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terça-feira, 3 de março de 2015

As boas surpresas do Encontro de Vinhos

Dia 2 de março último, na Casa do Porto (SP), participei da prova para escolha dos Top 5 do Encontro de Vinhos no RJ. Ao todo, degustei 27 amostras (metade do painel), cuja avaliação variou de 84,5 a 88,5 pontos, o que as coloca na categoria de vinhos considerados bons. Antes de falar sobre minhas preferências e impressões, destaco os grandes vencedores da noite, dos quais provei somente 2 (Guatambu Rastro do Pampa Cabernet Sauvignon 2013 e Norton Reserva Malbec 2011):

1º lugar: Leopoldo 2007 - Santa Catarina (Brasil)
2º lugar: Pêra-Grave Reserva 2007 - Alentejo (Portugal)
3º lugar: Guatambu Rastros do Pampa Cabernet Sauvignon 2013 - Campanha Gaúcha (Brasil)
4º lugar: Norton Reserva Malbec 2011 - Mendoza (Argentina)
5º lugar: Norton Privado 2011 - Mendoza (Argentina)

Agora, meus vinhos preferidos, em ordem alfabética (nome do produtor):

Bodegas Argenceres Lágrima Malbec Reserva 2010 - Mendoza (Argentina)
Casa Valduga Gran Raízes Corte 2010 - Campanha Gaúcha (Brasil)
Chozas Carrascal Las Ocho 2010 - Utiel Requena (Espanha)
Dunamis Tannat 2012 - Campanha Gaúcha (Brasil)
Familia Schroeder Saurus Barrel Fermented Pinot Noir 2012 - Patagônia (Argentina)
Luiz Argenta Merlot 2009 - Serra Gaúcha (Brasil)
Terrazas Single Vineyard las Compuertas Malbec 2010 – Mendoza (Argentina)

Como houve empates ou notas muito próximas, destaquei 7 exemplares: 3 argentinos, 3 brasileiros e 1 espanhol.

Me chamou a atenção o equilíbrio dos malbec argentinos, vinhos que até poucos anos atrás eram conhecidos por sua potência excessiva, doçura e muitas vezes agressividade no paladar. Desta vez, tanto o Terrazas como o Argenceres mostraram que é possível produzir vinhos com personalidade a partir da malbec, mas fáceis de beber, agradáveis e equilibrados.


O outro comentário que gostaria de fazer é sobre os exemplares nacionais, que se saíram muito bem perante vinhos de bons produtores da América do Sul e Europa. Destacaram-se pela elegância e equilíbrio. Vinhos gostosos, bem feitos, que mostram uma evolução rápida e disseminada da qualidade do que produzimos não apenas na Serra Gaúcha, mas em outras regiões do Sul do país. Mantida essa tendência, não duvido que no Encontro de Vinhos de 2020 a lista dos Top 5 tenha vinhos nacionais em sua maioria.

Clique aqui e saiba mais.

sábado, 30 de junho de 2012

Boa compra: Maycas del Limarí Pinot Noir Reserva

Maycas del Limarí Pinot Noir Reserva, ótimo chileno do Vale do Limarí. Outro vinho que comprei na Wine (www.wine.com.br), safra 2010. 

Rubi com boa intensidade, levemente violáceo. Fruta vermelha intensa, em especial morango, e ervas, com um toque de madeira muito sutil. Na boca, fruta vermelha marcante, alta acidez, álcool presente (14%), média/boa intensidade e média persistência. Depois de alguns goles senti um caramelo no final de boca, que vai ficando mais presente conforme o vinho respira e perde o excesso de álcool.

Vinho muito agradável, sem extração excessiva e madeira na dose. Pede decanter para dar uma respirada. Gosto muito desse produtor e das linhas reserva e reserva especial dele. O Shiraz é muito bacana. Esse é um dos melhores pinot chilenos que já provei. Quiçá um dos melhores do Novo Mundo na faixa até R$ 100! Custa R$ 70 na Wine (sócio paga 15% mais barato). Ótimo negócio.

Boa compra: Quinta do Crasto Superior

Quinta do Crasto Superior, um português do Douro bastante intenso e saboroso. Sempre que bebo esse vinho fico impressionado com a ótima relação custo-benefício. A última safra que bebi foi a 2009.

Vinho novo, com cor rubi violáceo intenso. Nariz muito frutado, puxando para frutas negras e cassis. Toques vegetais e leve tabaco. Na boca, ainda um pouco alcoólico, precisa de decanter. Boa acidez, bastante fruta e um leve toque de manteiga. Macio, taninos presentes, mas fáceis de beber. Bom corpo e boa persistência.

Essa safra 2009 merece uns 5 anos de garrafa ainda, pelo menos. É um vinho que custa R$ 79 na Wine (www.wine.com.br), mas que supera outros até mais caros. Vale comprar uma caixa e esquecer na adega.

domingo, 4 de março de 2012

Mediterrâneo: ótimos brancos, sem a mesmice das cepas francesas

Semana passada, uma das minhas confrarias, a Sereníssima, fez uma experiência muito interessante com vinhos brancos elaborados em países banhados pelo Mar Mediterrâneo. A proposta era que cada confrade escolhesse uma região e levasse o seu exemplar. Degustamos rótulos da Itália (Sicília, Sardenha e Campanha), Espanha (Penedés), França (Coteaux de L'Ardeche e Gaillac), Croácia (Orebic) e Grécia (Peloponeso). Incluímos também um português do Alentejo, como "coelho", mas ele claramente destoou, apresentando estrutura e características bastante diferentes dos brancos do Mediterrâneo.

A grande lição que tirei desse painel foi que existem vinhos brancos de ótima qualidade quando saímos das cepas óbvias como Chardonnay, Sauvignon Blanc, Riesling, Gewurstraminer, Chenin Blanc, Torrontés, Viura e outras produzidas em diversos países e que inundam as prateleiras das importadoras. Bebemos vinhos elaborados com uvas autóctones de nomes estranhos, como Insolia, Posip, Xerel-lo, Loin de L'Oeil, Moshofilero e Roditis. E revisitamos outras mais conhecidas, como Fiano di Avellino e Vermentino di Sardegna.

Fui para a degustação sem muitas expectativas, esperando beber vinhos diferentes e até mesmo alguma coisa interessante, de melhor qualidade. A grata surpresa foi ter bebido vinhos de fato bons e nada exóticos. Tive o prazer de conhecer produtos muito bem elaborados, com algumas características diferentes das cepas e regiões mais conhecidas. E o melhor: como são vinhos menos comerciais, os preços são ótimos. Bebemos vinhos de 88 e 90 pontos pagando entre R$ 50 e R$ 80. Uma pechincha se compararmos com franceses, espanhois, italianos, alemães, neozelandeses, chilenos e argentinos produzidos com uvas mais comerciais.

Os detalhes da degustação podem ser conferidos no blog da Sereníssima. Deixo aqui as dicas dos vinhos que mais me chamaram a atenção pela ótima relação custo-benefício, dos quais já fiz um pequeno estoque em minha adega: o Zagra Insolia, da Sicília (R$ 81 na Vinea), e o Is Argiolas, da Sardenha (está em promoção a R$ 54 na Expand). São vinhos típicos de duas ilhas italianas, valem cada centavo e merecem ser conhecidos.

terça-feira, 21 de fevereiro de 2012

Boa compra: Codorníu, ótimo cava a preço de espumante nacional

Estou felizmente surpreso com o cava Codorníu, que bebo agora neste final de tarde quente de Carnaval. Preço de espumante nacional, com excelente qualidade. Boa complexidade e acidez, nariz muito típico, persistente na boca e sem defeitos. Mesmo mais quente mantém o frescor.

Paguei R$ 40 - como sócio da Sbav de São Paulo, tenho 20% de desconto na Interfood, que comercializa este ótimo espumante espanhol a R$ 49,90 no site de vendas deles (www.todovino.com.br).

Vale cada centavo e adotarei como um dos meus espumantes para o dia-a-dia!

sexta-feira, 17 de fevereiro de 2012

Boa compra: Argiano Rosso di Montalcino 2008

Saí para almoçar com minha família no sempre bom italiano Villa Cioé, na Rua Tupi, e pedi esse rosso, de forma despretensiosa. Me surpreendi! Ótimo preço para o que oferece, certamente um dos melhores rosso que já bebi. Tabaco e chocolate no nariz. Ótima acidez, bom corpo e boa persistência. Delicioso!

É vendido pela Vinci a cerca de R$ 85. Comprei umas garrafinhas para ter na adega. Altamente recomendado!

segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

Espumantes para os dias e noites quentes que vêm por aí

Final de ano é época de beber espumante. No Brasil, o calor do verão é uma razão a mais para que isso aconteça e para que a bebida não seja consumida apenas nas comemorações do Ano Novo. Eu, por exemplo, faço estoque, pois o calor vai longe e bons espumantes são o melhor que podemos beber, seja na praia, seja aqui em São Paulo mesmo.

Geralmente coloco parte das garrafas na adega e parte na geladeira, para facilitar as coisas. Chegar em casa após o trabalho, numa noite quente, e ter de esperar o vinho atingir os 6ºC pode ser desesperador... Melhor deixar as garrafas do "dia-a-dia" prontas para o abate! Boas opções para essas ocasiões mais cotidianas são o Casa Valduga Arte Brut e o Dal Pizzol Brut Rosé. Ambos na faixa de R$ 25 a R$ 30 - vale comprar em maior quantidade ou direto dos produtores para pagar menos.

Já numa faixa acima, que vai de R$ 35 a R$ 70, geralmente opto por estes: Cave Geisse Brut, Casa Valduda 130, Adolfo Lona Brut Champenoise, Miolo Millésime e Dal Pizzol Brut Champenoise. Entre os rosés, opto pelo bom portugês Filipa Pato 3B. Todos são muito legais e podem ser encontrados em casas especializadas, supermercados e sites na internet.

Para quem quer investir um pouco mais - algo entre R$ 150 e R$ 200 -, recomendo os champanhes Piper-Reidsieck Brut e Deutz Brut, que estão na faixa de preço dos champanhes mais manjados do mercado brasileiro, mas têm qualidade superior. Entre os franciacorta, recomendo o bom e velho Cuvée Prestige Cà del Bosco.

Mas se você quer experimentar algo diferente e sair do lugar-comum, duas experiências recentes me chamaram a atenção: o australiano Bridgewater Mill (Petaluma Wines), vendido pela Wine Society, e o húngaro Hungaria Grand Cuvée Brut (Törley), importado pelo Empório Húngaro. Ambos a menos de R$ 100 e muito interessantes.

Estas são as minhas dicas para encarar o calor sem ter de abrir mão de um bom vinho.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Boa compra: Clos de Torribas Reserva

Para compensar a reclamação do post anterior, termino o feriado com uma boa dica de compra, daquelas fáceis de realizar. Estou falando do Clos de Torribas Reserva, no caso, safra 2005, comprado no Pão de Açúcar. É um vinho espanhol, de Penedès, que surpreende pela relação entre qualidade e preço. Custa R$ 45,90 e vale cada centavo. Comprei por curiosidade e tive uma grata surpresa. Acompanhou uma pizza, mas poderia ter feito bonito em companhia de muitos outros pratos, como risotos, massas e carnes leves.

No visual, já mostra alguma evolução. No nariz, é complexo, lembrando os bons tempranillo espanhois, com boa madeira, um toque de fruta bem madura e baunilha, mas prevalecendo os aromas terciários. Na boca, traz frutas vermelhas, o tostado da madeira e um pouco de couro no retrogosto. Médio corpo e boa intensidade. É o tipo de vinho que agrada principalmente quem curte rótulos do Velho Mundo, pois não carrega na fruta e no álcool. Vale cada centavo e pode ser encontrado no supermercado, o que ajuda muito.

Recomendo para o dia-a-dia e também para uma recepção, quando se quer algo barato, que agrade a todos e que vá bem com o maior número possível de alimentos.

domingo, 6 de novembro de 2011

Bons Vino Nobile em uma noite toscana surpreendente


Ontem, bebi 5 diferentes Vino Nobile di Montepulciano e achei interessante como a qualidade deles era quase que inversamente proporcional ao preço. A degustação aconteceu na casa de um casal de amigos, que nos recepcionou com um ótimo menu "à toscana". O prato principa, um Pici al Ragu di Filetto, estava excelente! Filé cortado na ponta da faca em um molho de tomates delicioso, que banhava a típica massa toscana, semelhante ao bucatini.

Mas voltemos aos vinhos. Começando pelo mais fraco, o Redi 2004, oferecido pelos donos da casa (explicada a bajulação do primeiro parágrafo). Foi trazido na mala, e a expectativa era grande pela "exclusividade" do rótulo. Custou 25 euros (seria uns R$ 200 no Brasil?). Frutado do nariz, com toque vegetal. Na boca, um pouco magro e curto, com acidez a desejar.

A decepção, para mim, foi o Dei 2006, que custou R$ 118 e f
icou em penúltimo lugar. Muita fruta fresca, em especial cereja. Na boca, caramelo, taninos jovens e boa acidez. Corpo magro e pouco persistente. Não promete muito. Já na terceira posição, o Avignonesi 2005, a R$ 156. Um pouco fechado, com um toquezinho floral. Tânico demais na boca, deixando uma secura "chata". No entanto, boa acidez e talvez um dos que melhor evoluirão. Certamente foi bebido cedo demais.

Em segundo lugar, o excelente e típico Poliziano 2006, tecnicamente empatado com o primeiro. Nariz bastante complexo, com floral, fruta madura, terra, cogumelos, um pouco de baunilha e um discreto químico. Este custou R$ 135. Já o melhor, mais complexo e surpreendente foi o La Braccesca 2004, que custou R$ 95. Muito intenso na cor, nariz rico em frutas passificadas, couro e ervas. Ótimo corpo e boa persistência. Um vinho acima da média, suculento, quase um Brunello. Aliás, talvez melhor do
que alguns deles. Excelente compra!

Em tempo: Aproveito para fazer uma menção honrosa ao Vernaccia di San Gimignano Riserva do Palagetto, oferecido pelo casal de amigos, que abriu os trabalhos. Belíssimo vinho! 

domingo, 18 de setembro de 2011

Boa compra: Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2007

Nesta semana estive no Ráscal do Shopping Villa Lobos, um dos meus favoritos, e tive a felicidade de receber uma bela dica do sommelier dessa unidade, o Rodrigo Sbruzzi. Desta vez a grata surpresa é um vinho nacional, que me surpeendeu pela qualidade para um vinho teoricamente mais simples e elaborado com uma uva que sozinha não costuma resultar em grandes vinhos.

Trata-se do equilibradíssimo Casa Valduga Premium Cabernet Franc 2007. Com taninos aveludados, bom corpo, boa intensidade e boa persistência, esse vinho vai muito além do que se espera de um rótulo dessa linha mais simples, que custa cerca de R$ 35 nas lojas do ramo.

Foge daquele herbáceo com fruta madura que caracteriza alguns nacionais mais simples, muitas vezes enjoativos por serem verdes ou vinsos demais. Este é diferente. Mostra boa fruta, sem nada que remeta a colheita prematura ou qualquer outro problema com as uvas. Madeira bem trabalhada, que confere uma baunilha sutil e um pouco de couro. Muito além do que eu imaginava. Briga com vinhos do nível do Salton Talento e do Merlot Terroir, também muito bons, mas que custam pelo menos o dobro.

Recomendo este vinho e as dicas do competente Ricardo. E, é claro, recomendo o Ráscal do Villa Lobos, que além de boa comida tem uma carta excelente.

sábado, 13 de agosto de 2011

Lojas boas e baratas e SOS vinhos

Semana passada postei uma dica de loja com bons preços em Santiago, no Chile, e um amigo me perguntou por que eu nunca dei dica de lojas "barateiras" aqui no Brasil. Na verdade, a questão é que eu compro muito em importadoras, pois geralmente não compro apenas uma garrafa e sempre há vantagens para quem compra em maior quantidade - seja em descontos, seja na isenção de frete.

No entanto, vira e mexe eu preciso de um vinho específico para uma degustação, jantar ou almoço de última hora. Aí tenho, sim, quem me abasteça. Muitas vezes cobrando menos do que na própria importadora. E, muitas vezes, oferecendo safras já indisponíveis nas importadoras e uma variedade que não se encontra em um único lugar, mesclando nacionais e importados.

Indico, aqui, os lugares nos quais compro vinhos quando preciso de algo com urgência, muito específico, de safra antiga ou com preço melhor do que eu conseguiria na importadora.

Empório Fernandes
É uma pequena loja na Pamplona (está mais para um showroom), onde o Adair e equipe atendem clientes para fechar o fornecimento de vinhos para eventos. De quebra eles também vendem no varejo e mandam buscar o vinho que você precisar, em quase qualquer importadora do Brasil, repassando ao cliente ao mesmo preço ou, dependendo do caso, com desconto "especial". Já tive algumas emergências e em questão de poucas horas colocaram a garrafa que eu precisava nas minhas mãos. É o meu SOS Vinho: www.emporiofernandes.com.br

Venews
Também fornecedora de vinhos para eventos, esta loja mantém um espaço grande na Brigadeiro Luis Antônio para expor seus produtos. Tem bons preços, equivalentes aos das importadoras, mas aqui você encontra coisas como o Gattinara Travaglini Reserva Magnum safra 2001 e outros bons italianos, franceses e chilenos "fora de linha". Encontra, também, vinhos tops, como uma vertical de Almaviva, incluindo safras mais antigas e alguns dos Premier Cru de Bordeaux. Vende outras bebidas e alimentos: venewsbebidas.com.br

Boccati
Esta fica em Caxias do Sul, no RS, e é um achado para mim. Para quem gosta de vinhos de safras mais antigas, aqui é possível comprar Brunello da década de 90 e outras coisas do começo da década passada. A variedade é boa e inclui nacionais também, quase sempre a preços bem abaixo do que se paga em São Paulo. Vale fazer um pedido grande para ganhar no frete. Geralmente lanço mão dessa alternativa quando quero comprar algo que não encontro em São Paulo e estou com vontade de incluir alguns espumantes nacionais no pedido. Quase sempre os importados que eles vendem estão abaixo do preço da importadora em São Paulo: www.boccati.com.br

terça-feira, 2 de agosto de 2011

Loja de vinhos mais barata do Chile e vinícola promissora

Na última semana estive em Santiago, no Chile, conhecendo o que possivelmente é a capital mais bonita da América do Sul. Fantástica, limpa e organizada. Passei a admirar ainda mais os chilenos.

O passeio todo foi muito legal e prazeiroso. Eu poderia passar horas escrevendo, mas a minha profissão me ensinou que "menos é mais". Assim, vou ser pontual e dizer somente duas coisas que quem estiver no Chile não pode perder:

Comprar e jantar na loja mais barata que conheci
Além de contar com boa parte dos melhores vinhos do país, incluindo os chamados "tops", a pequena loja Baco tem os preços pelo menos 20% menores do que consagradas como El Mundo del Vino e Wain. E essa é a política deles, segundo a simpática e competente Marina, brasileira radicada no Chile e que é certeira em suas dicas. Ao lado da loja também há um bistrô muito aconchegante, onde possivelmente fiz minha melhor refeição no Chile - acredite, bebendo um dos tops (Don Maximiano), paguei menos do que costumo pagar em restaurantes medianos em São Paulo. Para quem mora no Brasil, beber e comer em Santiago é uma festa! Baco Vino y Bistro: Nueva de Lyon, 113 ou Santa Magdalena, 116 (2 entradas), bairro Providência. Telefone para fazer reserva do Brasil (aconselhável): 56 2 231 44 44.

Conhecer uma vinícola promissora, com foco na qualidade e na sustentabilidade
Tive a chance de visitar a Pérez Cruz (www.perezcruz.com), que ainda está fora do circuíto turístico do Chile, mas na qual aposto minhas fichas no sucesso, seja pelos excelentes vinhos que produz, seja pela filosofia de respeito e sinergia com o meio ambiente. Isso está claro desde a arquitetura da empresa até a forma como produz seus vinhos. Durante a visita fui guiado pelo Alejandro, entusiasta da empresa onde trabalha, o que para mim é mais um sinal claro de que ela está no caminho certo. Provei seus vinhos e recomendo fortemente, pois fogem do padrão "fruit bomb" de muitos vinhos badalados da América do Sul. No Brasil, por sorte nossa, os vinhos da Pérez Cruz são importados pela também promissora Abflug (www.abflug.com.br).

De tudo o que eu vi e fiz no Chile, recomendo isso!

quarta-feira, 1 de junho de 2011

Boa compra: Sonsierra Reserva

Ano passado bebi um Rioja Reserva que me chamou a atenção pelo equilíbrio e pela facilidade de beber, qualidades que se somaram ao que Rioja tem de melhor, na minha opinião: o bom uso da madeira e um monte de aromas terciários. O vinho em questão é o Sonsierra Reserva, que conheci em uma degustação para a revista Free Time.

Na ocasião, a safra 2002 desse vinho ficou na frente de outros Rioja e Ribera bem mais caros. Teve desempenho equivalente a vinhos que custavam duas ou três vezes mais e inclusive foi eleito o melhor do painel por um dos degustadores participantes.

Saí dessa degustação e comprei algumas garrafas, que venho bebendo até hoje. Uma delas foi submetida a uma nova prova, desta vez de uma de minhas confrarias, e deixou para trás famosos como Viña Ardanza, Mauro e Torremilanos.

O problema é que meu estoque baixou e fui para a internet procurar o Sonsierra, que é importado pela Barrinhas - é inútil ligar para eles e tentar comprar diretamente... Encontrei uma bela promoção desse vinho no site do Empório Santa Joana, que está saindo a R$ 79,90. Se custasse o dobro ainda seria uma boa compra. Repus meu estoque e indico essa oportunidade para vocês.

Em tempo: Bebi as safras 2000 e 2002, ambas redondas e prontas para o abate.

quinta-feira, 26 de maio de 2011

Boa compra: Kaiken Cabernet Sauvignon

Ontem, vivi uma experiência muito bacana. Tive o privilégio de participar da escolha dos vinhos do casamento de bons amigos. O mais interessante e divertido é que a escolha foi feita em uma degustação às cegas! A idéia era confrontar 3 opções de espumantes e 6 de tintos, todos na faixa de R$ 20 a R$ 40, para eleger os melhores em cada categoria.

O resultado foi surpreendente. Pelo menos para mim, pois dei notas entre 87 e 88,5 pontos para 3 vinhos. Nessa faixa de preço, não esperava beber algo acima de 87 pontos, o que já seria um grande mérito. Não vou comentar todos os vinhos. Escolhi destacar aquele que, quase por unanimidade, foi o melhor da noite e será o vinho tinto do casamento - o espumante vencedor foi o Arte Brut, da Valduga, imbatível na sua faixa de preço. Aliás, como quase todos os espumantes da Casa Valduga.

A "boa compra" desta vez é o Kaiken Cabernet Sauvignon, que me surpreendeu pela estrutura e pelo uso muito bem feito da madeira. Às cegas, se me pedissem para chutar o preço, iria na casa dos R$ 60 fácil, que é o dobro do que custa esse vinho. Trata-se de um belo produto do argentino Kaiken, que tem por trás os chilenos da Montes Alpha. Além da cabernet sauvignon, esse vinho leva 10% de malbec.

De cor rubi intenso, esse vinho tem nariz remetendo a fruta e a madeira de boa qualidade, além de couro. Um toque de fruta, muito bem casado com a madeira nova, tornam o vinho muito agradável e fácil de beber, com um certo "adocicado". Ainda está um pouco tânico, mas para acompanhar o jantar do casamento, que possivelmente terá carne, certamente será adequado.

O importador é a Vinci, mas esse vinho pode ser encontrado com facilidade em lojas do ramo.

domingo, 22 de maio de 2011

Boa compra: Orzada Cabernet Sauvignon 2005

Hoje, meu almoço foi um pouco diferente do tradicional. Fui a uma churrascaria no esquema de rodízio e levei o meu vinho - um chileno do qual sempre gostei e que hoje, mais uma vez, se mostrou um ótimo vinho, especialmente acompanhando carnes vermelhas. Para abrir os trabalhos, pedi um espumante da carta: o Casa Valduga Premium Brut, básico desse produtor, mas que nem por isso deixa de ser um excelente espumante. Aliás, a Casa Valduga é cada vez mais uma referência quando se fala de espumantes - não apenas nacionais.

Voltando ao chileno, resolvi postar desta vez porque está em promoção (de R$ 69 por R$ 47,61), fazendo com que esse vinho seja, para mim, um dos melhores custos-benefícios sulamericanos do mercado. Trata-se do Orzada Cabernet Sauvignon 2005, elaborado pela Odfjell no Valle do Curicó e importado pela World Wine. Já bebi 3 safras desse vinho nos últimos 5 anos e a sua consistência é louvável para essa faixa de preço.

Diferentemente de boa parte dos sulamericanos mais acessíveis, que carregam na madeira e no álcool, esse é um vinho fácil de beber, pois equilibra fruta e madeira, com aquele toquezinho de coco tostado que, na medida certa, torna o vinho muito agradável. Tem boa estrutura e persistência e foi muito bem com o churrasco.

Essa safra está redonda, o que não significa que esteja no fim da linha - bem longe disso. Sinceramente, não entendi muito a razão da brusca queda no preço. Melhor do que tentar entender é comprar e beber!

domingo, 5 de dezembro de 2010

Boa compra: Eugénio de Almeida Branco 2009

Bebi este vinho pela primeira vez no Quinta de Santa Maria, um bom restaurante português aqui na região do Alto da Lapa, em São Paulo. Sempre que vou lá - ou na maior parte das vezes - levo meus vinhos e pago a taxa de rolha no valor de R$ 30.

Certa vez, no entanto, fazia tanto calor - e o lugar tem uma área aberta muito gostosa - que resolvi deixar meu tinto de lado e pedi um branco da carta, que, pela boa procedência e baixo preço, me chamou a atenção. Tratava-se deste ótimo e baratíssimo branco da Fundação Eugénio de Almeida, bastante conhecido por produzir os vinhos Cartuxa, além de bons azeites.

Fiquei muito feliz por ter acertado na mosca! Elaborado a partir das castas antão vaz, perrum e roupeiro, esse vinho é um achado para o verão e também para acompanhar frutos do mar e peixes. Seus 13,5% de álcool passam despercebidos, pois estão perfeitamente integrados. Fruta branca e um toque cítrico, além da boa acidez, tornam esse vinho perfeito para dias quentes como os que prometem chegar.

É vendido pela Adega Alentejana e está em promoção, a cerca de R$ 35. Vale comprar de caixa e deixar na geladeira para beber nos próximos meses.

quarta-feira, 30 de junho de 2010

Boa Compra: Errazuriz Reserva Sauvignon Blanc

Elegi este vinho para ser aquele branquinho que terei sempre em minha geladeira e beber no dia a dia. Adoro vinhos brancos, especialmente em dias quentes. Descobri este almoçando no Ráscal. Paguei cerca de R$ 60 e achei um belíssimo custo-benefício. Entrei no site do importador, a Vinci Vinhos, e vi que o valor da garrafa é aproximadamente R$ 40 (varia com o dólar), uma verdadeira pechincha.

Para quem gosta de sauvignon blanc do Novo Mundo, como os chilenos e neozelandeses, este Errazuriz é uma ótima. Cítrico, exótico, com aroma de carambola, pura fruta, excelente acidez. Vinho perfeito para uma tarde de sol, com frutos do mar ou mesmo sem comida. Compro e mando tudo para a geladeira, pois não é vinho para guardar. Divide espaço com o Alamos Chardonnay, outro belo custo-benefício entre os brancos. Compre e beba.

domingo, 27 de junho de 2010

Boa Compra: Il Bruciato

Quando o vinho tem mais pontos do que cifrões, é sinal de boa compra. Este toscano do Antinori é um dos meus favoritos na faixa dos 88 a 90 pontos - vinhos que considero muito bons/excelentes. Trata-se do "irmão mais novo" do fantástico Guado al Tasso, um dos melhores grandes supertoscanos que já bebi, ao lado do Solaia e do Sassicaia.

A boa notícia é que se pode pagar R$ 89 na safra 2006, no Marchê. Ainda jovem e cheio de fruta e estrutura, com taninos e acidez de um vinho "pré-adolescente". Mas com futuro promissor. Um belo Bolgheri, com aquele corte tradicional de cabernet sauvignon e merlot, além de um toquezinho da syrah.

Ainda é um vinho "áspero" para quem está acostumado aos evoluídos. Mas pode ser guardado por mais uma década, pois certamente evoluirá muito. Para quem aprecia a potência e "agressividade" da juventude e tem pressa de ser feliz, nada de errado se consumi-o agora. Eu mesmo já bebi uma garrafa semana passada!

Boa compra: Quinta da Bacalhôa

Há uma infinidade de vinhos à venda em lojas e importadoras, oferecidos diariamente a nós por e-mails e telefonemas - alguns até inconvenientes, pois nos pegam em reuniões e no trânsito. Também vemos "indicações" em blogs, que acabam nos confundindo, pois não sabemos se são dicas do autor ou somente reprodução de anúncios - às vezes até com interesse comercial - propaganda pura.

Entendo que vinho é algo extremamente ligado a gosto pessoal, apesar de haver parâmetros razoáveis para mensurar qualidade. No entanto, como a coisa que mais me perguntam é qual vinho indico para isso ou para aquilo, vou começar a registrar coisas que compro e gosto aqui no meu blog. Não tenho a pretensão de julgar vinhos, por isso não publicarei o que eu beber e não gostar. O objetivo é indicar boas compras, de vinhos que, na minha opinião, possam ser úteis para outras pessoas - procurarei sempre indicar essas utilidades, por exemplo, sugerindo compatiblizações com comidas ou ocasiões.

Para inaugurar essa séria, deixo aqui a indicação de dois vinhos da Quinta da Bacalhôa: um tinto, à base de cabernet sauvignon, e outro branco, o Cova da Ursa. Comecei a me interessar por esses vinhos por conta do "fanatismo" do amigo Esper, um profundo conhecedor e admirador dos vinhos da terra dos nossos irmãos portugueses. Aliás, não apenas entendedor desses vinhos, mas de muitos outros, o que aumentou ainda mais a minha curiosidade pela Quinta da Bacalhôa.

Não gastarei tempo escrevendo o que se pode encontrar facilmente no Google - por exemplo, quem é a Quinta da Bacalhôa, informação também disponível no seu site: http://www.bacalhoa.com/. Digo apenas que é um produtor bastante relevante e que produz boa variedade e qualidade de vinhos em Portugal. O importador é a Portuscale. Mas essa informação é um pouco irrelevante, pois eles são meio chatos para a venda direta ao consumidor. A boa notícia é que são vinhos fáceis de serem encontrados em restaurantes, empórios e supermercados.

O Cova da Ursa é uma gratíssima surpresa, pois é um vinho que une o que há de bom no Velho Mundo - a boa fruta e elegância - com o que o Novo Mundo agregou de melhor - estrutura e maciez do tratamento no carvalho. Realmente fantástico pelo que custa. Já o Quinta da Bacalhôa tinto é um exemplar do que há de melhor com a cabernet sauvignon fora da França - boa fruta, estrutura, taninos doces e um corpo fora da curva para esse padrão de vinhos. Encontram-se nos supermercados as safras 2004 (se tiver sorte), 2006 e 2007. Considerando que o branco sai a R$ 60 e o tinto, a R$ 80 (safra 2007), poucas ofertas podem ser mais interessantes. O branco vai bem com frango e peixes com sabor mais fortes; já o tinto é perfeito com carnes de boi e molhos à base de carne, como um belo ragú de patinho.

Os preços acima foram encontrados na Casa Santa Luzia, em uma promoção que não deverá durar muito. Quem gostar do estilo mais despojado desses vinhos e tiver a chance de comprar, certamente fará bom negócio.

domingo, 25 de novembro de 2007

O surpreendente espumante Dal Pizzol

Dentre todos os tipos de vinho que conheço, o que mais me seduz são sem dúvida os espumantes. Trata-se de uma bebida leve, festiva, na qual parece existir uma aura de vitória, de conquista e de prazer. Às vezes brinco que são os meus "refrigerantes preferidos", pois chego ao exagero de beber todos os dias quando estou de férias ou viajando em um feriado prolongado.

O fato é que eu venho comprando e experimentando muitos tipos de espumantes, especialmente os nacionais. Há anos sou fã dos Cave Geisse, do brut ao terroir, todos muito equilibrados, refrescantes e gostosos. Para mim, este sempre foi o melhor espumante nacional, competindo apenas com o Marson, mas sempre com uma certa distância de vantagem.

Nos últimos tempos, no entanto, tenho me surpreendido com a qualidade dos espumantes da Dal Pizzol, vinícola que visitei há alguns anos e que, para mim, sempre foi sinônimo de vinhos apenas medianos (para não dizer medíocres). Quando falo dos espumantes surpreendentes, me refiro aqui ao brut produzido pelo método tradicional e também ao rosê, certamente o melhor do gênero no Brasil, conforme pude constatar em uma degustação de espumantes nacionais na Sbav de São Paulo, meses atrás, quando os principais produtores do Brasil apresentaram os seus melhores produtos.

Sobre o Dal Pizzol Brut Método Tradicional, tenho a dizer que se trata de um espumante tão bom quanto o Cave Geisse Brut, com ótimo aroma, remetendo a tostado, manteiga, um pouco de abacaxi, flores brancas, mel e, lá no final, um pouco de cravo também. Sua cor tende ao dourado, com excelente perlage, fazendo lembrar um legítimo champanhe.

Fica aqui a dica de um excelente espumante nacional, talvez o melhor na atualidade produzido em terras brasileiras. A boa notícia é o preço: R$ 31 na vinícola ou nos distribuidores oficiais. Bem mais barato do que os concorrentes de qualidade semelhante.

Mais informações: http://www.dalpizzol.com.br/