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sábado, 13 de agosto de 2011

Lojas boas e baratas e SOS vinhos

Semana passada postei uma dica de loja com bons preços em Santiago, no Chile, e um amigo me perguntou por que eu nunca dei dica de lojas "barateiras" aqui no Brasil. Na verdade, a questão é que eu compro muito em importadoras, pois geralmente não compro apenas uma garrafa e sempre há vantagens para quem compra em maior quantidade - seja em descontos, seja na isenção de frete.

No entanto, vira e mexe eu preciso de um vinho específico para uma degustação, jantar ou almoço de última hora. Aí tenho, sim, quem me abasteça. Muitas vezes cobrando menos do que na própria importadora. E, muitas vezes, oferecendo safras já indisponíveis nas importadoras e uma variedade que não se encontra em um único lugar, mesclando nacionais e importados.

Indico, aqui, os lugares nos quais compro vinhos quando preciso de algo com urgência, muito específico, de safra antiga ou com preço melhor do que eu conseguiria na importadora.

Empório Fernandes
É uma pequena loja na Pamplona (está mais para um showroom), onde o Adair e equipe atendem clientes para fechar o fornecimento de vinhos para eventos. De quebra eles também vendem no varejo e mandam buscar o vinho que você precisar, em quase qualquer importadora do Brasil, repassando ao cliente ao mesmo preço ou, dependendo do caso, com desconto "especial". Já tive algumas emergências e em questão de poucas horas colocaram a garrafa que eu precisava nas minhas mãos. É o meu SOS Vinho: www.emporiofernandes.com.br

Venews
Também fornecedora de vinhos para eventos, esta loja mantém um espaço grande na Brigadeiro Luis Antônio para expor seus produtos. Tem bons preços, equivalentes aos das importadoras, mas aqui você encontra coisas como o Gattinara Travaglini Reserva Magnum safra 2001 e outros bons italianos, franceses e chilenos "fora de linha". Encontra, também, vinhos tops, como uma vertical de Almaviva, incluindo safras mais antigas e alguns dos Premier Cru de Bordeaux. Vende outras bebidas e alimentos: venewsbebidas.com.br

Boccati
Esta fica em Caxias do Sul, no RS, e é um achado para mim. Para quem gosta de vinhos de safras mais antigas, aqui é possível comprar Brunello da década de 90 e outras coisas do começo da década passada. A variedade é boa e inclui nacionais também, quase sempre a preços bem abaixo do que se paga em São Paulo. Vale fazer um pedido grande para ganhar no frete. Geralmente lanço mão dessa alternativa quando quero comprar algo que não encontro em São Paulo e estou com vontade de incluir alguns espumantes nacionais no pedido. Quase sempre os importados que eles vendem estão abaixo do preço da importadora em São Paulo: www.boccati.com.br

sábado, 21 de agosto de 2010

Comprando vinhos evoluídos: Parte III

Nas últimas semanas, participei de três belas degustações de Amarone, um dos vinhos que mais gosto, para a revista Free Time, na Sbav-SP e na confraria Wine St. Foram experiências fantásticas, pois tive a oportunidade de beber mitos como Quintarelli e Romano dal Forno. Mas deixarei esse assunto para um post específico sobre Amarone, inclusive com um ranking dos melhores e recomendados.

Hoje, quero apenas inidicar uma outra oportunidade para quem gosta de beber vinhos evoluídos. Desta vez falarei da Casa Flora, em São Paulo, que tradicionalmente oferece vinhos a preços mais "viáveis", mas que também pode ser procurada por quem quer comprar garrafas de duas, três ou até quatro décadas atrás.

Durantes minha jornada com os Amarone, bebi um Bertani de 1968, na Sbav de São Paulo, e, por curiosidade, fui investigar se havia outras preciosidades de onde saiu essa garrafa, a Casa Flora. Na verdade, eles mantêm um belo estoque de vinhos do porto de safras bastante antigas, além dos Amarone Bertani e alguns rótulos espanhóis. Vale contatar a importadora e pedir a lista completa de produtos, pois há coisas interessantes.

Quanto ao Amarone Bertani, tema deste tópico, infelizmente ele já estava em evidente decadência. De cara se percebia a idade, pois o vinho é claro, com tom atijolado e largo halo de evolução. No nariz, senti cânfora, um pouco de oxidação e algum animal - talvez couro. Na boca, ainda se sentia a acidez e o tanino, apesar da pouca intensidade. O vinho tinha bom corpo e persistência considerável. Mas já não era aquela coisa toda... Eu não pagaria os quase R$ 1 mil que essa garrafa custou. Mas vale checar outras safras disponíveis, das décadas de 70 e 80. Quem sabe estejam mais "vivas".

Casa Flora: http://www.casaflora.com.br/

sexta-feira, 9 de julho de 2010

Viña Magaña Gran Reserva 1985

Citei este rótulo no post sobre vinhos evoluídos à venda no mercado brasileiro, por isso farei um breve comentário sobre a experiência que tive ontem à noite.

Trata-se de um espanhol produzido pela Viña Magaña na região de Navarra, com corte essencialmente bordalês (70% merlot, 15% cabernet savignon e 15% de outras), maturado 24 meses em barricas semi-novas de carvalho francês e 36 meses em garrafa. Teor alcoólico de 13%.

Abri a garrafa com o saca-rolhas padrão, de rosca e, é claro, a rolha não aguentou... Para um vinho de 25 anos, até que a rolha não estava tão comprometida, mas não tinha mais firmeza suficiente para o uso de um equipamento como esse - claro que o saca-rolhas de haste, próprio para essas ocasiões, era o mais indicado. Mas a pressa às vezes é inimiga da perfeição. Uma vez que a garrafa e o rótulo estavam perfeitos, como se o vinho tivesse sido engarrafado ontem, supus que não seria necessário tanto cuidado com a rolha. Resolvi o problema passando o vinho para o decanter, usando uma peneira fina para segurar os poucos farelos da rolha que caíram na bebida.


Ainda no decanter me surpreendi com o vinho, pois estava bem denso, com uma cor rubi escuro e quase nenhum resíduo. Passei para a taça e a aparência continuou a de um vinho não tão evoluído, mas um pouco mais claro do que o impacto inicial no decanter. O halo mais claro, puxando para o tijolo, ficou visível na taça, mas muito discreto, apesar do quarto de século de idade desse vinho.

No nariz, aromas bastante austeros, quase que 100% terciários, trazendo de fruta apenas uma sutil uva apassitada - muito sutil mesmo. Predominavam o couro, um leve defumado e até um toque mineral. Após aerar um pouco, apareceu um chocolate muito interessante, cuja doçura na boca tornou o vinho delicioso depois de meia hora de decanter. Esse bom espanhol ainda guardava ótima acidez, mas já mostrava menos potência do que provavelmente teve há uma década. Isso não me incomodou nem um pouco, pois adoro vinhos elegantes, e esse era um lord. Taninos adocicados, álcool discreto, muito fácil de beber.

Por fim, digo apenas que é um vinho para ser bebido já. Não creio que guardá-lo será uma boa idéia. Por isso beberei as 2 garrafas que me restam nos próximos 12 meses.

terça-feira, 6 de julho de 2010

Comprando vinhos evoluídos: Parte II

Os espanhois são mestres em "criar" seus vinhos, deixando-os amadurecer, de forma que nós, enófilos, possamos degustá-los na hora certa, sem pressa. Por conta desta característica dos bons vinhos da Espanha, especialmente os de Rioja, sou cada vez mais fã desse país, incluindo sua gastronomia, com as paellas, que são a minha perdição. Não gosto muito das touradas, pois acho um esporte covarde. Se é que isso é um esporte... Mas até que na bola eles têm mostrado um bom trabalho, assim como nas pistas de Fórmula 1.

Voltando aos vinhos, deixo aqui mais algumas dicas de rótulos evoluídos disponíveis para compra. Desta vez garimpei na Vinci Vinhos e encontrei coisas boas, como opções da excelente Viña Tondonia. Deste produtor, estão disponíveis o Viña Bosconia Reserva 1999 e o Viña Tondonia Reserva 1999. Também de Rioja, a importadora oferece o Viña del Olivo Reserva 1999 (Viñedos del Contino). Apesar de não ter sido uma grande safra, não tenho me decepcionado com os 1999 de Rioja. Para quem quer uma aventura mais ousada, vale colocar as fichas no Viña Magaña Gran Reserva 1985, de Navarra, também na Espanha. Este eu deverei provar nos próximos dias.


De Portugal, a Vinci oferece o Dão Porta dos Cavaleiros Reserva 1985 (Caves São João), que custa salgados R$ 391,42. O risco aqui é maior - para quem gosta de fortes emoções, é um prato cheio!


Mais detalhes: www.vincivinhos.com.br