quinta-feira, 16 de dezembro de 2010

Um brinde à nova Sbav que está nascendo!

Amanhã a Sbav realiza o jantar de final do ano que marca sua terceira década de história. A primeira confraria organizada do Brasil comemora 30 anos de muita contribuição para a cultura do vinho. De lá, saíram experts, sommeliers e apaixonados pelo vinho em geral. A Sbav foi o berço de muitas outras entidades, entre elas a ABS. Muita gente boa aprendeu sobre vinho na associação e, hoje, faz fama escrevendo, criticando e falando sobre a bebida de Bacco.

Este é um ano especial para a Sbav. Não pela comemoração das três décadas, mas, principalmente, porque 2010 será um divisor de águas para a associação. Neste ano a Sbav provou, tardiamente, as dores da adolescência. Viveu tempos nebulosos e de incerteza. Viu-se madura no espelho, mas um tanto inexperiente e, ao mesmo tempo, combalida, precisando rever conceitos e se reinventar.

Amanhã, os verdadeiros amigos do vinho - e da querida Sbav - estarão na sede da associação, na nobre sala da Gabriel Monteiro da Silva, em São Paulo, para brindar não somente o final de um ano especial, mas, principalmente, o início de uma nova Era. Novos tempos virão, convidados e liderados por quem vai reerguer a velha, porém novíssima, associação. A tradicional Sbav dará a volta por cima e ressurgirá no cenário nacional do vinho com força máxima em 2011.

Convido a todas a acompanhar o nascimento de uma Sbav vigorosa e atual, mas que respeita e valoriza sua tradição. Será uma Sbav única, rica, cheia de conhecimento e, mais do que tudo, conduzida por gente que ama o vinho e faz justiça ao nome da associação.

Parabéns, Sbav!

quarta-feira, 8 de dezembro de 2010

Essa envergonharia até o desinibido Berlusconi

Publico, a seguir, o alerta distribuído pelo amigo e confrade Aguinaldo Záckia a respeito de um absurdo vivido por ele na terra de Dante. O texto já está correndo na internet, mas não custa reforçar.

Assim, ninguém poderá dizer que não foi avisado caso seja obrigado a abandonar um Sassicaia ou algo parecido no hall de algum aeroporto italiano.

Aguinaldo, sou solidário a você, mas fico triste mesmo por ter perdido a chance de degustar o Schidione abandonado...


AVISO IMPORTANTE AOS AMANTES DO VINHO

TUTTO MENO ALITALIA!
 
Por AGUINALDO ZÁCKIA ALBERT

Como filiado que sou da FIJEV - Fédération Internationale des Journalistes et Écrivains du Vin et Spiritueux, fui convidado a fazer um tour pelas regiões vinícolas da Toscana, juntamente com jornalistas de vários países.

Organizado pela REGIONE TOSCANA, tivemos oportunidade de visitar alguns dos melhores produtores de Montepulciano, Montalcino, Morelino di Scansano e Maremma, onde fomos recebidos de forma calorosa por seus vinhateiros e provamos grandes vinhos. Uma viagem a ser guardada com carinho na memória.

O roteiro terminou num domingo de manhã, em Suvereto, de onde partimos para Firenze. Cheguei por volta das 11:00 e, como meu voo era noturno, peguei um táxi e rumei para Firenze per fare una passegiatta e rever ao menos a cópia da estátua de David, de Michelangelo, na Piazza della Signoria, defronte ao Pallazzo Vechio (os funcionários dos museus estavam em greve).

Uma boa pasta acompanhada de um bicchieri di vino e estava almoçado. Enquanto tomava um café, pude ouvir uma excelente contralto russa que cantava na praça algumas das melhores passagens da ópera italiana.

Estava profundamente feliz e agradecido por poder estar vivo e estar ali, desfrutando de toda aquela beleza, depois de fazer um belo roteiro de vinhos. Sem dúvida um grande privilégio. Poderia haver alguém lá em cima - por que não? - e esse alguém podia até mesmo se interessar por mim. Muita gente acredita nisso.

Depois dessa tarde maravilhosa, peguei um táxi e rumei para o aeroporto de Firenze, onde pegaria um voo para Roma e, depois, para São Paulo. Começaram aí os meus problemas e a Divina Comédia quando tive que me confrontar com uma empresa aérea chamada Alitalia. Fazendo o caminho inverso do grande Dante, saí do Céu e fui lançado ao Inferno, sem passar pelo Purgatório.

Comedido como sou, levei comigo apenas três singelas garrafas de bons vinhos, um Schidione e um Brunello de Montalcino, que comprei, e mais um Brunello, que ganhei. Levava também comigo duas pequenas garrafas e uma latinha do delicioso azeite da região recém elaborado que ganhara de alguns produtores. Lembro que a lei brasileira permite que entremos no Brasil com até 12 litros!

Como sempre faço (e faço isso inúmeras vezes ao ano, em viagens à Europa, e mesmo à Itália) embalei os vasilhames bem protegidos em uma caixa de 6 garrafas de papelão de vinho, que tive o cuidado de embalar em plástico (mais 10,00 Euros pro beleléu). Como não se pode levar líquido como bagagem de mão, tentei embarcar a caixa juntamente com minha pequena valise. Tinha comigo apenas mais uma mala.

E não é que fui impedido de embarcar com os azeites e os vinhos! O pessoal da ALITALIA se mostrou absolutamente intransigente, mesmo depois de ter me identificado como jornalista de vinhos e ter inclusive mostrado minha carteira profissional e o convite da REGIONE TOSCANA. Falei com várias pessoas e discuti asperamente - em bom italiano, depois em inglês - diante do absurdo de tal situação, mas nada consegui, nem mesmo me propondo a comprar outra mala ou embarcar os vinhos na mala que já tinha! Foi-me dito que a Alitalia tem há 5 anos uma norma que proíbe o transporte de líquidos na carga de seus aviões para que, caso as garrafas se quebrem (o que seguramente não iria acontecer) não molhem a bagagem alheia.

O mais estranho é que a empresa não avisa seus passageiros de tal fato. Mais estranho ainda é que anteriormente já havia trazido vinho pela mesma companhia. O que afinal aconteceu? Será que a empresa foi comprada pelas ORGANIZAÇÕES TABAJARA para ter uma norma tão estúpida?!

Peguei a caixa de vinhos e a abandonei no centro do salão do aeroporto e embarquei apenas com minha valise. Algum cão bem treinado deve ter cheirado bem a caixa (um cão degustador, quem sabe?) e depois algum robô deve ter desarmado a perigosa bomba...

A empresa ALITALIA, bastante conhecida por seus maus serviços aéreos, pôde mostrar nesse episódio a sua pior face. Numa decisão absurda, impediu que fosse mostrado no exterior amostras dos dois mais conceituados produtos italianos no mundo, o azeite de oliva e o vinho, mesmo sabendo que se tratavam de amostras a serem provadas em degustações por profissionais reconhecidos. Como entender tanta estupidez e burrice na terra de Michelangelo e Da Vinci?

Dessa forma, caros confrades e amigos do vinho, caso queiram trazer alguma coisa líquida da Itália (vinho, azeite etc.), não utilizem a ALITALIA. Você está arriscado a perder seus vinhos, ter prejuízo e ainda ser brindado com uma poltrona central na última fileira do avião, como aconteceu comigo. Comboios de africanos pelo Mediterrâneo, caravanas de ciganos pela rota do leste europeu ou barcos lotados de albaneses no Mar Adriático. Tudo isso, meus caros, É MELHOR E MAIS AGRADÁVEL DO QUE VIAJAR PELA ALITALIA.

TUTTO MENO ALITALIA!!!

DIVULGUE ESTA CARTA A SEUS AMIGOS ENÓFILOS.

AGUINALDO ZÁCKIA ALBERT

domingo, 5 de dezembro de 2010

Boa compra: Eugénio de Almeida Branco 2009

Bebi este vinho pela primeira vez no Quinta de Santa Maria, um bom restaurante português aqui na região do Alto da Lapa, em São Paulo. Sempre que vou lá - ou na maior parte das vezes - levo meus vinhos e pago a taxa de rolha no valor de R$ 30.

Certa vez, no entanto, fazia tanto calor - e o lugar tem uma área aberta muito gostosa - que resolvi deixar meu tinto de lado e pedi um branco da carta, que, pela boa procedência e baixo preço, me chamou a atenção. Tratava-se deste ótimo e baratíssimo branco da Fundação Eugénio de Almeida, bastante conhecido por produzir os vinhos Cartuxa, além de bons azeites.

Fiquei muito feliz por ter acertado na mosca! Elaborado a partir das castas antão vaz, perrum e roupeiro, esse vinho é um achado para o verão e também para acompanhar frutos do mar e peixes. Seus 13,5% de álcool passam despercebidos, pois estão perfeitamente integrados. Fruta branca e um toque cítrico, além da boa acidez, tornam esse vinho perfeito para dias quentes como os que prometem chegar.

É vendido pela Adega Alentejana e está em promoção, a cerca de R$ 35. Vale comprar de caixa e deixar na geladeira para beber nos próximos meses.

sábado, 4 de dezembro de 2010

Um pouco sobre o arroz na Free Time

A edição número 16 da revista Free Time já está no ar, com uma série de matérias bacanas para quem se interessa pelo mundo da enogastronomia.

Na seção Gastronomia, falo um pouco sobre a história do arroz e dou a receita do risoto de cogumelos frescos, um dos meus preferidos.

Confira, também, outras matérias interessantes e dicas nas seções sobre restaurantes, vinhos, bares, destilados e charutos.

Para acessar a Free Time, clique aqui.

quinta-feira, 2 de dezembro de 2010

Vitis Vinífera apresenta franceses na Sbav-SP (7/12)

Cassoulet, o original

Na última edição da revista Free Time, escrevi uma matéria sobre a tradicional culinária francesa e publiquei a receita original do Cassoulet do Languedoc, certamente uma das maravilhas da gastronomia mundia, que ultrapassou fronteiras e resistiu ao tempo.

Para acessar a matéria e ler um pouco da história e a receita do prato, clique aqui.

Ficha de degustação

Sempre me pedem, e eu decidi postar aqui um modelo de ficha de degustação. É a que a Sbav-SP utiliza e também a que aplico nas minhas confrarias.

A ficha de degustação é um documento que auxilia o degustador na análise dos vinhos, pois estabelece critérios e pesos comuns para a avaliação de um painel de degustação. 

É, também, um recurso muito útil para que o enófilo siga parâmetros técnicos para avaliar os vinhos provados e dar notas para eles. A ficha permite a um grupo de pessoas, como uma confraria, por exemplo, adotar um processo comum para a avaliação dos vinhos, o que possiblita a geração de uma nota média do grupo para cada exemplar analisado, passando pelos quesitos visual, olfativo e gustativo.

O sistema de pontuação da ficha, cuja escala vai até 100, é semelhante ao utilizado pelos principais críticos de vinhos nos EUA e no Brasil.

Para acessar a ficha, clique aqui.

domingo, 28 de novembro de 2010

Casa Flora apresenta franceses na Sbav-SP

Conhecida por trazer ao Brasil vinhos de diversas origens a bons preços, na próxima terça-feira, 30 de novembro, às 20h, a importadora Casa Flora estará na Sbav-SP apresentando alguns dos seus rótulos franceses. Serão degustados espumantes, brancos e tintos de boa relação custo-benefício:
  • Espumante Veuve du Vernay Brut R$ 32,67
  • Blason Timberlay Sauvignon Blanc 2008 R$ 32,12
  • Denis Dubordieu Le Clos Reynon 2008 R$ 37,90
  • Château des Aveylans Mas des Aveylans Cuvée Prestige Syrah 2005 R$ 44,97
  • Denis Dubourdieu Clos Floridene Graves Rouge 2006 R$ 82,72

Após a degustação, será servido jantar. Vale a pena participar e conferir!

Sócios: R$ 40
Não-sócios: R$ 80
Jantar: R$ 40

Obs.: Para pagamento até a véspera, há desconto de R$ 10 no valor do jantar.

Quando: terça-feira, 30 de novembro - 20h
Onde: Alameda Gabriel Monteiro da Silva, 2.586
Reservas: 11 3814-7905

sábado, 13 de novembro de 2010

O melhor merlot do mundo. Qual mundo?

Às vezes fico em dúvida se é brincadeira, se é jogada de marketing ou se é apenas "enopatriotismo" mesmo. Não sou daqueles que criticam o vinho nacional - pelo contrário, tenho muitos rótulos brasileiros na minha adega e vez ou outra abro um. Me surpreende a evolução da qualidade dos nossos vinhos. Mas geralmente o que me surpreende mais são os preços.

Enfim, já falei sobre isso em outra ocasião e não vou ficar me repetindo. Porém, me assusta a quantidade de "notícias" que leio diariamente em sites e blogs sobre o sucesso dos nacionais mundo afora.  Aí eu leio e tento entender os critérios e as motivações, mas quase sempre fico na dúvida expressa no início deste post.

Hoje, li sobre mais uma competição "internacional" na qual o merlot da Casa Valduga, o Storia, foi eleito "o melhor do mundo". Claro que tive de ler a notícia na íntegra e, desta vez, tive a sorte de encontrar o detalhamento do painel. Diga-se de passagem, no texto original não se fala de "melhor do mundo". A repercussão é que seguiu essa linha ufanista, talvez para endossar o discurso corrente de que, depois de fazermos o segundo melhor espumante do planeta, agora nossa vocação é a merlot.

O fato é que o "melhor do mundo" era, também, o "mais caro do mundo", exatamente o dobro do preço do segundo colocado. Os outros 24 exemplares custavam da metade para baixo, sendo que alguns dos "competidores" saíram por 1/5 do preço do vencedor. Detalhe: entre as garrafas havia argentinos, uruguaios, chilenos e americanos a preços, NO BRASIL, muito inferiores ao nacional campeão. Faça idéia do preço no país de origem.

Acho que nós, que repercutimos esse tipo de notícia, devemos ser um pouco mais criteriosos, pois corremos sempre o risco de fazer parte de um movimento de "auto-enganação" nacional. É no mínimo ingênuo afirmar que de um painel limitado e sem representatividade como esse (cadê os europeus?) saiu o melhor merlot do mundo, especialmente por haver vinhos de preços discrepantemente diferentes, denotando categorias de bebida também diferentes.

Só para fazer uma comparação com um vinho que bebi semana passada, coloque o Storia ao lado do San Leonardo, um bom merlot italiano importado pela Mistral, na mesma faixa de preço no Brasil (na Europa deve custar 1/4), e veremos se o nacional mantém a corôa e a majestade.

Informações sobre o painel: http://www.winereport.com.br/winereports/brasil-il-il/440

domingo, 26 de setembro de 2010

Mais do mesmo e a credibilidade da imprensa do vinho

A liberdade de expressão e o papel da imprensa estão sendo amplamente debatidos por conta das últimas declarações do presidente Lula e das eleições que se aproximam. O que vejo nas páginas de política me chama a atenção para um fenômeno que tem me incomodado nos últimos meses: a dúvida sobre a imparcialidade, a criatividade e a honestidade da imprensa especializada em vinhos.

Aqui, coloco também os blogueiros que se auto-intitulam jornalistas, muitos dos quais nunca passaram nem perto de uma faculdade de jornalismo. Mas não é a questão acadêmica que me incomoda, e sim a convivência promíscula entre a suposta imparcialidade jornalística e o marketing escancarado a serviço de produtores e importadores.

É claro que tanto a imprensa quanto blogueiros em geral podem e devem falar bem (ou mal) de vinhos, produtores, lojas e importadores. O que me incomoda é a obviedade do que tenho lido diariamente em revistas, jornais e sites especializados: a repercussão de eventos "boca-livre" patrocinados por empresários do vinho. Quando sei que uma importadora promoverá uma degustação para jornalista e formadores de opinião, já não tenho dúvidas de que, no dia seguinte, lerei dezenas e dezenas de textos iguais, quase cópias dos releases e convites, sobre o sucesso desse ou daquele vinho.

Tudo muito previsível, sem criatividade ou opinião pessoal. E muito compromisso com o promotor do evento, que é sempre enaltecido pelos convidados, nem sempre tão comprometidos em repercutir o que é bom de verdade ou o que realmente é muito ruim. Muitas vezes apenas preocupados em fazer a contrapartida e dar a "notícia" que não traz nada de novo ou de bom para quem procura informar-se sobre vinho.

Não tenho nada contra eventos para divulgação de novos produtos. Mas não acho saudável e nem produtivo que a mídia especializada limite-se a bajular quem promove esse tipo de evento. Sinto falta de avaliações e descobertas de verdade. Sinto falta de gente que garimpa e fala do que não é falado ou vendido pelo marketing da indústria vitivinícola. Leio diaramente publicações e blogs sobre vinhos à procura de novidades, mas no geral leio mais do mesmo. E quase sempre desconfio, pois não vejo verdade ou motivação especial em se falar bem ou mal de um rótulo.

Acho que a imprensa especializada e os formadores de opinião, se é que eles existem, deveriam repensar se querem ter credibilidade e contribuir para a evolução do consumo do vinho de qualidade no país ou se preferem se acomodar nos braços de produtores e importadores que só pensam em empurrar seus produtos para consumidores desinformados e, por que não dizer, traídos por quem deveria orientá-los.

quinta-feira, 23 de setembro de 2010

Casa Marin: excelência no Chile

Não sou de fazer apologia de produtor, média com importadora ou seja lá o quem for, pois acho que todos têm suas virtudes e seus defeitos. Mas o fato é que, a cada garrafa que abro da chilena Casa Marin, fico mais convencido de que, se este produtor não for o melhor daquele país, no mínimo está entre os 3 melhores. Não estou falando de ter o melhor vinho, como um Almaviva, Santa Rita, Don Melchor ou afins - apesar de que o Lo Abarca é um pinot de dar inveja a casas da Borgonha. Estou falando de ter consistência e qualidade em todas as linhas de produtos, da básica à top.

Tocado pela empresária Maria Luz Marin, essa vinícola se destaca não apenas pelos excelentes vinhos, mas pelo pioneirismo e pela consistência. Não é casa de um vinho só, o que demonstra bom terroir, excelência na produção, profissionalismo e competência de quem elabora esses vinhos. A produção vem de San Antonio, onde até pouco tempo não se plantava uva de qualidade, tampouco se produzia vinhos.


O fato é que, desde o pinot noir mais básico até o Lo Abarca, um "Borgonha" sulamericano, é difícil beber algo mediano. Recomento praticamente todos os vinhos, mas destaco, em especial, os pinot, cujo top é o fantástico Lo Abarca, e o sauvignon blanc Cipreses, para mim o melhor da América do Sul feito a partir dessa uva. Hoje, estou me surpreendendo, mais uma vez - ja bebi umas 3 ou 4 garrafas desse vinho -, com o excelente riesling da Casa Marin, que tem a tipicidade e qualidade dos melhores franceses e alemães.

Tá bom, sei que parece exagero - e os preços dos tops da casa realmente são. Mas vale provar antes de reprovar... Eu raramente sou enfático em elogiar uma empresa, mas esta realmente me conquistou.

Mais informações: http://www.casamarin.cl/

sexta-feira, 17 de setembro de 2010

Filosofia de bar a vin

Um professor de filosofia parou na frente da classe e, sem dizer uma palavra, pegou um vidro de maionese vazio e o encheu com pedras. Olhou para os alunos e perguntou se o vidro estava cheio. Todos disseram que sim.

Ele, então, pegou uma caixa com pedregulhos bem pequenos, jogou-os dentro do vidro, agitando-o levemente, e os pedregulhos rolaram para os espaços entre as pedras maiores.

Tornou a perguntar se o vidro estava cheio. Os alunos confirmaram:

- Agora sim está cheio!

Em seguida, pegou uma caixa com areia e despejou-a dentro do vidro, preenchendo o pouco espaço que ainda restava. Olhando calmamente para os estudantes, o professor disse:



- Quero que entendam que este vidro de maionese simboliza a vida de cada um de vocês. As pedras são as coisas importantes - sua família, seus amigos, sua saúde, seus filhos, coisas que preenchem a sua vida.
Os pedregulhos são as outras coisas que importam, como o emprego, a casa, o carro... Já a areia representa o resto, as coisas pequenas. Experimentem colocar a areia primeiro no vidro e verão que não caberão todas as pedras e os pedregulhos. O mesmo vale para suas vidas. Priorizem cuidar das pedras, do que realmente importa. Estabeleçam suas prioridades. O resto é só areia!

Após ouvir a mensagem tão profunda, um aluno perguntou ao professor se poderia pegar o vidro que todos acreditavam estar cheio, e fez novamente a pergunta:

- Vocês concordam que o vidro está realmente cheio?

Todos responderam, inclusive o professor:

- Sim, está!

Então, ele derramou uma taça de vinho dentro do vidro. A areia ficou ensopada, pois o vinho foi preenchendo todos os espaços restantes, fazendo com que, desta vez, ele ficasse realmente cheio.

Todos ficaram surpresos e pensativos com a atitude do aluno, incluindo o professor. Então ele explicou:

- Não importa o quanto a sua vida esteja cheia de coisas e problemas. Sempre sobra espaço para um vinhozinho!

sábado, 4 de setembro de 2010

Enogastronomia e a armadilha do bom gosto

Cada dia que passa estou mais chato com relação a certas situações, e isso não necessariamente tem a ver com a idade, mas certamente tem se agravado com o avanço dela. Por exemplo, hoje em dia eu não vou mais a "baladas", pois o fato de ser revistado na entrada e de ser tratado como mais um moleque louco por uma cerveja me deixa extremamente irritado. Ficar em filas de espera e ser servido como um morto de forme, por um garçom que parece estar fazendo um favor, é outra situação que não aceito mais, fato que também tem me afastado de lugares da moda.

E esse meu "mau humor" se aplica igualmente aos meus "hábitos alimentares". Está cada vez mais difícil escolher um lugar para jantar ou almoçar, pois o conjunto de fatores que passei a considerar no meu CFG (Coeficiente de Felicidade Gastronômica) está cada vez maior e mais complexo. Por exemplo, não consigo mais ir a um bom restaurante italiano ou francês e não beber um bom vinho. Mesmo em uma cantina italiana ou em um restaurante mais simples não me vejo bebendo outra coisa. A idéia de comer uma massa ou um risoto acompanhado de cerveja ou qualquer outra bebida me embrulha o estômago. Sempre fui bebedor de cerveja, coisa que ainda faço bastante, mas quase sempre em bares, churrascos, pubs ou situações específicas. Mas raramente saio do vinho quando quero fazer uma refeição de verdade.

Esse "fenômeno" tem se agravado nos últimos tempos e talvez explique a minha busca por restaurantes que não apenas sirvam boa comida e tenham bom atendimento, mas que também ofereçam boa e honesta carta de vinhos ou que permitam ao cliente trazer sua própria garrafa, a uma taxa justa. O fato é que, hoje, um almoço ou um jantar não são mais, para mim, apenas uma refeição. São momentos em que não quero mais apenas matar a fome; são, principalmente, eventos em que busco alcançar o maior prazer possível. E isso se aplica ao simples almoço que antes eu costumava fazer rapidamente, apenas para matar a fome durante um passeio, e que agora passaram a ser o momento principal da programação. O passeio passou a girar em torno da refeição!

Aparentemente, não há nada de mal em encarar a vida dessa forma, não fosse o "sofrimento" e o custo decorrentes disso. Trocar uma pizza com cerveja por um espaguete aos frutos do mar acompanhado de um belo riesling não é trocar seis por meia dúzia em termos financeiros. Ir ao shopping fazer compras e trocar o filé com fritas e o refrigerante da praça de alimentação pelo buffet do Bar des Arts ou pelo Ruffino's também não é lá uma troca equilibrada. É sair, literalmente, da água para o vinho, com todos os custos e as dificuldades que isso implica no Brasil.

Tenho percebido que, além de mais chato e crítico, possivelmente eu esteja menos feliz, pois não é fácil comer e beber bem o tempo todo. O que me fazia feliz há cinco anos já não me empolga mais, e cada dia que passa eu tenho mais dificuldade para tirar prazer de uma refeição, poir mais paradoxal que isso possa parecer, já que, hoje, eu tenho muito mais conhecimento, repertório, capacidade e sensibilidade para isso.

Descobri essa "armadilha enogastronômica" pouco tempo atrás, numa noite em que eu tinha pouco tempo e dinheiro para gastar. Ao pesquisar em revistas e na internet um lugar que atendesse a esses requisitos e que, ao mesmo tempo, tivesse a qualidade desejada, descobri que teria de ficar em casa mesmo e pedir uma pizza. Mas onde pedir uma pizza de alta qualidade, digna de acompanhar um belo vinho, que já estava pronto para ser abatido na minha adega?

terça-feira, 31 de agosto de 2010

Vinhos de garagem e a grande indústria no Brasil

É interessante como no Brasil há uma aura mágica em torno do vinho, o que propicia o aparecimento de alguns fenômenos "esquisitos" relacionados a essa bebida. Já comentei sobre a questão de preços, que apenas nos mostra que temos um mercado sedento por vinhos caros, tratados não apenas como uma bebida, mas principalmente como um símbolo de status social.

Um outro fenômeno pelo qual inclusive os iniciados no mundo do vinho se deixam envolver são a mágica vendida pelos chamados vinhos de garagem, também conhecidos como vinhos de butique, vinhos de autor, entre outros nomes românticos e cheios de glamour que o mercado oferece e que o consumidor compra.



Quando surgiram os primeiros produtores de fora do circuíto, com seus vinhos considerados diferenciados, eu mesmo me interessei e fui conhecê-los. Me parecia fantástico um cara que nem enólogo era, em alguns casos, conseguir elaborar maravilhas com poucos recursos, em sua pequena propriedade, numa região e num país cujo terroir não ajuda em nada a produção artesanal de vinhos finos.

Eu ficava imaginando como uma produção desse tipo, com quase nada controlado, poderia originar vinhos superiores ao das grandes vinícolas, que investem fortunas em bons profissionais, em tecnologia e em terrenos e vinhedos de alta qualidade. O fato é que, após provar esses vinhos - inclusive em degustações cujos temas eram os vinhos de garagem nacionais - constatei que, na esmagadora maioria dos casos, estávamos bebendo puro marketing. É incrível, mas a nossa indústria vitivinícola é fértil em criar "fatos novos" e "estrelas da enologia".

Não quero ficar relatando todas as experiências que tive, nem boas, tampouco as ruins, mas deixo aqui a minha conclusão. No Brasil, se queremos beber vinhos bons, equilibrados e com boa estrutura, temos de recorrer aos grandes produtores. As piores coisas que já bebi no Brasil são os tais vinhos de autor, que quase sempre se mostram "verdes", cheios de arestas, com pouco corpo ou com tantos outros defeitos resultantes da falta de controle de qualidade e dos processos de produção. Já bebi coisas boas do Bettú, mas também coisas pavorosas dele. Do Marco Danielle, bebi o Tormentas, que é um vinho intragável. De muitos outros pequenos produtores bebi vinhos fraquíssimos, dignos de serem esquecidos. Claro que já bebi coisas boas, mas quase sempre em safras específicas e aparentemente por conta do acaso, sem uma sequência de "sucessos".

A moral da história é que, se queremos beber vinhos nacionais bons, temos mesmo de recorrer aos grandes, como Miolo - para mim, o melhor produtor nacionais, especialmente com o seu Lote 43 e o Merlot Terroir -, a Salton - com seu Talento e Desejo - e Casa Valduga, com o Gran Reserva Chardonnay e o excelente Storia. Há outros não tão grandes, mas também bons, como Don Laurindo e Pizzato, dois produtores de ótima qualidade.

Enfim, essa é a minha percepção, baseada em minhas não tantas experiências, o que certamente coloca uma margem de erro razoável, já que certamente não bebi nem 5% dos vinhos de garagem espalhados pelo país. Essa é uma experiência que continuarei fazendo, por curiosidade, e que volatrei a comentar caso minha opinião mude. Por ora, o que eu vejo é mais um "mito da moda" caindo.

sexta-feira, 27 de agosto de 2010

Maratona de Amarone

Nos últimos meses, participei de excelentes degustações de um tipo de vinho que adoro: o Amarone della Valpolicella, do Vêneto. Em todas as oportunidades, os rótulos foram cuidadosamente selecionados, para termos painéis de relevância - uma das degustações, inclusive, foi com tops de verdade, incluindo produtores como Quintarelli e Romano dal Forno.

Não vou gastar tempo comentando os eventos, pois o importante foi a oportunidade de ter provado excelentes vinhos, alguns deles fantásticos, por isso me limitarei a dizer o que bebi e destacar o que for relevante. Como bebi vinhos repetidos, mas de safras diferentes, não incluirei as safras. Colocarei o vinho e a média das notas, de forma que esse ranking expresse minha preferências no mundo dos Amarone atualmente.

Vale destacar que as safras eram de 2001 a 2004, salvo uma ou outra exceção, como um Bertani de 1968.


No geral, tive poucas decepções com os rótulos abaixo. Talvez a maior delas tenha sido o Dal Forno Romano, pois imaginava ser algo do outro mundo pela fama que tem e pelo preço. É um ótimo Amarone, quase "mastigável", mas é carregado de madeira, aparentemente americana, o que descaracteriza, para mim, o "Amarone ideal" - gosto dos que mostram mais fruta passificada e menos maquiagem. Nessa linha, achei o Quintarelli muito superior, quase o "Amarone perfeito". O detalhe é que o Valpolicella do Dal Forno é um super vinho, daqueles para beber ajoelhado, que bate facilmente qualquer Ripasso disponível no mercado.

Saindo dos "super tops", descobri 3 rótulos que, ao lado do Villa Rizzardi - meu "Amarone do coração" -, não poderão mais faltar em minha adega. São eles o Campo Casalin e o Bussola (mais tradicionais) e o Bosan (modernoso, mas bem feito e sem exageros).

Desse painel, faltaram exemplares do Zenato e do Alegrini, que assim que provados comporão a lista - bebi ambos há mais de 2 anos e não dei nota a eles na época.

Vinhos e notas

1º Giuseppe Quintarelli                  93
2º Campo Casalin I Castei              92,5
3º Dal Forno Romano                      92
4º Tomaso Bussola Vigneto Alto      91,5
5º Guerrieri Rizzardi Villa Rizzardi   91,5
6º Tedeschi                                    90,5
7º Cesari Bosan                              90
8º Stefano Accordini Acinatico        89,5
9º Masi Costasera Riserva              88,5
10º Villa Erbice Vigneto Tremenel    88,5
11º Cesari                                      88,5
12º Masi Costasera                         88,5
13º Bertani Villa Arvedi                   88,5
14º Tommasi                                  88,5
15º Masi Mazzano                           88
16º Brigaldara                                 87,5