quinta-feira, 22 de março de 2012

Será, Salton?

A vinícola Salton, uma das gigantes brasileiras, acaba de soltar nota para a imprensa dizendo agora que é contra as medidas de salvaguarda. Agora que já praticamente emplacaram o plano maquiavélico dos grandes produtores para dificultar e encarecer a importação de vinhos? Agora que o apoio da Salton não é mais necessário, a vinícola se diz contra? E o que eles farão para reverter a situação? Usarão o poder que têm junto às entidades que os representam para impedir que as salvaguardas sejam implementadas? Ou apenas querem sair menos chamuscados dessa situação terrível que ajudaram a fomentar? Se a Salton se limitar à nota, de forma oportunista e covarde, será a primeira vinícola brasileira a sumir da minha adega. Espero que não me decepcionem e revertam a caca que criaram...

Esta é a nota:

Nota à imprensa

A Vinícola Salton esclarece que são as entidades representativas do setor, Ibravin, Uvibra, Fecovinho e Sindivinho que estão à frente do movimento para salvaguardas dos vinhos nacionais. A Salton, compreendendo que estas medidas podem restringir o livre arbítrio de seus consumidores, encaminhou ao Ibravin um documento informando que não apoiará a causa. Reforçamos ainda que a Salton, uma empresa centenária e brasileira, se preocupa muito com seus clientes e consumidores e que busca constantemente o melhoramento de seus processos e produtos, por meio de investimentos em novas tecnologias e programas de qualidade, para concorrer, de forma justa, com produtos nacionais e importados.

Assessoria de Imprensa  

sexta-feira, 16 de março de 2012

A indústria do vinho nacional envergonha o Brasil

Como brasileiro e consumidor de vinhos nacionais, estou envergonhado pelo que os nossos grandes produtores estão tentando fazer com o mercado de vinhos no Brasil. Mais do que envergonhado, estou frustrado, pois a tentativa junto ao governo de inviabilizar a importação de vinhos e eliminar a concorrência é um sinal claro de que nossos produtoras já não acreditam mais na sua capacidade de elevar a qualidade dos vinhos que vendem. Parecem não se achar competentes o suficiente para competir, ainda que tenham todas as condições para trabalhar com preços melhores do que os importados.

O que eu vejo na nossa indústria vitivinícola é a incapacidade de fazer nossos vinhos serem algo além do mediano ou, se é nessa faixa de qualidade que se pode atuar, fazer com que os preços sejam competitivos nessa faixa de vinhos mais simples. Os produtores brasileiros jogaram a toalha e acreditam que só sobreviverão se eliminarem os vinhos de melhor qualidade do mercado ou se jogarem seus preços na Lua, tornando-os inviáveis. E é isso que pretendem medidas idiotas como obrigar os importados a terem rótulos em português e dobrarem o imposto de importação.

Vejo nessa história toda um misto de incompetência, ganância e covardia. Me revolta saber que nossos produtores, em vez de melhorarem e baratearem seus produtos, preferem fazer lobby para aumentar impostos em um país cuja carga tributária já é absurda, em um país em que o vinho é visto como bebida de gente rica de tão caro que é. E a prova de que o objetivo é somente eliminar a concorrência para se refestelarem na mediocridade é que eles não estão trabalhando para reduzir seus próprios impostos, mas sim lutando para nos proibir de consumir vinhos de alta qualidade.

Eu já fiz uma promessa: se os impostos para importação de vinhos subirem, eu NUNCA MAIS compro uma garrafa de vinho nacional. Nem espumantes!

domingo, 4 de março de 2012

O "primeiro espumante do mudo" é o último que eu beberia!

Há tempos leio sobre esse espumante de Limoux, na França, e hoje resolvi provar. Reza a lenda (uma delas) que este é o primeiro espumante do planeta. Mas eu não beberia novamente nem se fosse  o último! Custa metade do preço de um champanhe básico em promoção e o dobro de um espumante nacional de boa qualidade. Qualquer um deles é bem mais negócio. Aliás, há um mar de prosecco, cava e outros espumantes mais baratos que são muito melhores.

Não caia no marketing desse espumante. Apesar de francês e da propaganda do produtor e do importador, não vale metade do que custa.

Mediterrâneo: ótimos brancos, sem a mesmice das cepas francesas

Semana passada, uma das minhas confrarias, a Sereníssima, fez uma experiência muito interessante com vinhos brancos elaborados em países banhados pelo Mar Mediterrâneo. A proposta era que cada confrade escolhesse uma região e levasse o seu exemplar. Degustamos rótulos da Itália (Sicília, Sardenha e Campanha), Espanha (Penedés), França (Coteaux de L'Ardeche e Gaillac), Croácia (Orebic) e Grécia (Peloponeso). Incluímos também um português do Alentejo, como "coelho", mas ele claramente destoou, apresentando estrutura e características bastante diferentes dos brancos do Mediterrâneo.

A grande lição que tirei desse painel foi que existem vinhos brancos de ótima qualidade quando saímos das cepas óbvias como Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, Gewurstraminer, Chenin Blanc, Torrontés, Viura e outras produzidas em diversos países e que inundam as prateleiras das importadoras. Bebemos vinhos elaborados com uvas autóctones de nomes estranhos, como Insolia, Posip, Xerel-lo, Loin de L'Oeil, Moshofilero e Roditis. E revisitamos outras mais conhecidas, como Fiano di Avellino e Vermentino di Sardegna.

Fui para a degustação sem muitas expectativas, esperando beber vinhos diferentes e até mesmo alguma coisa interessante, de melhor qualidade. A grata surpresa foi ter bebido vinhos de fato bons e nada exóticos. Tive o prazer de conhecer produtos muito bem elaborados, com algumas características diferentes das cepas e regiões mais conhecidas. E o melhor: como são vinhos menos comerciais, os preços são ótimos. Bebemos vinhos de 88 e 90 pontos pagando entre R$ 50 e R$ 80. Uma pechincha se compararmos com franceses, espanhois, italianos, alemães, neozelandeses, chilenos e argentinos produzidos com uvas mais comerciais.

Os detalhes da degustação podem ser conferidos no blog da Sereníssima. Deixo aqui as dicas dos vinhos que mais me chamaram a atenção pela ótima relação custo-benefício, dos quais já fiz um pequeno estoque em minha adega: o Zagra Insolia, da Sicília (R$ 81 na Vinea), e o Is Argiolas, da Sardenha (está em promoção a R$ 54 na Expand). São vinhos típicos de duas ilhas italianas, valem cada centavo e merecem ser conhecidos.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Boa compra: Codorníu, ótimo cava a preço de espumante nacional

Estou felizmente surpreso com o cava Codorníu, que bebo agora neste final de tarde quente de Carnaval. Preço de espumante nacional, com excelente qualidade. Boa complexidade e acidez, nariz muito típico, persistente na boca e sem defeitos. Mesmo mais quente mantém o frescor.

Paguei R$ 40 - como sócio da Sbav de São Paulo, tenho 20% de desconto na Interfood, que comercializa este ótimo espumante espanhol a R$ 49,90 no site de vendas deles (www.todovino.com.br).

Vale cada centavo e adotarei como um dos meus espumantes para o dia-a-dia!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sbav-SP começa 2012 com a agenda recheada de eventos!

Minha querida Sbav inicia 2012 com a agenda cheia de atividades, incluindo o tradicional curso básico de vinhos, um curso especial com o amigo e confrade Aguinaldo Zackia e uma noite que promete com os bons vinhos italianos da Tahaa, no excelente Rosmarino, das amigas Stela e Angela. O ano promete!

27 de fevereiro - Curso de Champanhe e Espumantes, por Aguinaldo Zackia: Nesse dia, o escritor e crítico de vinhos Aguinaldo Zackia Albert ministrará o Curso de Champanhe e Espumantes especialmente para os associados e amigos da Sbav. Clique aqui e saiba mais.

28 de fevereiro - Norte da Itália é o tema da primeira degustação de 2012: Os bons vinhos do Piemonte e do Vêneto, duas das mais consagradas regiões produtoras da Itália, serão o tema do primeiro evento enogastronômico promovido pela Sbav neste ano! A degustação dos vinhos trazidos pela importadora Tahaa, que será seguida de jantar, acontecerá no restaurante Rosmarino. Clique aqui e saiba mais.


5 de março - Início do Curso de Formação e Introdução ao Mundo do Vinho: Direcionado a quem está iniciando suas experiências na área, o curso aborda temas como a história da bebida, os tipos de vinho e vinificação, técnicas de degustação, compra com base nas indicações do rótulo, serviço, tipos de taça e harmonização com comida. Clique aqui e saiba mais.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Boa compra: Argiano Rosso di Montalcino 2008

Saí para almoçar com minha família no sempre bom italiano Villa Cioé, na Rua Tupi, e pedi esse rosso, de forma despretensiosa. Me surpreendi! Ótimo preço para o que oferece, certamente um dos melhores rosso que já bebi. Tabaco e chocolate no nariz. Ótima acidez, bom corpo e boa persistência. Delicioso!

É vendido pela Vinci a cerca de R$ 85. Comprei umas garrafinhas para ter na adega. Altamente recomendado!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Sbav abre 2012 com curso de Champanhe e Espumantes

A Sbav-SP começa o ano com novidades. A Associação Brasileira dos Amigos do Vinho acaba de lançar o Curso de Champanhe e Espumantes, ministrado em uma única aula, no dia 27 de fevereiro, por um especialista no assunto, o amigo e confrade Aguinaldo Zackia, autor do livro Borbulhas - entre outros.

Além de degustar champanhe e outros bons espumantes de diferentes países, os participantes terão a oportunidade de aprender um pouco mais sobre a bebida, incluindo a sua história, métodos de elaboração e classificação.

Trata-se de um evento altamente recomendado, cujos detalhes podem ser conferidos em www.sbavsp.com.br. Inscrições: 11 3814-7905 ou vinho@sbavsp.com.br.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Bota-fora no lixo

Uma decepção. É assim que defino as "superofertas" que recebi das primeiras importadoras a anunciar os seus "bota-fora" de começo de ano. Vi diversos blogs e sites festejando a chegada dessas promoções, mas o fato é que, via de regra, o que estão queimando é vinho encalhado. Os que são um pouco melhores têm apenas pequenos descontos.

Até agora não vi nada próximo do que foram os bota-fora de 5 ou 10 anos atrás, quando de fato podíamos comprar ótimos vinhos pela metade do preço. Me divertia e chegava a me emocionar com vinhos evoluídos e prontos para o abate, que eram vendidos a preço de banana para liberar espaço nos estoques ou apenas por que tinham pequenos defeitos no rótulo ou na rolha. Quantos belíssimos vinhos eu já comprei por 1/3 do preço apenas por que a rolha estava infiltrada ou o rótulo sujo pelo vinho vazado de outra garrafa!

De alguns anos para cá, a  verdade é que esse tipo de achado, que antes garimpávamos nas importadoras, deve estar sendo repassado "en primeur" para amigos e clientes vips. Para os simples mortais, sobra o bota-fora no lixo.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Espumantes para os dias e noites quentes que vêm por aí

Final de ano é época de beber espumante. No Brasil, o calor do verão é uma razão a mais para que isso aconteça e para que a bebida não seja consumida apenas nas comemorações do Ano Novo. Eu, por exemplo, faço estoque, pois o calor vai longe e bons espumantes são o melhor que podemos beber, seja na praia, seja aqui em São Paulo mesmo.

Geralmente coloco parte das garrafas na adega e parte na geladeira, para facilitar as coisas. Chegar em casa após o trabalho, numa noite quente, e ter de esperar o vinho atingir os 6ºC pode ser desesperador... Melhor deixar as garrafas do "dia-a-dia" prontas para o abate! Boas opções para essas ocasiões mais cotidianas são o Casa Valduga Arte Brut e o Dal Pizzol Brut Rosé. Ambos na faixa de R$ 25 a R$ 30 - vale comprar em maior quantidade ou direto dos produtores para pagar menos.

Já numa faixa acima, que vai de R$ 35 a R$ 70, geralmente opto por estes: Cave Geisse Brut, Casa Valduda 130Adolfo Lona Brut Champenoise, Miolo Millésime e Dal Pizzol Brut Champenoise. Entre os rosés, opto pelo bom portugês Filipa Pato 3B. Todos são muito legais e podem ser encontrados em casas especializadas, supermercados e sites na internet.

Para quem quer investir um pouco mais - algo entre R$ 150 e R$ 200 -, recomendo os champanhes Piper-Reidsieck Brut e Deutz Brut, que estão na faixa de preço dos champanhes mais manjados do mercado brasileiro, mas têm qualidade superior. Entre os franciacorta, recomendo o bom e velho Cuvée Prestige Cà del Bosco.

Mas se você quer experimentar algo diferente e sair do lugar-comum, duas experiências recentes me chamaram a atenção: o australiano Bridgewater Mill (Petaluma Wines), vendido pela Wine Society, e o húngaro Hungaria Grand Cuvée Brut (Törley), importado pelo Empório Húngaro. Ambos a menos de R$ 100 e muito interessantes.

Estas são as minhas dicas para encarar o calor sem ter de abrir mão de um bom vinho.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Casa Vidigal abre loja na Oscar Freire

Ontem, precisei comprar alguns vinhos para levar a um jantar e resolvi conhecer a recém-inaugurada loja da Casa Vidigal, na Rua Oscar Freire, 2.236, a duas quadras do Metrô Sumaré. Trata-se de mais uma boa opção na região, até então praticamente restrita ao tradicional Confraria Queijo & Vinho, na Av. Dr. Arnaldo.

São cerca de 500 rótulos, do Velho e do Novo Mundo, a preços interessantes, no geral. O Quinta da Bacalhôa 2008, a R$ 98, é um bom exemplo. Há opções bastante conhecidas, trazidas por grandes importadoras, como o Amayna, da Mistral. Outras, não tão fáceis de serem encontradas, como o bom neozelandês Cloudy Bay Sauvignon Blanc, que inclusive foi um dos vinhos que comprei para o jantar. Muito bacana, como geralmente são os sauvignon blanc da Nova Zelândia.

A lista de espumantes inclui opções que vão de Champanhe a bons nacionais, como o Casa Valduga 130. Para acompanhar a sobremesa, também há opções além dos manjados colheita tardia sulamericanos e de Vinhos do Porto, como Moscatéis de Setúbal - incluindo o Roxo -, Madeira e Tokay. A casa também trabalha com destilados e oferece um pequeno espaço para cursos, palestras e degustações. Vale conhecer.

Mais informações: www.casavidigal.com.br

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Americanbox e o conto do vidraceiro

Mais uma vez sou obrigado a utilizar este nobre espaço, usualmente dedicado ao prazer, para denunciar empresas que não são sérias e que, a despeito de deitarem e rolarem sobre o Código de Defesa do Consumidor e da Lei, continuam atuando e enganando desavisados como eu. A partir de agora vocês não poderão dizer que não foram alertados sobre a forma de atuar da Americanbox, que vende o serviço, pega o dinheiro e some. Parece incrível, não? Eu também duvidaria se me contassem. Mas é a mais pura verdade, que me custou R$ 4.500. Estes são aos fatos...

No dia 27 de outubro, contratei a Americanbox para executar o serviço de fechamento de 3 sacadas e 2 boxes de banheiro. Os prazos combinados foram 11/11 (boxes) e 27/11 (sacadas). Na assinatura da proposta, entreguei 2 cheques no valor de R$ 4.500 cada, com vencimentos em novembro e dezembro. Para a minha surpresa, em ligação realizada na primeira semana de dezembro para saber a razão do atraso na entrega dos itens contratados, descobri que o projeto simplesmente não foi feito por "problemas técnicos" (será?). A Americanbox não me contatou para comunicar tal fato e esperou eu entrar em contato, mais de 30 dias depois, para me dizer que "cometeram um erro" no projeto e que ele havia sido cancelado!

Como um dos cheques já havia sido descontado – mesmo depois de a Americanbox saber da inviabilidade do projeto –, venho enfrentando muitas dificuldades e descaso para recuperar meu dinheiro. Eles simplesmente não me atendem, não respondem e-mail e, quando eu consigo falar, dizem que o “cancelamento” já foi encaminhado e que será aprovado por toda a gerência antes da devolução do dinheiro. A previsão é que o processo leve 20 dias. Pedi para formalizarem esse prazo por e-mail, mas eles simplesmente não fazem e dizem que não podem prometer nada. Como se estivessem me fazendo um favor de devolver o dinheiro que tomaram de mim!

Considerando que não se trata de desistência de compra, mas sim da não-entrega deliberada do que foi comprado e pago, mando e-mails diariamente para a Americanbox há duas semanas, exigindo a devolução imediata do meu dinheiro. Nenhum dos contatos que faço é retornado. Nessa série de e-mails, disse inclusive que tomaria as providências cabíveis, entre elas acionar o Procon e fazer um Boletim de Ocorrência por estelionato, que é exatamente do que se trata. Mas nada comove ou amedronta a Americanbox, que parece certa da impunidade!


Continuo aguardando a devolução do meu suado dinheiro, mas já estou buscando a solução em outras esferas. As amigáveis estão praticamente esgotadas. Basta ver a ficha corrida desta empresa no site Reclame Aqui para desanimar e ter a certeza de que a dor de cabeça vai longe. Viver no Brasil definitivamente é um desafio de paciência...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Boa compra: Clos de Torribas Reserva

Para compensar a reclamação do post anterior, termino o feriado com uma boa dica de compra, daquelas fáceis de realizar. Estou falando do Clos de Torribas Reserva, no caso, safra 2005, comprado no Pão de Açúcar. É um vinho espanhol, de Penedès, que surpreende pela relação entre qualidade e preço. Custa R$ 45,90 e vale cada centavo. Comprei por curiosidade e tive uma grata surpresa. Acompanhou uma pizza, mas poderia ter feito bonito em companhia de muitos outros pratos, como risotos, massas e carnes leves.

No visual, já mostra alguma evolução. No nariz, é complexo, lembrando os bons tempranillo espanhois, com boa madeira, um toque de fruta bem madura e baunilha, mas prevalecendo os aromas terciários. Na boca, traz frutas vermelhas, o tostado da madeira e um pouco de couro no retrogosto. Médio corpo e boa intensidade. É o tipo de vinho que agrada principalmente quem curte rótulos do Velho Mundo, pois não carrega na fruta e no álcool. Vale cada centavo e pode ser encontrado no supermercado, o que ajuda muito.

Recomendo para o dia-a-dia e também para uma recepção, quando se quer algo barato, que agrade a todos e que vá bem com o maior número possível de alimentos.

Sujinho e durinho

Evito postar críticas a lugares que visito, pois acho mais útil e interessante gastar tempo e espaço no blog para dicas positivas. Porém, a decepção de hoje foi tamanha que resolvi registrar.

Por incrível que possa parecer, eu ainda não conhecia o Sujinho, na Consolação, apesar das inúmeras recomendações de amigos e dos incontáveis elogios publicados pela imprensa. O fato é que nesta manhã fui comprar materiais de iluminação na Consolação e resolvi finalmente conhecer a famosa bisteca bovina do Sujinho. A expectativa era grande, do tamanho da própria bisteca.

Ao entrar no restaurante, tive a sensação de estar no também famoso Filé do Moraes da Alameda Santos. O estilão é bem parecido, um misto de restaurante mais simplório e tradicional, com garçons antigos vestindo aquele uniforme branco e antiquado. Enfim, nada de surpresa e tudo muito parecido com o que eu imaginava. Mas a bisteca...

Bom, assim que cheguei, peguei o cardápio apenas por desencargo de consciência, pois estava decidido a pedir o carro-chefe da casa. Para acompanhar, meia porção de fritas e meia de arroz carreteiro. Cerca de 15 minutos depois chega a bisteca, bela, suculenta e ao ponto, como eu imaginava. Saquei o garfo e a faca para iniciar o ataque, mas tais instrumentos se mostraram quase inúteis diante da rigidez da carne. Comecei de novo, cortando a partir da outra ponta, mas os "nervos de aço" estavam por toda a parte. Repeti o procedimento, na esperança de encontrar uma frente de batalha menos dura, mas foi em vão. Quando eu pensei em reclamar para o garçom, já havia picotado toda a bisteca.

Fiquei tentando encontrar explicações para o que acontecia. Seria a falta de hábito de comer bisteca? Não era o caso, pois esse é um tipo de carne que estou acostumado a comer e inclusive a preparar. Seria azar e eles erraram na minha vez? Isso pode ser... Mas, de qualquer modo, é imperdoável acontecer justo com o carro-chefe da casa. É como o Jardim di Napoli errar no Polpetone ou o Ponto Chic no Bauru.

Como essa bisteca é quase um mito, quis registrar aqui que comi e não gostei. Foi certamente a pior que provei nos últimos tempos, apesar de o sabor estar ok (nada de especial, mas agradável). O Sujinho definitivamente se sujou comigo.

domingo, 6 de novembro de 2011

Bons Vino Nobile em uma noite toscana surpreendente


Ontem, bebi 5 diferentes Vino Nobile di Montepulciano e achei interessante como a qualidade deles era quase que inversamente proporcional ao preço. A degustação aconteceu na casa de um casal de amigos, que nos recepcionou com um ótimo menu "à toscana". O prato principa, um Pici al Ragu di Filetto, estava excelente! Filé cortado na ponta da faca em um molho de tomates delicioso, que banhava a típica massa toscana, semelhante ao bucatini.

Mas voltemos aos vinhos. Começando pelo mais fraco, o Redi 2004, oferecido pelos donos da casa (explicada a bajulação do primeiro parágrafo). Foi trazido na mala, e a expectativa era grande pela "exclusividade" do rótulo. Custou 25 euros (seria uns R$ 200 no Brasil?). Frutado do nariz, com toque vegetal. Na boca, um pouco magro e curto, com acidez a desejar.

A decepção, para mim, foi o Dei 2006, que custou R$ 118 e f
icou em penúltimo lugar. Muita fruta fresca, em especial cereja. Na boca, caramelo, taninos jovens e boa acidez. Corpo magro e pouco persistente. Não promete muito. Já na terceira posição, o Avignonesi 2005, a R$ 156. Um pouco fechado, com um toquezinho floral. Tânico demais na boca, deixando uma secura "chata". No entanto, boa acidez e talvez um dos que melhor evoluirão. Certamente foi bebido cedo demais.

Em segundo lugar, o excelente e típico Poliziano 2006, tecnicamente empatado com o primeiro. Nariz bastante complexo, com floral, fruta madura, terra, cogumelos, um pouco de baunilha e um discreto químico. Este custou R$ 135. Já o melhor, mais complexo e surpreendente foi o La Braccesca 2004, que custou R$ 95. Muito intenso na cor, nariz rico em frutas passificadas, couro e ervas. Ótimo corpo e boa persistência. Um vinho acima da média, suculento, quase um Brunello. Aliás, talvez melhor do
que alguns deles. Excelente compra!

Em tempo: Aproveito para fazer uma menção honrosa ao Vernaccia di San Gimignano Riserva do Palagetto, oferecido pelo casal de amigos, que abriu os trabalhos. Belíssimo vinho! 

sábado, 29 de outubro de 2011

Villa Cioé: gastronomia italiana de primeira e "rolha livre"

A minha mais recente descoberta é o Villa Cioé, mais um bom restaurante na Rua Tupi, em Higienópolis, este com foco na culinária da Toscana. Apresenta uma cozinha muito correta e caprichada, coisa rara de se encontrar em restaurantes sem "nariz empinado", sem estrelas e preços estratosféricos. Esse entrou na minha lista de ótimos restaurantes "viáveis", ou seja, nos quais eu possa ir sem que para isso haja uma data especial ou eu tenha de lavar a louça. Alto nível sem abusar na conta.

O forte no Villa Cioé são as especialidades toscanas, como o delicioso Capelle de Finocchiona, uma massa recheada com o típico salame italiano com erva doce, ou finocchio, como esta hortaliça é chamada na Itália. É puxado em uma espécie de molho branco aromatizado com ervas e temperos. Delicioso!

Para a entrada, não dispenso os arancini, típicos bolinhos italianos preparados com "restos" de risoto. Na sequência, ainda para abrir o apetite (para quem tem pouca fome é possível parar por aqui), recomendo as polentinhas cremosas, servidas em panelinhas. São três opções: lula, cogumelos e parmesão com azeite trufado. Geralmente opto por esta última.

Para os amantes do vinho, a boa notícia é que, além de oferecer boa carta de vinhos e preços adequados, o restaurante permite que se leve a própria garrafa, sem cobrar taxa de rolha. Para mim, esse é um atrativo e tanto. A propósito, o serviço é muito bom também. Para quem tem confraria, recomendo realizar encontros por lá. Realizei um semana passada e está mais do que recomendado. Há 2 salas no andar superior que comportam até 10 pessoas cada. O serviço fica a cargo do competente Fernando e da turma atenciosa e discreta que trabalha na casa.

domingo, 18 de setembro de 2011

Boa compra: Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2007

Nesta semana estive no Ráscal do Shopping Villa Lobos, um dos meus favoritos, e tive a felicidade de receber uma bela dica do sommelier dessa unidade, o Rodrigo Sbruzzi. Desta vez a grata surpresa é um vinho nacional, que me surpeendeu pela qualidade para um vinho teoricamente mais simples e elaborado com uma uva que sozinha não costuma resultar em grandes vinhos.

Trata-se do equilibradíssimo Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2007. Com taninos aveludados, bom corpo, boa intensidade e boa persistência, esse vinho vai muito além do que se espera de um rótulo dessa linha mais simples, que custa cerca de R$ 35 nas lojas do ramo.

Foge daquele herbáceo com fruta madura que caracteriza alguns nacionais mais simples, muitas vezes enjoativos por serem verdes ou vinsos demais. Este é diferente. Mostra boa fruta, sem nada que remeta a colheita prematura ou qualquer outro problema com as uvas. Madeira bem trabalhada, que confere uma baunilha sutil e um pouco de couro. Muito além do que eu imaginava. Briga com vinhos do nível do Salton Talento e do Merlot Terroir, também muito bons, mas que custam pelo menos o dobro.

Recomendo este vinho e as dicas do competente Ricardo. E, é claro, recomendo o Ráscal do Villa Lobos, que além de boa comida tem uma carta excelente.

domingo, 11 de setembro de 2011

Culinária portuguesa em alta em São Paulo

Já mencionei aqui o Quinta de Santa Maria por conta da taxa de rolha adequada, mas não comentei sobre a qualidade da culinária deste ótimo restaurante português, injustamente ainda pouco falado e conhecido em São Paulo. Outros mais requintados acabam ganhando a cena, como A Bela Sintra, Antiquarius e Bacalhoeiro - todos excelentes, mas caríssimos e muitas vezes exagerados na sofisticação e no serviço. Não vou gastar muito tempo descrevendo o ambiente, o atendimento e o menu, pois o que vale é ir e conferir. Dou apenas a dica.

O Quinta de Santa Maria está localizado longe dos holofotes da imprensa especializada, na Rua Cerro Corá, no Alto da Lapa. Trata-se de uma casa com decoração tipicamente portuguesa, com uma varanda muito gostosa na entrada, onde eu costumo ficar nos dias de sol. Ao lado do bar, está a dega, que tem uma grande variedade de rótulos, especialmente portugueses, a preços justos. Muitas vezes levo meu vinho e acabo deixando na sacola mesmo, especialmente pelas boas opções de vinhos verdes e brancos maduros, alguns de fabricação própria.

Do cardápio, já provei quase tudo. Mas geralmente fico nas alheiras e no bolinho de bacalhau de entrada, ambos fora de série. Para o prato principal, recomendo todos os de bacalhau, em especial o Gomes de Sá. O arroz de pato e as opções com cabrito também são fantástica. Na minha opinião, não fica devendo para os patrícios mais estrelados da cidade. Mais informações: www.quintadesantamaria.com.br/

Aproveito para mencionar o novo Tasca da Esquina, filial brasileira do homônimo lisboeta e que também surpreende pela qualidade do que oferece. A carta não é tão vasta, mas há coisas boas, também com ênfase em Portugal. Esse está localizado em ponto nobre, na Alameda Itu, e a conta já é um pouco mais salgada, como quase tudo naquela região. Mas vale a visita também. É uma ótima alternativa aos tradicionais e caros portugueses paulistanos. Mais informações: www.tascadaesquina.com.br/

sábado, 13 de agosto de 2011

Lojas boas e baratas e SOS vinhos

Semana passada postei uma dica de loja com bons preços em Santiago, no Chile, e um amigo me perguntou por que eu nunca dei dica de lojas "barateiras" aqui no Brasil. Na verdade, a questão é que eu compro muito em importadoras, pois geralmente não compro apenas uma garrafa e sempre há vantagens para quem compra em maior quantidade - seja em descontos, seja na isenção de frete.

No entanto, vira e mexe eu preciso de um vinho específico para uma degustação, jantar ou almoço de última hora. Aí tenho, sim, quem me abasteça. Muitas vezes cobrando menos do que na própria importadora. E, muitas vezes, oferecendo safras já indisponíveis nas importadoras e uma variedade que não se encontra em um único lugar, mesclando nacionais e importados.

Indico, aqui, os lugares nos quais compro vinhos quando preciso de algo com urgência, muito específico, de safra antiga ou com preço melhor do que eu conseguiria na importadora.

Empório Fernandes
É uma pequena loja na Pamplona (está mais para um showroom), onde o Adair e equipe atendem clientes para fechar o fornecimento de vinhos para eventos. De quebra eles também vendem no varejo e mandam buscar o vinho que você precisar, em quase qualquer importadora do Brasil, repassando ao cliente ao mesmo preço ou, dependendo do caso, com desconto "especial". Já tive algumas emergências e em questão de poucas horas colocaram a garrafa que eu precisava nas minhas mãos. É o meu SOS Vinho: www.emporiofernandes.com.br

Venews
Também fornecedora de vinhos para eventos, esta loja mantém um espaço grande na Brigadeiro Luis Antônio para expor seus produtos. Tem bons preços, equivalentes aos das importadoras, mas aqui você encontra coisas como o Gattinara Travaglini Reserva Magnum safra 2001 e outros bons italianos, franceses e chilenos "fora de linha". Encontra, também, vinhos tops, como uma vertical de Almaviva, incluindo safras mais antigas e alguns dos Premier Cru de Bordeaux. Vende outras bebidas e alimentos: venewsbebidas.com.br

Boccati
Esta fica em Caxias do Sul, no RS, e é um achado para mim. Para quem gosta de vinhos de safras mais antigas, aqui é possível comprar Brunello da década de 90 e outras coisas do começo da década passada. A variedade é boa e inclui nacionais também, quase sempre a preços bem abaixo do que se paga em São Paulo. Vale fazer um pedido grande para ganhar no frete. Geralmente lanço mão dessa alternativa quando quero comprar algo que não encontro em São Paulo e estou com vontade de incluir alguns espumantes nacionais no pedido. Quase sempre os importados que eles vendem estão abaixo do preço da importadora em São Paulo: www.boccati.com.br

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Loja de vinhos mais barata do Chile e vinícola promissora

Na última semana estive em Santiago, no Chile, conhecendo o que possivelmente é a capital mais bonita da América do Sul. Fantástica, limpa e organizada. Passei a admirar ainda mais os chilenos.

O passeio todo foi muito legal e prazeiroso. Eu poderia passar horas escrevendo, mas a minha profissão me ensinou que "menos é mais". Assim, vou ser pontual e dizer somente duas coisas que quem estiver no Chile não pode perder:

Comprar e jantar na loja mais barata que conheci
Além de contar com boa parte dos melhores vinhos do país, incluindo os chamados "tops", a pequena loja Baco tem os preços pelo menos 20% menores do que consagradas como El Mundo del Vino e Wain. E essa é a política deles, segundo a simpática e competente Marina, brasileira radicada no Chile e que é certeira em suas dicas. Ao lado da loja também há um bistrô muito aconchegante, onde possivelmente fiz minha melhor refeição no Chile - acredite, bebendo um dos tops (Don Maximiano), paguei menos do que costumo pagar em restaurantes medianos em São Paulo. Para quem mora no Brasil, beber e comer em Santiago é uma festa! Baco Vino y Bistro: Nueva de Lyon, 113 ou Santa Magdalena, 116 (2 entradas), bairro Providência. Telefone para fazer reserva do Brasil (aconselhável): 56 2 231 44 44.

Conhecer uma vinícola promissora, com foco na qualidade e na sustentabilidade
Tive a chance de visitar a Pérez Cruz (www.perezcruz.com), que ainda está fora do circuíto turístico do Chile, mas na qual aposto minhas fichas no sucesso, seja pelos excelentes vinhos que produz, seja pela filosofia de respeito e sinergia com o meio ambiente. Isso está claro desde a arquitetura da empresa até a forma como produz seus vinhos. Durante a visita fui guiado pelo Alejandro, entusiasta da empresa onde trabalha, o que para mim é mais um sinal claro de que ela está no caminho certo. Provei seus vinhos e recomendo fortemente, pois fogem do padrão "fruit bomb" de muitos vinhos badalados da América do Sul. No Brasil, por sorte nossa, os vinhos da Pérez Cruz são importados pela também promissora Abflug (www.abflug.com.br).

De tudo o que eu vi e fiz no Chile, recomendo isso!