domingo, 22 de abril de 2012

Proteste contra as salvaguardas na Expovinis 2012


Farei como sugerido pelo amigo João Filipe Clemente. Irei de preto à Expovinis e ignorarei os estandes e eventos de vinhos nacionais.

Vamos dar um grande NÃO aos mentores desse crime contra o vinho e contra o consumidor brasileiro!

terça-feira, 10 de abril de 2012

Contraproposta aos produtores nacionais

Estou disposto a levantar a bandeira branca na guerra contra as salvaguardas. Para que os produtores nacionais não acusem de intransigentes aqueles que defendem o boicote ao vinho brasileiro, acho justo fazer uma contraproposta e abrir um caminho de conciliação. A ideia é a seguinte: se a Ibravin e as demais entidades que representam as vinícolas nacionais retirarem o pedido de salvaguardas, me comprometo a puxar o movimento para redução de impostos para o vinho nacional.

Tenho certeza de que a adesão de blogueiros, jornalistas, lojistas, restaurantes e associações como Sbav e ABS, além dos consumidores, será imediata. A proposta seria aproveitar a mobilização contra as salvaguardas para pressionar o governo a reduzir a altíssima carga tributária imposta aos produtores brasileiros. Se a proposta for aceita, começo no dia seguinte a campanha, com força total, e sei que não estarei sozinho. Aliás, sei inclusive que as associações que representam os supermercadistas entrariam numa campanha para zerar os estoques das vinícolas gaúchas. Todos estariam em prol do vinho nacional! Me parece uma saída coerente e justa para todas as partes, concordam?

A contraproposta está lançada! 

domingo, 8 de abril de 2012

Vem aí a Coca-cola de uva fermentada!

Tive uma visão do futuro nesta noite! Sonhei que estava no ano de 2032 e visitava uma renomada vinícola brasileira na Serra Gaúcha. O lugar era enorme, com meia-dúzia de funcionários e muitas, mas muitas máquinas. Lembrava até uma daquelas montadoras de automóveis do ABC, com tudo automatizado e controlado. Tudo era assustadoramente igual, padronizado, sem cor e sem cheiro. Dos tanques de aço às garrafas e tampas, que eram idênticas às de Coca-cola!

Ali se fazia um único vinho, a partir de uvas fabricadas em laboratório, todas idênticas, fermentadas da mesma forma, resultando em milhões de garrafas iguais, de uma mesma bebida, que todos ali chamavam de vinho nacional! Não havia rótulos, mas sim uma impressão nas garrafas, cheia de avisos sobre as substâncias contidas no frasco. Até a quantidade de calorias era indicada!

Acordei suado, assustado e reflexivo. Afinal, por que raios tive essa visão tenebrosa do nosso futuro vitivinícola? Seria um sinal do que está por vir? Pensando sobre o assunto agora de manhã, concluí que pedir salvaguardas para os vinhos nacionais é, de fato, sinal inequívoco de que os produtores gaúchos entendem e tratam a bebida como Coca-cola, como um produto passível de produção em série, padronizado. E se eles pensam assim, meu medo das salvaguardas fica ainda maior, pois é um indício do que seremos forçados a beber caso os importados deixem de chegar ao Brasil. Parece que os produtores nacionais desistiram de apostar na qualidade e na identidade do seu vinho - que o tornaria único e incomparável - para produzir uma bebida padronizada, como de fato já são alguns dos piores vinhos produzidos em solo brasileiro.

O absurdo do pedido de salvaguardas reside no fato de tentar tornar similares produtos completamente distintos. É como dizer que dá na mesma ouvir Michael Jackson e Gilberto Gil porque ambos são música. Ou que não há diferença entre comprar um Picasso ou um Romero Britto porque ambos "enfeitam a parede". Visão tupiniquim de gente sem cultura e sensibilidade. Ou de gente mal intencionada, que se aproveita da má fé dos nossos políticos para ganhar dinheiro fácil.

Eu compreendo e aceito pedir salvaguardas para indústrias que produzem itens replicáveis em qualquer lugar, como tecidos, brinquedos e até carros. Indo para um exemplo extremo, tenho certeza de que a Ferrari poderia abrir uma fábrica no Brasil e produzir um automóvel tão bom quanto o italiano. Mas duvido que a Domaine de la Romaneé-Conti seria capaz de elaborar um Borgonha na Serra Gaúcha!

Vinho é uma bebida única, que expressa terroir, o trabalho do enólogo e a filosofia do produtor. Eu bebo um Bordeaux porque ele é a expressão daquele lugar único. E é por isso que eu chamo um Bordeaux de Bordeaux, ora bolas! É ÓBVIO! Portanto, não se pode produzir o mesmo vinho em diferentes países, não cabendo salvaguardas, consequentemente. Cada garrafa conta uma história, expressa o resultado de um trabalho e a identidade de uma região. Tal como a música ou outras modalidades artísticas, é expressão cultural e da diversidade. Quanto mais acesso temos a essa diversidade, mais ricos somos como país e como pessoas.

Mas nosso governo e nossos produtores parecem entender de outra forma. Talvez porque tratem o vinho como commodity, como uma bebida industrial, replicável, padronizada e sem identidade. Tenho medo do que o futuro nos guarda em sua adega...

sexta-feira, 6 de abril de 2012

O que o Brasil tem de bom não precisa de salvaguardas

Nos últimos dias eu e 99% dos enófilos temos batido muito na questão das malditas salvaguardas, seus motivadores e efeitos mais práticos. Mas o que está por trás disso, além da ganância e do oportunismo, é a fraqueza da nossa indústria vitivinícola. Como eu disse há algumas semanas neste blog, a auto-confiança dos nossos produtores se mostrou rala como vinho de garrafão. Se precipitaram ao jogar a toalha, pois nos últimos tempos a qualidade do produto nacional vinha melhorando de forma consistente. Mas a vontade de garantir lucros fartos foi maior do que a ambição de ganhar o consumidor pela qualidade. Como os especialistas são eles, acredito que chegamos mesmo ao limite, não conseguiremos ser mais do que isso. Esta é a principal mensagem que tiro de toda esta palhaçada.

Já repararam que tudo o que o Brasil faz de bom não precisa de salvaguaras? Já ouviram falar de salvaguardas para o futebol? E para a música? Alguém já imaginou salvaguardas para carnaval ou telenovela? E salvaguardas para o turismo? Nas passarelas da moda e nas artes também não se ouve falar... Enfim, não é preciso ser muito esperto para constatar que o pedido de salvaguardas para o vinho é prova de que, se estamos bem em outras áreas, nesta capengamos. Uma pena...

Boicote, resposta democrática a medidas autoritárias

Ao contrário do que estão dizendo por aí a Ibravin e outras associações retrógradas que supostamente defendem os interesses dos produtores gaúchos, o boicote ao vinho nacional é uma manifestação democrática contra a tentativa de nos imporem o que devemos beber.

Eu boicoto e apoio lojas e restaurantes que boicotam o vinho nacional até que desistam dessa ideia inaceitável e prejudicial ao mercado do vinho e aos consumidores brasileiros.

E digo mais: sei de fontes seguras que, se as medidas protecionistas passarem, os grandes grupos de supermercados, que são os principais distribuidores dos vinhos brasileiros, também entrarão no boicote.

A hora é de pressionar e, se tudo der errado, dizer um não definitivo ao vinho nacional!

domingo, 1 de abril de 2012

Copa América de Vinhos 2012

Ontem à noite, eu e um grupo de amigos realizamos mais uma degustação muito interessante com vinhos das Américas, que batizamos de Copa América de Vinhos. A ideia foi reunir alguns dos ícones desses continentes para compará-los. Trata-se de uma brincadeira, obviamente, como qualquer degustação que proponha ordenar vinhos de safras, cepas e regiões diferentes. Mas foi divertido e, desta vez, surpreendente!

Foram selecinados para o painel 7 vinhos, entre eles um brasileiro, que por decisão do grupo, revoltado com a ideia das salvaguardas, foi excluído da foto e não será comentado por ninguém. Chegamos a considerar retirá-lo do painel, mas como já havia sido comprado, mantivemos. Uma pena, mas enquanto essa palhaçada durar eu e muita gente que conheço não compraremos e não comentaremos os produtos nacionais. Estes são os vinhos que consideramos: Opus One 2007, Montelena Estate Cabernet Sauvignon 2005 e Caymus Cabernet Sauvignon Special Selection 2008 (EUA); Almaviva 2008 e Don Melchor 2006 (Chile); e Nicolas Catena 2007 (Argentina).

Como é possível constatar, todos os vinhos ainda estavam muito jovens. Mas mesmo assim decidimos fazer a prova. Daqui 10 anos voltamos para os mesmos vinhos e fazemos outra, já que as garrafas foram compradas em duplicidade em sua maioria. Todos os vinhos passaram pelo menos 3 ou 4 horas no decanter. A ordem das garrafas na foto é a classificação final do grupo. Porém, como o blog é meu (!), comentarei a minha classificação pessoal!

O último colocado, surpreendentemente, foi o Don Melchor 2006, que claramente não estava em sua melhor forma. Não identifiquei nenhum dos defeitos clássicos, mas havia um ranço, uma ameixa meio passada, com final de boca adocicado, que incomodou a todos. Era o mais escuro do painel, muito denso, quase negro. No nariz, ameixa, um toque de chocolate, terra molhada e um oxidativo leve. Na boca, boa acidez, seguindo a linha do nariz, mas com um final enjoativo. Taninos ainda pegando um pouco. Bom corpo e boa persistência. Mereceu 88 pontos.

O quinto colocado foi o Montelena Estate Cabernet Sauvignon 2005. Rubi, com boa intensidade. No nariz, fruta vermelha, leve herbáceo e toque de madeira sutil. O álcool incomodou um pouco. Na boca, boa acidez, alcoólico, bom corpo e boa persistência. Taninos também jovens e presentes. Levou 89 pontos.

O quarto colocado foi o Opus One, o que me surpreendeu, pois já bebi esse vinho em pelo menos outras 3 degustações semelhantes e ele quase sempre foi o melhor. Recentemente perdeu apenas para um Grange, australiano quase imbatível quando se fala de Novo Mundo. Mas desta vez não foi tão bem. Rubi muito intenso. No nariz, leve vegetal, toque defumado, frutas vermelhas e bastante álcool. Na boca, boa acidez, mais tânico que os demais e muita madeira. Acho que em 10 anos poderá superar os demais se tudo isso evoluir bem, pois tem muita estrutura, corpo e persistência. Ganhou 89,5 pontos.

A terceira posição ficou com o Almaviva 2008. Também muito intenso na cor rubi. Nariz lácteo e um ataque de álcool no início. Abriu um herbáceo e uma goiaba que me fizeram deduzir sua origem. Na boca, ótima acidez, um pouco tânico ainda, com noz ou algo nessa linha no final, deixando um retrogosto levemente caramelado. Ótimo corpo e boa persistência. Recebeu 90 pontos.

O vice-campeão da noite foi o Caymus Cabernet Sauvignon Special Selection 2008. Rubi muito intenso. No nariz, vegetal, um pouco de madeira e um toque mineral. O álcool também incomodou no início, mas depois melhorou. Na boca, mostrou ótima acidez, taninos presentes, muito corpo (carnudo), quase mastigável e uma persistência enorme. Mereceu 90,5 pontos.

E o grande campeão das Américas foi a surpresa da noite: Nicolas Catena 2007, que na minha opinião correria por fora. Belo vinho e, o melhor: o mais barato do painel! Rubi intenso e halo violáceo, entregando a malbec, que compõe pouco mais de 30% nesse corte com cabernet sauvignon. No nariz, fruta vermelha compotada, leve lácteo e madeira elegante, puxando para toques agradáveis de mentol e caramelo. Na boca, excelente acidez, taninos presentes, mas já arredondando. Madeira evidente, bom corpo e ótima persistência. No conjunto foi o que mais me agradou. Trata-se de um vinho ainda bastante jovem, mas já muito bebível e agradável. Levou 91,5 pontos.

O painel foi muito bacana, mas certamente a juventude dos vinhos prejudicou qualquer comparação mais séria. Vamos ver como estarão lá na frente, quando de fato estiverem prontos para o abate!

quinta-feira, 22 de março de 2012

Será, Salton?

A vinícola Salton, uma das gigantes brasileiras, acaba de soltar nota para a imprensa dizendo agora que é contra as medidas de salvaguarda. Agora que já praticamente emplacaram o plano maquiavélico dos grandes produtores para dificultar e encarecer a importação de vinhos? Agora que o apoio da Salton não é mais necessário, a vinícola se diz contra? E o que eles farão para reverter a situação? Usarão o poder que têm junto às entidades que os representam para impedir que as salvaguardas sejam implementadas? Ou apenas querem sair menos chamuscados dessa situação terrível que ajudaram a fomentar? Se a Salton se limitar à nota, de forma oportunista e covarde, será a primeira vinícola brasileira a sumir da minha adega. Espero que não me decepcionem e revertam a caca que criaram...

Esta é a nota:

Nota à imprensa

A Vinícola Salton esclarece que são as entidades representativas do setor, Ibravin, Uvibra, Fecovinho e Sindivinho que estão à frente do movimento para salvaguardas dos vinhos nacionais. A Salton, compreendendo que estas medidas podem restringir o livre arbítrio de seus consumidores, encaminhou ao Ibravin um documento informando que não apoiará a causa. Reforçamos ainda que a Salton, uma empresa centenária e brasileira, se preocupa muito com seus clientes e consumidores e que busca constantemente o melhoramento de seus processos e produtos, por meio de investimentos em novas tecnologias e programas de qualidade, para concorrer, de forma justa, com produtos nacionais e importados.

Assessoria de Imprensa  

sexta-feira, 16 de março de 2012

A indústria do vinho nacional envergonha o Brasil

Como brasileiro e consumidor de vinhos nacionais, estou envergonhado pelo que os nossos grandes produtores estão tentando fazer com o mercado de vinhos no Brasil. Mais do que envergonhado, estou frustrado, pois a tentativa junto ao governo de inviabilizar a importação de vinhos e eliminar a concorrência é um sinal claro de que nossos produtoras já não acreditam mais na sua capacidade de elevar a qualidade dos vinhos que vendem. Parecem não se achar competentes o suficiente para competir, ainda que tenham todas as condições para trabalhar com preços melhores do que os importados.

O que eu vejo na nossa indústria vitivinícola é a incapacidade de fazer nossos vinhos serem algo além do mediano ou, se é nessa faixa de qualidade que se pode atuar, fazer com que os preços sejam competitivos nessa faixa de vinhos mais simples. Os produtores brasileiros jogaram a toalha e acreditam que só sobreviverão se eliminarem os vinhos de melhor qualidade do mercado ou se jogarem seus preços na Lua, tornando-os inviáveis. E é isso que pretendem medidas idiotas como obrigar os importados a terem rótulos em português e dobrarem o imposto de importação.

Vejo nessa história toda um misto de incompetência, ganância e covardia. Me revolta saber que nossos produtores, em vez de melhorarem e baratearem seus produtos, preferem fazer lobby para aumentar impostos em um país cuja carga tributária já é absurda, em um país em que o vinho é visto como bebida de gente rica de tão caro que é. E a prova de que o objetivo é somente eliminar a concorrência para se refestelarem na mediocridade é que eles não estão trabalhando para reduzir seus próprios impostos, mas sim lutando para nos proibir de consumir vinhos de alta qualidade.

Eu já fiz uma promessa: se os impostos para importação de vinhos subirem, eu NUNCA MAIS compro uma garrafa de vinho nacional. Nem espumantes!

domingo, 4 de março de 2012

O "primeiro espumante do mudo" é o último que eu beberia!

Há tempos leio sobre esse espumante de Limoux, na França, e hoje resolvi provar. Reza a lenda (uma delas) que este é o primeiro espumante do planeta. Mas eu não beberia novamente nem se fosse  o último! Custa metade do preço de um champanhe básico em promoção e o dobro de um espumante nacional de boa qualidade. Qualquer um deles é bem mais negócio. Aliás, há um mar de prosecco, cava e outros espumantes mais baratos que são muito melhores.

Não caia no marketing desse espumante. Apesar de francês e da propaganda do produtor e do importador, não vale metade do que custa.

Mediterrâneo: ótimos brancos, sem a mesmice das cepas francesas

Semana passada, uma das minhas confrarias, a Sereníssima, fez uma experiência muito interessante com vinhos brancos elaborados em países banhados pelo Mar Mediterrâneo. A proposta era que cada confrade escolhesse uma região e levasse o seu exemplar. Degustamos rótulos da Itália (Sicília, Sardenha e Campanha), Espanha (Penedés), França (Coteaux de L'Ardeche e Gaillac), Croácia (Orebic) e Grécia (Peloponeso). Incluímos também um português do Alentejo, como "coelho", mas ele claramente destoou, apresentando estrutura e características bastante diferentes dos brancos do Mediterrâneo.

A grande lição que tirei desse painel foi que existem vinhos brancos de ótima qualidade quando saímos das cepas óbvias como Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, Gewurstraminer, Chenin Blanc, Torrontés, Viura e outras produzidas em diversos países e que inundam as prateleiras das importadoras. Bebemos vinhos elaborados com uvas autóctones de nomes estranhos, como Insolia, Posip, Xerel-lo, Loin de L'Oeil, Moshofilero e Roditis. E revisitamos outras mais conhecidas, como Fiano di Avellino e Vermentino di Sardegna.

Fui para a degustação sem muitas expectativas, esperando beber vinhos diferentes e até mesmo alguma coisa interessante, de melhor qualidade. A grata surpresa foi ter bebido vinhos de fato bons e nada exóticos. Tive o prazer de conhecer produtos muito bem elaborados, com algumas características diferentes das cepas e regiões mais conhecidas. E o melhor: como são vinhos menos comerciais, os preços são ótimos. Bebemos vinhos de 88 e 90 pontos pagando entre R$ 50 e R$ 80. Uma pechincha se compararmos com franceses, espanhois, italianos, alemães, neozelandeses, chilenos e argentinos produzidos com uvas mais comerciais.

Os detalhes da degustação podem ser conferidos no blog da Sereníssima. Deixo aqui as dicas dos vinhos que mais me chamaram a atenção pela ótima relação custo-benefício, dos quais já fiz um pequeno estoque em minha adega: o Zagra Insolia, da Sicília (R$ 81 na Vinea), e o Is Argiolas, da Sardenha (está em promoção a R$ 54 na Expand). São vinhos típicos de duas ilhas italianas, valem cada centavo e merecem ser conhecidos.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Boa compra: Codorníu, ótimo cava a preço de espumante nacional

Estou felizmente surpreso com o cava Codorníu, que bebo agora neste final de tarde quente de Carnaval. Preço de espumante nacional, com excelente qualidade. Boa complexidade e acidez, nariz muito típico, persistente na boca e sem defeitos. Mesmo mais quente mantém o frescor.

Paguei R$ 40 - como sócio da Sbav de São Paulo, tenho 20% de desconto na Interfood, que comercializa este ótimo espumante espanhol a R$ 49,90 no site de vendas deles (www.todovino.com.br).

Vale cada centavo e adotarei como um dos meus espumantes para o dia-a-dia!

domingo, 19 de fevereiro de 2012

Sbav-SP começa 2012 com a agenda recheada de eventos!

Minha querida Sbav inicia 2012 com a agenda cheia de atividades, incluindo o tradicional curso básico de vinhos, um curso especial com o amigo e confrade Aguinaldo Zackia e uma noite que promete com os bons vinhos italianos da Tahaa, no excelente Rosmarino, das amigas Stela e Angela. O ano promete!

27 de fevereiro - Curso de Champanhe e Espumantes, por Aguinaldo Zackia: Nesse dia, o escritor e crítico de vinhos Aguinaldo Zackia Albert ministrará o Curso de Champanhe e Espumantes especialmente para os associados e amigos da Sbav. Clique aqui e saiba mais.

28 de fevereiro - Norte da Itália é o tema da primeira degustação de 2012: Os bons vinhos do Piemonte e do Vêneto, duas das mais consagradas regiões produtoras da Itália, serão o tema do primeiro evento enogastronômico promovido pela Sbav neste ano! A degustação dos vinhos trazidos pela importadora Tahaa, que será seguida de jantar, acontecerá no restaurante Rosmarino. Clique aqui e saiba mais.


5 de março - Início do Curso de Formação e Introdução ao Mundo do Vinho: Direcionado a quem está iniciando suas experiências na área, o curso aborda temas como a história da bebida, os tipos de vinho e vinificação, técnicas de degustação, compra com base nas indicações do rótulo, serviço, tipos de taça e harmonização com comida. Clique aqui e saiba mais.

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Boa compra: Argiano Rosso di Montalcino 2008

Saí para almoçar com minha família no sempre bom italiano Villa Cioé, na Rua Tupi, e pedi esse rosso, de forma despretensiosa. Me surpreendi! Ótimo preço para o que oferece, certamente um dos melhores rosso que já bebi. Tabaco e chocolate no nariz. Ótima acidez, bom corpo e boa persistência. Delicioso!

É vendido pela Vinci a cerca de R$ 85. Comprei umas garrafinhas para ter na adega. Altamente recomendado!

segunda-feira, 6 de fevereiro de 2012

Sbav abre 2012 com curso de Champanhe e Espumantes

A Sbav-SP começa o ano com novidades. A Associação Brasileira dos Amigos do Vinho acaba de lançar o Curso de Champanhe e Espumantes, ministrado em uma única aula, no dia 27 de fevereiro, por um especialista no assunto, o amigo e confrade Aguinaldo Zackia, autor do livro Borbulhas - entre outros.

Além de degustar champanhe e outros bons espumantes de diferentes países, os participantes terão a oportunidade de aprender um pouco mais sobre a bebida, incluindo a sua história, métodos de elaboração e classificação.

Trata-se de um evento altamente recomendado, cujos detalhes podem ser conferidos em www.sbavsp.com.br. Inscrições: 11 3814-7905 ou vinho@sbavsp.com.br.

sábado, 14 de janeiro de 2012

Bota-fora no lixo

Uma decepção. É assim que defino as "superofertas" que recebi das primeiras importadoras a anunciar os seus "bota-fora" de começo de ano. Vi diversos blogs e sites festejando a chegada dessas promoções, mas o fato é que, via de regra, o que estão queimando é vinho encalhado. Os que são um pouco melhores têm apenas pequenos descontos.

Até agora não vi nada próximo do que foram os bota-fora de 5 ou 10 anos atrás, quando de fato podíamos comprar ótimos vinhos pela metade do preço. Me divertia e chegava a me emocionar com vinhos evoluídos e prontos para o abate, que eram vendidos a preço de banana para liberar espaço nos estoques ou apenas por que tinham pequenos defeitos no rótulo ou na rolha. Quantos belíssimos vinhos eu já comprei por 1/3 do preço apenas por que a rolha estava infiltrada ou o rótulo sujo pelo vinho vazado de outra garrafa!

De alguns anos para cá, a  verdade é que esse tipo de achado, que antes garimpávamos nas importadoras, deve estar sendo repassado "en primeur" para amigos e clientes vips. Para os simples mortais, sobra o bota-fora no lixo.

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Espumantes para os dias e noites quentes que vêm por aí

Final de ano é época de beber espumante. No Brasil, o calor do verão é uma razão a mais para que isso aconteça e para que a bebida não seja consumida apenas nas comemorações do Ano Novo. Eu, por exemplo, faço estoque, pois o calor vai longe e bons espumantes são o melhor que podemos beber, seja na praia, seja aqui em São Paulo mesmo.

Geralmente coloco parte das garrafas na adega e parte na geladeira, para facilitar as coisas. Chegar em casa após o trabalho, numa noite quente, e ter de esperar o vinho atingir os 6ºC pode ser desesperador... Melhor deixar as garrafas do "dia-a-dia" prontas para o abate! Boas opções para essas ocasiões mais cotidianas são o Casa Valduga Arte Brut e o Dal Pizzol Brut Rosé. Ambos na faixa de R$ 25 a R$ 30 - vale comprar em maior quantidade ou direto dos produtores para pagar menos.

Já numa faixa acima, que vai de R$ 35 a R$ 70, geralmente opto por estes: Cave Geisse Brut, Casa Valduda 130Adolfo Lona Brut Champenoise, Miolo Millésime e Dal Pizzol Brut Champenoise. Entre os rosés, opto pelo bom portugês Filipa Pato 3B. Todos são muito legais e podem ser encontrados em casas especializadas, supermercados e sites na internet.

Para quem quer investir um pouco mais - algo entre R$ 150 e R$ 200 -, recomendo os champanhes Piper-Reidsieck Brut e Deutz Brut, que estão na faixa de preço dos champanhes mais manjados do mercado brasileiro, mas têm qualidade superior. Entre os franciacorta, recomendo o bom e velho Cuvée Prestige Cà del Bosco.

Mas se você quer experimentar algo diferente e sair do lugar-comum, duas experiências recentes me chamaram a atenção: o australiano Bridgewater Mill (Petaluma Wines), vendido pela Wine Society, e o húngaro Hungaria Grand Cuvée Brut (Törley), importado pelo Empório Húngaro. Ambos a menos de R$ 100 e muito interessantes.

Estas são as minhas dicas para encarar o calor sem ter de abrir mão de um bom vinho.

domingo, 18 de dezembro de 2011

Casa Vidigal abre loja na Oscar Freire

Ontem, precisei comprar alguns vinhos para levar a um jantar e resolvi conhecer a recém-inaugurada loja da Casa Vidigal, na Rua Oscar Freire, 2.236, a duas quadras do Metrô Sumaré. Trata-se de mais uma boa opção na região, até então praticamente restrita ao tradicional Confraria Queijo & Vinho, na Av. Dr. Arnaldo.

São cerca de 500 rótulos, do Velho e do Novo Mundo, a preços interessantes, no geral. O Quinta da Bacalhôa 2008, a R$ 98, é um bom exemplo. Há opções bastante conhecidas, trazidas por grandes importadoras, como o Amayna, da Mistral. Outras, não tão fáceis de serem encontradas, como o bom neozelandês Cloudy Bay Sauvignon Blanc, que inclusive foi um dos vinhos que comprei para o jantar. Muito bacana, como geralmente são os sauvignon blanc da Nova Zelândia.

A lista de espumantes inclui opções que vão de Champanhe a bons nacionais, como o Casa Valduga 130. Para acompanhar a sobremesa, também há opções além dos manjados colheita tardia sulamericanos e de Vinhos do Porto, como Moscatéis de Setúbal - incluindo o Roxo -, Madeira e Tokay. A casa também trabalha com destilados e oferece um pequeno espaço para cursos, palestras e degustações. Vale conhecer.

Mais informações: www.casavidigal.com.br

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Americanbox e o conto do vidraceiro

Mais uma vez sou obrigado a utilizar este nobre espaço, usualmente dedicado ao prazer, para denunciar empresas que não são sérias e que, a despeito de deitarem e rolarem sobre o Código de Defesa do Consumidor e da Lei, continuam atuando e enganando desavisados como eu. A partir de agora vocês não poderão dizer que não foram alertados sobre a forma de atuar da Americanbox, que vende o serviço, pega o dinheiro e some. Parece incrível, não? Eu também duvidaria se me contassem. Mas é a mais pura verdade, que me custou R$ 4.500. Estes são aos fatos...

No dia 27 de outubro, contratei a Americanbox para executar o serviço de fechamento de 3 sacadas e 2 boxes de banheiro. Os prazos combinados foram 11/11 (boxes) e 27/11 (sacadas). Na assinatura da proposta, entreguei 2 cheques no valor de R$ 4.500 cada, com vencimentos em novembro e dezembro. Para a minha surpresa, em ligação realizada na primeira semana de dezembro para saber a razão do atraso na entrega dos itens contratados, descobri que o projeto simplesmente não foi feito por "problemas técnicos" (será?). A Americanbox não me contatou para comunicar tal fato e esperou eu entrar em contato, mais de 30 dias depois, para me dizer que "cometeram um erro" no projeto e que ele havia sido cancelado!

Como um dos cheques já havia sido descontado – mesmo depois de a Americanbox saber da inviabilidade do projeto –, venho enfrentando muitas dificuldades e descaso para recuperar meu dinheiro. Eles simplesmente não me atendem, não respondem e-mail e, quando eu consigo falar, dizem que o “cancelamento” já foi encaminhado e que será aprovado por toda a gerência antes da devolução do dinheiro. A previsão é que o processo leve 20 dias. Pedi para formalizarem esse prazo por e-mail, mas eles simplesmente não fazem e dizem que não podem prometer nada. Como se estivessem me fazendo um favor de devolver o dinheiro que tomaram de mim!

Considerando que não se trata de desistência de compra, mas sim da não-entrega deliberada do que foi comprado e pago, mando e-mails diariamente para a Americanbox há duas semanas, exigindo a devolução imediata do meu dinheiro. Nenhum dos contatos que faço é retornado. Nessa série de e-mails, disse inclusive que tomaria as providências cabíveis, entre elas acionar o Procon e fazer um Boletim de Ocorrência por estelionato, que é exatamente do que se trata. Mas nada comove ou amedronta a Americanbox, que parece certa da impunidade!


Continuo aguardando a devolução do meu suado dinheiro, mas já estou buscando a solução em outras esferas. As amigáveis estão praticamente esgotadas. Basta ver a ficha corrida desta empresa no site Reclame Aqui para desanimar e ter a certeza de que a dor de cabeça vai longe. Viver no Brasil definitivamente é um desafio de paciência...

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Boa compra: Clos de Torribas Reserva

Para compensar a reclamação do post anterior, termino o feriado com uma boa dica de compra, daquelas fáceis de realizar. Estou falando do Clos de Torribas Reserva, no caso, safra 2005, comprado no Pão de Açúcar. É um vinho espanhol, de Penedès, que surpreende pela relação entre qualidade e preço. Custa R$ 45,90 e vale cada centavo. Comprei por curiosidade e tive uma grata surpresa. Acompanhou uma pizza, mas poderia ter feito bonito em companhia de muitos outros pratos, como risotos, massas e carnes leves.

No visual, já mostra alguma evolução. No nariz, é complexo, lembrando os bons tempranillo espanhois, com boa madeira, um toque de fruta bem madura e baunilha, mas prevalecendo os aromas terciários. Na boca, traz frutas vermelhas, o tostado da madeira e um pouco de couro no retrogosto. Médio corpo e boa intensidade. É o tipo de vinho que agrada principalmente quem curte rótulos do Velho Mundo, pois não carrega na fruta e no álcool. Vale cada centavo e pode ser encontrado no supermercado, o que ajuda muito.

Recomendo para o dia-a-dia e também para uma recepção, quando se quer algo barato, que agrade a todos e que vá bem com o maior número possível de alimentos.

Sujinho e durinho

Evito postar críticas a lugares que visito, pois acho mais útil e interessante gastar tempo e espaço no blog para dicas positivas. Porém, a decepção de hoje foi tamanha que resolvi registrar.

Por incrível que possa parecer, eu ainda não conhecia o Sujinho, na Consolação, apesar das inúmeras recomendações de amigos e dos incontáveis elogios publicados pela imprensa. O fato é que nesta manhã fui comprar materiais de iluminação na Consolação e resolvi finalmente conhecer a famosa bisteca bovina do Sujinho. A expectativa era grande, do tamanho da própria bisteca.

Ao entrar no restaurante, tive a sensação de estar no também famoso Filé do Moraes da Alameda Santos. O estilão é bem parecido, um misto de restaurante mais simplório e tradicional, com garçons antigos vestindo aquele uniforme branco e antiquado. Enfim, nada de surpresa e tudo muito parecido com o que eu imaginava. Mas a bisteca...

Bom, assim que cheguei, peguei o cardápio apenas por desencargo de consciência, pois estava decidido a pedir o carro-chefe da casa. Para acompanhar, meia porção de fritas e meia de arroz carreteiro. Cerca de 15 minutos depois chega a bisteca, bela, suculenta e ao ponto, como eu imaginava. Saquei o garfo e a faca para iniciar o ataque, mas tais instrumentos se mostraram quase inúteis diante da rigidez da carne. Comecei de novo, cortando a partir da outra ponta, mas os "nervos de aço" estavam por toda a parte. Repeti o procedimento, na esperança de encontrar uma frente de batalha menos dura, mas foi em vão. Quando eu pensei em reclamar para o garçom, já havia picotado toda a bisteca.

Fiquei tentando encontrar explicações para o que acontecia. Seria a falta de hábito de comer bisteca? Não era o caso, pois esse é um tipo de carne que estou acostumado a comer e inclusive a preparar. Seria azar e eles erraram na minha vez? Isso pode ser... Mas, de qualquer modo, é imperdoável acontecer justo com o carro-chefe da casa. É como o Jardim di Napoli errar no Polpetone ou o Ponto Chic no Bauru.

Como essa bisteca é quase um mito, quis registrar aqui que comi e não gostei. Foi certamente a pior que provei nos últimos tempos, apesar de o sabor estar ok (nada de especial, mas agradável). O Sujinho definitivamente se sujou comigo.