes, frutos do mar, paella e carnes variadas - além das carnes da grelha, que estavam excelentes (comi o baby beef e a picanha). Desisti do vinho que levei, por conta do calor, e acabei pedindo o Redoma Branco, safra 2007, um belíssmo português, que acompanhou bem as entradas - camarão, pitu, carpaccio, queijos, entre outras.
No final, acabei não resistindo e pedi meia garrafa do sempre ótimo Marques de Riscal Reserva, que acompanhou muito bem os grelhados que encerraram o almoço. Na verdade, encerraram a "etapa salgada" do almoço, pois o buffet de doces - que costumo passar - desta vez foi devidamente visitado. A musse de chocolate e o doce de leite argentino na colher estavam simplesmente divinos!
Claro que a brincadeira não foi barata. Aliás, esse é um dos buffets mais caros que já comi - quase R$ 90, equivalente a Fogo de Chão e mais caro que Bar des Arts, especialmente para um almoço de segunda-feira. Mas valeu a pena, pois a experiência foi ótima, do início ao fim. Deixo aqui os parabéns à equipe do Baby Beef Rubaiyat, que me fez reconsiderar a opinião que tinha sobre o grupo após a trágica noite do ano passado no Figueira.
Mais informações: http://www.rubaiyat.com.br/restaurantes/alameda-santos
domingo, 4 de julho de 2010
Ráscal: para comer e beber bem de forma descontraída
Já mencionei aqui que um dos lugares em que vou frequentemente e levo meus vinhos é o Ráscal. Geralmente almoço aos finais de semana ou janto, qualquer dia da semana, na unidade do Shopping Vila Lobos, onde os dois sommeliers prestam um ótimo serviço. Apesar de não cobrarem rolha, mais de uma vez cheguei com a minha garrafa embaixo do braço e voltei para casa com ela, pois a carta é bastante completa e não enfia a faca no cliente.
O Ráscal é um dos raros restaurantes que, em vez de usar o vinho para alavancar a receita, utiliza a bebida para valorizar a comida - e essa é a principal função do vinho. Aliás, ao contrário do que podem dizer alguns "narizes empinados", no Ráscal cozinha rápida está longe de ser sinônimo de comida mal feita. Para mim, é um dos melhores lugares para se comer, seja pelo ambiente, seja pela comida e mesmo pelo preço.
Claro que não se deve esperar o atendimento e o tipo de refeição feita em um restaurante de alta gastronomia. Porém, posso dizer que já comi no Ráscal melhor do que em muitos restaurantes supostamente estrelados. De cabrito e pato a ossubuco, passando pelas várias opções de massa, o que não falta é opção. Isso sem falar da mesa de saladas, que é a minha perdição - não foram poucas as vezes que fiquei apenas nela. O carpaccio é excelente. Muitas vezes comi apenas ele, acompanhado de lascas de parmesão, pão e azeite. E, é claro, um belo branco - o Errazuriz Reserva Sauvignon Blanc, já citado em posts anteriores, é uma boa pedida. Mas para quem gosta de tintos há excelentes opções, tanto do Novo quanto do Velho Mundo.
Hoje, almocei na unidade do Shopping Higienópolis, na área externa, e tive mais uma ótima experiência. É um restaurante que me cativa cada dia mais. Para quem tem filhos, então, é um programa certeiro, pois ninguém (ou quase ninguém) vai ali para paquerar ou fazer um jantar romântico.
Apesar de trabalhar a duas quadras da unidade localizada na Alameda Santos, detesto almoçar lá em dia de semana. É impossível entrar no Ráscal e não gastar pelo menos 2 horas por lá, comendo bem e bebendo bons vinhos - a carte deles é bastante atraente, com preços abaixo da concorrência.
Mais informações: http://www.rascal.com.br
O Ráscal é um dos raros restaurantes que, em vez de usar o vinho para alavancar a receita, utiliza a bebida para valorizar a comida - e essa é a principal função do vinho. Aliás, ao contrário do que podem dizer alguns "narizes empinados", no Ráscal cozinha rápida está longe de ser sinônimo de comida mal feita. Para mim, é um dos melhores lugares para se comer, seja pelo ambiente, seja pela comida e mesmo pelo preço.
Claro que não se deve esperar o atendimento e o tipo de refeição feita em um restaurante de alta gastronomia. Porém, posso dizer que já comi no Ráscal melhor do que em muitos restaurantes supostamente estrelados. De cabrito e pato a ossubuco, passando pelas várias opções de massa, o que não falta é opção. Isso sem falar da mesa de saladas, que é a minha perdição - não foram poucas as vezes que fiquei apenas nela. O carpaccio é excelente. Muitas vezes comi apenas ele, acompanhado de lascas de parmesão, pão e azeite. E, é claro, um belo branco - o Errazuriz Reserva Sauvignon Blanc, já citado em posts anteriores, é uma boa pedida. Mas para quem gosta de tintos há excelentes opções, tanto do Novo quanto do Velho Mundo.
Hoje, almocei na unidade do Shopping Higienópolis, na área externa, e tive mais uma ótima experiência. É um restaurante que me cativa cada dia mais. Para quem tem filhos, então, é um programa certeiro, pois ninguém (ou quase ninguém) vai ali para paquerar ou fazer um jantar romântico.
Apesar de trabalhar a duas quadras da unidade localizada na Alameda Santos, detesto almoçar lá em dia de semana. É impossível entrar no Ráscal e não gastar pelo menos 2 horas por lá, comendo bem e bebendo bons vinhos - a carte deles é bastante atraente, com preços abaixo da concorrência.
Mais informações: http://www.rascal.com.br
Picagli: comida da nonna no Alto da Lapa
Ontem à noite resolvi conhecer um restaurante que há tempos programava ir, indicado pelo amigo Esper. Trata-se do italiano Picagli, no Alto da Lapa, nas proximidades da Pio XI e da Tito. Como de costume, liguei antecipadamente para o lugar e questionei sobre a possibilidade de levar meu próprio vinho. A resposta foi positiva, e sem cobrança de rolha, com a justificativa de que a casa não oferece muitas opções para o cliente. O que é verdade, pois a "carta" traz meia-dúzia de rótulos como Santa Helena e Lambruscos.
Apesar de morar na região, tive alguma dificuldade para encontrar o restaurante - o GPS se perdeu e me levou com ele. Tive de me virar sozinho e, depois de alguns minutos procurando placas, acabei entrando em uma rua bastante escura, silenciosa e vazia. Cheguei à frente de uma praça, também escura, e imaginei que fosse esssa a referência do site. O número 451 da rua Araçatuba identificava a fachada de uma casa, com luzes apagadas e sem sinal de vida, apesar de já serem 19h05 - o restaurante promete abrir às 19h.
Com bastante receio de ficar parado ali, esperando - já fui assaltado em situação bem menos propícia -, decidi dar uma volta e ligar para o restaurante do meu celular. Uma simpática mulher me atendeu e disse que abriria a casa para mim. Parei novamente na porta e um garçom, também atencioso, nos recebeu e nos pediu que escolhêssemos a mesa.
Se eu já estava de orelha em pé por conta dos episódios precedentes, fiquei ainda mais preocupado quando entrei no salão e senti um forte cheiro de mofo no ar... Lembrei do Esper e pensei: "onde esse cara foi me meter!" Mas já que eu estava ali, decidi não recuar, apesar dos olhares de reprovação da minha esposa.
Nos sentamos e, sem vacilar, pedi ao garçom - o único do restaurante - que abrisse a minha garrafa, um belo Langhe, o Mandaccione, safra 2000. Ouvi o ruído da rolha sendo retirada no bar, longe dos meus olhos, mas mesmo assim comecei a me animar. No mínimo beberia bem e, com certeza, pelo menos a comida deveria ser ótima, pois o amigo Esper não é lá uma pessoa muito tolerante com a mediocridade.
Recebi minha garrafa, aberta, e duas taças de vidro grosso, pequenas, daquelas que só encontramos no Bixiga para saborear o "vinho da casa". O garçom pediu para que eu provasse o vinho, que já estava devidamente embrulhado em um guardanapo vermelho, e então o serviu - claro que tive de pedir para ele parar antes de a taça transbordar.
Naquele instante, me senti em uma típica trattoria italiana, com paredes forradas de tecido, piso velho de madeira, além da administração mais do que familiar - aparentemente só o garçom não era um Picagli. Daí em diante resolvi relaxar - até porque o vinho realmente estava muito bom, apesar da taça "cantineira". Além de nós, apenas mais uma mesa foi ocupada por dois casas na faixa de 60 a 70 anos, o que tornou o ambiente ainda mais nostálgico.
Começamos os pedidos. Para o meu filho, solicitamos um paillard de filé acompanhado de fetutine na manteiga e manjericão. Como primeiro prato, dividi com minha esposa uma polenta com calabresa. Para o prato principal, solicitamos um raviole de ricota romana e alcachofra, ao molho de tomate. Para a minha felicidade, a previsão de comer muito bem se concretizou. Aliás, superou as expectativas, pois não apenas comemos bem, como me senti na casa da minha nonna, 25 anos atrás, quando ela preparava a comida caseira mais deliciosa "à italiana" que já comi. O fetutine do meu filho veio parar no meu prato também, pois estala levissímo e saboroso, apesar dos poucos ingredientes. A massa, "al dente", era a mais caseira possível, feita provavelmente naquele dia. Uma simplicidade só, mas deliciosa, coisa que não se encontra em restaurantes hoje em dia.
Na sequência, me servi da polenta, e aqui está o ponto altíssimo da noite. Foi a melhor polenta que já comi na minha vida! Cremosa como eu nunca imaginei encontrar um dia, com sabor delicado e integrado ao molho de linguiça calabresa, picante e muito saboroso. Eu teria pedido outra polenta como prato principal, talvez acompanhando o polpetone - segundo o amigo Esper, esse bate até o do Jardim di Napoli.
Finalizada a "bella polenta", o garçom trouxe o raviole, que também estava delicioso. Massa caseiríssima, muito leve e com recheio na medida certa. Não estava "al dente", como o fetutine, mas demos um desconto, pois o conjunto estava perfeito. O molho, um "sugo" saboroso e também delicado, sem excesso de tempero, alho e ervas, o que às vezes o deixa indigesto. Foi outra boa experiência, que igualmente me fez lembrar da minha avó.
Por fim, resolvemos pedir sobremesa, já que, apesar de termos comido muito bem, estávamos com o estômago leve. Solicitamos torta de limão e o sorvete de amêndoas, feito na própria casa. Ambos os doces estavam bons e fecharam bem a nossa experiência, possivelmente a mais inusitada dos últimos tempos.
O Picagli é um lugar para quem gosta de boa comida, mas simples e sem frescura. Deve-se dar um desconto ao cheiro de mofo e às taças, pois a boa refeição que se faz por lá compensa. Recomendo ir no almoço de domingo, quando o lugar possivelmente fica mais iluminado, animado e seguro - naquela rua escura e vazia, não colocar um segurança na porta à noite é quase um suicídio.
Não contarei a história do restaurante, pois tudo isso pode ser encontrado no seu site: http://www.picagli.com.br/
Por fim, faço um agradecimento ao amigo Esper pela dica!
Apesar de morar na região, tive alguma dificuldade para encontrar o restaurante - o GPS se perdeu e me levou com ele. Tive de me virar sozinho e, depois de alguns minutos procurando placas, acabei entrando em uma rua bastante escura, silenciosa e vazia. Cheguei à frente de uma praça, também escura, e imaginei que fosse esssa a referência do site. O número 451 da rua Araçatuba identificava a fachada de uma casa, com luzes apagadas e sem sinal de vida, apesar de já serem 19h05 - o restaurante promete abrir às 19h.
Com bastante receio de ficar parado ali, esperando - já fui assaltado em situação bem menos propícia -, decidi dar uma volta e ligar para o restaurante do meu celular. Uma simpática mulher me atendeu e disse que abriria a casa para mim. Parei novamente na porta e um garçom, também atencioso, nos recebeu e nos pediu que escolhêssemos a mesa.
Se eu já estava de orelha em pé por conta dos episódios precedentes, fiquei ainda mais preocupado quando entrei no salão e senti um forte cheiro de mofo no ar... Lembrei do Esper e pensei: "onde esse cara foi me meter!" Mas já que eu estava ali, decidi não recuar, apesar dos olhares de reprovação da minha esposa.
Nos sentamos e, sem vacilar, pedi ao garçom - o único do restaurante - que abrisse a minha garrafa, um belo Langhe, o Mandaccione, safra 2000. Ouvi o ruído da rolha sendo retirada no bar, longe dos meus olhos, mas mesmo assim comecei a me animar. No mínimo beberia bem e, com certeza, pelo menos a comida deveria ser ótima, pois o amigo Esper não é lá uma pessoa muito tolerante com a mediocridade.
Recebi minha garrafa, aberta, e duas taças de vidro grosso, pequenas, daquelas que só encontramos no Bixiga para saborear o "vinho da casa". O garçom pediu para que eu provasse o vinho, que já estava devidamente embrulhado em um guardanapo vermelho, e então o serviu - claro que tive de pedir para ele parar antes de a taça transbordar.
Naquele instante, me senti em uma típica trattoria italiana, com paredes forradas de tecido, piso velho de madeira, além da administração mais do que familiar - aparentemente só o garçom não era um Picagli. Daí em diante resolvi relaxar - até porque o vinho realmente estava muito bom, apesar da taça "cantineira". Além de nós, apenas mais uma mesa foi ocupada por dois casas na faixa de 60 a 70 anos, o que tornou o ambiente ainda mais nostálgico.
Começamos os pedidos. Para o meu filho, solicitamos um paillard de filé acompanhado de fetutine na manteiga e manjericão. Como primeiro prato, dividi com minha esposa uma polenta com calabresa. Para o prato principal, solicitamos um raviole de ricota romana e alcachofra, ao molho de tomate. Para a minha felicidade, a previsão de comer muito bem se concretizou. Aliás, superou as expectativas, pois não apenas comemos bem, como me senti na casa da minha nonna, 25 anos atrás, quando ela preparava a comida caseira mais deliciosa "à italiana" que já comi. O fetutine do meu filho veio parar no meu prato também, pois estala levissímo e saboroso, apesar dos poucos ingredientes. A massa, "al dente", era a mais caseira possível, feita provavelmente naquele dia. Uma simplicidade só, mas deliciosa, coisa que não se encontra em restaurantes hoje em dia.
Na sequência, me servi da polenta, e aqui está o ponto altíssimo da noite. Foi a melhor polenta que já comi na minha vida! Cremosa como eu nunca imaginei encontrar um dia, com sabor delicado e integrado ao molho de linguiça calabresa, picante e muito saboroso. Eu teria pedido outra polenta como prato principal, talvez acompanhando o polpetone - segundo o amigo Esper, esse bate até o do Jardim di Napoli.
Finalizada a "bella polenta", o garçom trouxe o raviole, que também estava delicioso. Massa caseiríssima, muito leve e com recheio na medida certa. Não estava "al dente", como o fetutine, mas demos um desconto, pois o conjunto estava perfeito. O molho, um "sugo" saboroso e também delicado, sem excesso de tempero, alho e ervas, o que às vezes o deixa indigesto. Foi outra boa experiência, que igualmente me fez lembrar da minha avó.
Por fim, resolvemos pedir sobremesa, já que, apesar de termos comido muito bem, estávamos com o estômago leve. Solicitamos torta de limão e o sorvete de amêndoas, feito na própria casa. Ambos os doces estavam bons e fecharam bem a nossa experiência, possivelmente a mais inusitada dos últimos tempos.
O Picagli é um lugar para quem gosta de boa comida, mas simples e sem frescura. Deve-se dar um desconto ao cheiro de mofo e às taças, pois a boa refeição que se faz por lá compensa. Recomendo ir no almoço de domingo, quando o lugar possivelmente fica mais iluminado, animado e seguro - naquela rua escura e vazia, não colocar um segurança na porta à noite é quase um suicídio.
Não contarei a história do restaurante, pois tudo isso pode ser encontrado no seu site: http://www.picagli.com.br/
Por fim, faço um agradecimento ao amigo Esper pela dica!
sábado, 24 de maio de 2008
Um italiano sofisticado, mas sem nariz empinado
Sexta-feira passada, emenda de feriado, resolvi fazer um almoço um pouco diferente e conhecer outro restaurante que, apesar da fama de boa comida, eu nunca hava tido a oportunidade de visitar. Foi uma grata surpresa - se é que se pode dizer que encontrar boa mesa no Supra é exatamente uma surpresa.Localizado próximo ao burburinho do Itaim, mas numa rua bastante tranqüila, a Araçari (número 260), o lugar não tem a suntuosidade de outros italianos de nariz empinado, mas não deixa de ser charmoso e até certo ponto sofisticado. Assim é também o serviço: não muito formal, porém eficiente. O proprietário, o chef Mauro Maia, circula pelo restaurante o tempo todo e faz questão de cumprimentar os clientes e mostrar que quem manda está ali para o que for necessário.
Mas vamos ao que realmente interessa! O cardápio, que agrega toques da Itália clássica e da moderna, dá ênfase para a gastronomia do norte do país, em especial do Piemonte, o que acabou inspirando as minhas escolhas nesse dia.
Passado o couvert, que é simples e gostoso (pães, sardela, manteiga e mini legumes em conserva), pedi o Carpaccio di Sottofiletto alle Olive e Pinoli, preparado com miolo de alcatra ao molho de azeite extravirgem, mostarda, limão e azeitonas verdes e pretas, finalizado com grana padano, pinoli e alcaparras de Pantelleria occhi di pernice. Simplesmente uma delícia! Fatias muito finas, que derretiam na boca, sob um molho saboroso e, ao mesmo tempo, leve e em harmonia com o delicado sabor do carpaccio. Para acompanhar, pedi uma taça do espumante italiano Astoria Lounge, elaborado com as uvas prosecco e chardonnay, que foi muito bem com o prato.
Como prato principal, fui de Agnolotti dal Plin in Salsa di Arrosto, recheada com carnes, verduras e ervas ao molho de vitelo, grana padano e manteiga. Recomendada pelo garçom, essa massa é realmente fantástica. São trouxinhas de massa recheadas na hora, uma a uma, manualmente, que agradam demais pela delicadeza quase oriental, mas sem perder a consistência "al dente". O recheio de carne é muito saboroso e equilibrado, sem se destacar pelo excesso de tempero. Harmoniza perfeitamente bem com o delicioso molho à base de manteiga.
O vinho para acompanhar a massa foi o Barbera D'Alba Ruvei 2004, do produtor piemontês Marchesi di Barolo. É um vinho muito agradável, que mostra no nariz e confirma na boca frutas bem maduras, quase secas, e um pouco de couro e especiarias, que conferem maior complexidade à bebida. Os taninos redondos e o bom corpo do vinho davam a sensação de aveluado na boca. Foi uma ótima pedida, apesar de talvez ser um pouco potente demais para a delicadeza da massa. Mas não chegou a brigar.
Por fim, ainda não satisfeito resolvi pedir um Budino di Cioccolato Caldo con Gelato alla Vaniglia, um pudim quente elaborado com chocolate belga Callebaut, servido com sorvete artesanal de creme crocante. Também delicioso, lembra muito um petit gateau. Para acompanhar, pedi uma taça de marsala, que harmonizou perfeitamente bem com a sobremesa.
Depois dessa visita, posso dizer que o Supra está entre os melhores italianos que conheço em São Paulo - e também entre os mais caros. Mas vale a pena tirar um dia para conhecer o lugar e, quem sabe, poder voltar nele mais vezes.
Mais informações: http://www.resupra.com.br/
domingo, 27 de abril de 2008
Bistrô em Perdizes
Ontem, almocei no Blú Café & Bistrô, um restaurantezinho meio escondido na rua Monte Alegre, em Perdizes, que abriu há algum tempo, mas que recentemente passou por um processo de reformulação bem interessante.Começou servindo pratos rápidos, como quiches e tortas, e agora investe em alta gastronomia e tem até uma carta de vinhos interessante, assinada pela importadora de Brasília Vintage Express (há uma franquia ao lado do bistrô, que também merece ser visitada). Desta vez, comi um coq au vin que estava delicioso e, de sobremesa, fui de sorvete de gengibre acompanhado de pedaços de caqui.
Um diferencial para os restaurantes da região é que o Blú Café & Bistrô serve vinhos em taça, ao custo de R$ 10 (vale a pena).
Há uma opção de branco (Terra Cota Chardonnay/Chenin Blanc) e outra de tinto (Terra Cota Malbec/Bonarda), ambos argentinos e, apesar de simples (a garrafa custa na faixa de R$ 30), são muito agradáveis e bem elaborados, especialmente o branco. Há outras boas opções para quem quer pedir a garrafa, da Europa e do Novo Mundo.
O lugar é bonito e agradável, com uma área externa bacana, que realmente remete a um bistrô parisiense. O melhor é o preço: meu coq au vin com a sobremesa, que era o "combinado" do dia, saiu por inacreditáveis R$ 24!
Vale a visita: http://www.blubistro.com.br/
sábado, 1 de março de 2008
Abuzzo
Quarta-feira passada resolvi sair para comer e beber bem em algum lugar novo, onde eu nunca tivesse estado antes. Abri o guia de restaurantes e acabei optando pelo Aguzzo Caffè e Cucina, um restaurantezinho bastante charmoso de Pinheiros.Como de praxe, logo pedi a carta de vinhos, pois na maior parte das vezes direciono o "menu" da noite em função da disponibilidade de vinhos da casa (variedade, qualidade e preço). Como eu imaginava, o restaurante oferece boas opções de vinhos, com destaque para os da Casa Marin, muito bons por sinal - tanto o sauvignon blanc quanto o pinot noir que bebi estavam ótimos.
O que me deixou surpreso e um tanto incomodado foram os valores cobrados pelas garrafas, um verdadeiro "abuzzo". Pelo cálculo que fiz rapidamente à mesa, a margem dos vinhos era, por baixo, de 100%! Um mero Salton Volpi, que se encontra por aí na casa dos R$ 25 (na revenda, pois direto com a Salton é mais barato), valia R$ 44.
Confesso que esperava algo mais razoável de um restaurante que se posiciona como um lugar que oferece alta gastronomia italiana com ares de modernidade. Até porque casas similares, como os vizinhos Rosmarino e Vinheria Percussi, apenas para citar exemplos muito semelhantes e situados na mesma região, oferecem comida de qualidade equivalente (se não melhor) e vinhos com margens bem menos agressivas - algo na casa dos 30%.
Passado o susto, resolvi relaxar e aproveitar o lugar. Já que a facada era inevitável, pedi o menu sugestão da casa, que, por algo em torno de R$ 140, incluía entrada (carpaccio de bacalhau), primeiro prato (ravioles recheados com cogumelos e molho de tomates frescos), prato principal (peito de pato grelhado acompanhado de purê de maçã) e sobremesa (torta de chocolate). Todos, com exceção da sobremesa, eram acompanhados de uma tímida taça de vinho (dois dedos da bebida apenas).
Não tenho do que reclamar dos pratos. Todos estavam realmente muito bem preparados, com bastante delicadeza e sabor, ainda que em porções exageradamente pequenas - talvez essa seja a razão dos dois dedos de vinho. Destaco aqui o peito de pato, que estava delicioso com o seu acompanhamento e que harmonizou maravilhosamente bem com o pinot da Casa Marin - cuja taça, se quiser repetir (e eu inadvertidamente o fiz), custará absurdos R$ 36 (para dois dedinhos da bebida). Para acompanhar a sobremesa, acabei desembolsando mais um pouco e pedi uma taça do clássico para chocolates, o francês banyuls, cuja taça era igualmente cara, mas que minha memória fez questão de apagar para evitar traumas maiores.
Antes que digam que sou um chato e mau humorado, elogio a cortesia de garçons, mètre e sommelier. Fomos muito bem atendidos e certamente esta foi uma das razões que me fizeram manter o bom humor, mesmo tendo de encarar a fumaça do cigarro de mesas da "área de fumantes" - não consigo entender como pode haver essa separação em um restaurante com um único salão, relativamente pequeno e totalmente fechado por conta do ar-condicionado...
Gostei da comida e do atendimento, mas falta bom-senso nos preços praticados, especialmente para os vinhos. Está fora de moda cobrar margens astronômicas como as que vi e paguei. Os bons restaurantes de São Paulo já perceberam que o perfil dos seus clientes está mudado há algum tempo. Hoje, há um número enorme de pessoas que se habituaram a beber vinho e que sabem quanto custa uma garrafa nas importadoras. Muitos já têm adega climatizada em casa, que está se tornando um eletrodoméstico comum para a classe média - basta ver as dezenas de opções disponíveis no mercado vendidas a partir de R$ 500 por varejistas como Lojas Americanas, Ponto Frio e Submarino.
Não é à toa que restaurantes como os que já citei, além de muitos outros, como o Varanda e o Figueira Rubayat, ganham no que oferecem de diferenciado, a comida, e dão ao vinho o posto que deve ocupar em um restaurante: acompanhar e valorizar a refeição. Clientes de restaurantes como estes aprenderam a apreciar e a valorizar o vinho não mais como um grande diferencial, que justifique pagar o olho da cara para se ter a oportunidade de beber, mas como o acompanhamento ideal para as refeições, como um prazer adicional.
Sobre o Aguzzo, apesar de duvidar, espero que reveja suas práticas no que se refere a vinhos. Caso contrário, nas próximas vezes que eu quiser comer e beber bem optarei por um dos outros pelo menos 50 ótimos restaurantes de São Paulo.
sábado, 11 de agosto de 2007
Uma nova vila para comer e beber bem
Hoje, almocei no Imperatriz Villa Bar, na Vila Leopoldina, e me surpeendi com o lugar. À primeira vista parece mais um dos milhares de bares que estão pipocando na região por conta do "boom" imobiliário. Porém, descobrimos algo diferente já na entrada, quando nos deparamos com um corredor que leva para um ambiente aberto e bastante agradável, com direito a jardim e fonte.
Aos sábados, serve uma bela feijoada (R$ 34), no esquema de bifê, uma das melhores que já comi, com caldo bastante saboroso e feijão firme, consistente. Além das partes tradicionais do porco na feijoada, o bifê oferece bolinho de arroz, mandioca frita, bisteca, um vistoso pernil e diferentes tipos de lingüiça. Também oferece uma mesa de salada, bastante simples.
Para acompanhar, pedi um prosecco da Casa Valduga, o Estações - Outono. Trata-se de um espumante de cor dourada, bastante intensa, com aromas e sabores equilibrados. Foi muito bem com a feijoada, considerando o efeito da acidez do prosecco na gordura do prato. Pena que esta é a única opção de espumante... Há tintos para quem preferir uma harmonização diferente.
Em tempo: aos sábados um trio toca chorinho.
Vale a visita: http://www.imperatrizvillabar.com.br/
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